O rio das Paredes, hoje 25 de março de 2013.
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segunda-feira, 25 de março de 2013
domingo, 24 de março de 2013
O rio das Paredes - atualização (2)
As fotografias são de hoje, pela manhã.
Segundo consta, os técnicos da CCDR e da ARH Tejo já estiveram na praia há uns meses e avaliaram os estragos provocados pelo rio e pelo mar durante as tempestades de inverno. Depois, correu a notícia de que haveria uma intervenção na praia logo no início do ano.
A verdade é que a prática tem-nos dito que da avaliação dos técnicos à tomada de decisão dos políticos e depois à intervenção no terreno, muito tempo passa, às vezes, até anos.
Neste caso do rio das Paredes e da erosão que o mesmo está a provocar sob as estruturas instaladas na praia e nas dunas, já há muito se conhece a situação.
E a questão começa a tomar contornos muito estranhos, na medida em que nada tem sido feito para, na prática, resolver o problema.
É certo que há todo um conjunto de responsabilidades e de competências a respeitar. A orla costeira, por exemplo, e as praias em particular, são da competência do Estado Central, através de agências como a ARH Tejo, o INAG ou a CCDR, fiscalizadas pela Marinha, num território gerido pela Câmara Municipal. Quanto às Juntas de Freguesia, pode dizer-se que será uma coincidência territorial, apenas. Por outras palavras, as autarquias locais não têm competências para intervir na linha de costa e na faixa costeira, sem autorização dos organismos centrais.
Ora, é neste contexto de “guerra de competências e de atribuições” que surge uma vez mais o velho ditado da “culpa morre solteira”. Esta questão do rio das Paredes tem sido sucessivamente empurrada de uns para os outros. A Junta não pode, informa a Câmara que comunica aos serviços responsáveis, que envia os técnicos, que elaboram propostas que aguardam decisão política, que uma vez tomada, espera pela verba e pelo lançamento do concurso público. Entretanto como nada se faz, o rio vai (des)fazendo.
Se dúvidas houvesse, os fenómenos ocorridos nos últimos meses são a prova evidente de que o rio das Paredes e a evolução do perfil da praia não são compatíveis com com os tempos de tomada de decisão e de intervenção “normais” (sendo “normal” o processo descrito no último parágrafo). O rio das paredes, e a evolução do perfil de praia, precisam de um acompanhamento permanente e de uma intervenção rápida. Na maior parte das vezes, a intervenção de uma máquina durante um ou duas horas resolveria (e precaveria) um grande número de problemas. Afinal de contas, a praia das Paredes não é um areal situado numa baía de águas calmas e tranquilas, em que a ação do mar é quase nula.
Mas a questão das intervenções não deixa de ser questionável. Há alturas do ano em que máquinas pesadas se arrastam pelo areal durante semanas a fio, em intervenções e movimentações de areia difíceis de perceber, quer em termos financeiros, quer de acordo com critérios técnicos de proteção do próprio areal. Mas elas existem, porque alguém decide que assim seja (e não me parece que os “fundamentalistas ambientais” que estão nos gabinetes de Lisboa concordem com rebaixamentos de areal de 1,5 a 2 metros)… Agora, uma intervenção de 2 horas de “pôr o rio a correr a direito” não me parece que carecesse de grandes autorizações e evitaria toda a erosão evidenciada.
Falta ação.
E falta conhecer, também, o plano de intervenção que os técnicos “de Lisboa” elaboraram.
Parece-me a mim, dadas as caraterísticas da praia, que pequenas intervenções de “manutenção” regulares e ao longo do ano resultariam melhor que grandes e pesadas intervenções. Mas já muitos estragos foram feitos (marginal, varanda, proteção dunar) e outros poderão aparecer (passadiços no lado norte).
Mas como somos um país rico, não há preocupações de maior…
Segundo consta, os técnicos da CCDR e da ARH Tejo já estiveram na praia há uns meses e avaliaram os estragos provocados pelo rio e pelo mar durante as tempestades de inverno. Depois, correu a notícia de que haveria uma intervenção na praia logo no início do ano.
A verdade é que a prática tem-nos dito que da avaliação dos técnicos à tomada de decisão dos políticos e depois à intervenção no terreno, muito tempo passa, às vezes, até anos.
Neste caso do rio das Paredes e da erosão que o mesmo está a provocar sob as estruturas instaladas na praia e nas dunas, já há muito se conhece a situação.
E a questão começa a tomar contornos muito estranhos, na medida em que nada tem sido feito para, na prática, resolver o problema.
É certo que há todo um conjunto de responsabilidades e de competências a respeitar. A orla costeira, por exemplo, e as praias em particular, são da competência do Estado Central, através de agências como a ARH Tejo, o INAG ou a CCDR, fiscalizadas pela Marinha, num território gerido pela Câmara Municipal. Quanto às Juntas de Freguesia, pode dizer-se que será uma coincidência territorial, apenas. Por outras palavras, as autarquias locais não têm competências para intervir na linha de costa e na faixa costeira, sem autorização dos organismos centrais.
Ora, é neste contexto de “guerra de competências e de atribuições” que surge uma vez mais o velho ditado da “culpa morre solteira”. Esta questão do rio das Paredes tem sido sucessivamente empurrada de uns para os outros. A Junta não pode, informa a Câmara que comunica aos serviços responsáveis, que envia os técnicos, que elaboram propostas que aguardam decisão política, que uma vez tomada, espera pela verba e pelo lançamento do concurso público. Entretanto como nada se faz, o rio vai (des)fazendo.
Se dúvidas houvesse, os fenómenos ocorridos nos últimos meses são a prova evidente de que o rio das Paredes e a evolução do perfil da praia não são compatíveis com com os tempos de tomada de decisão e de intervenção “normais” (sendo “normal” o processo descrito no último parágrafo). O rio das paredes, e a evolução do perfil de praia, precisam de um acompanhamento permanente e de uma intervenção rápida. Na maior parte das vezes, a intervenção de uma máquina durante um ou duas horas resolveria (e precaveria) um grande número de problemas. Afinal de contas, a praia das Paredes não é um areal situado numa baía de águas calmas e tranquilas, em que a ação do mar é quase nula.
Mas a questão das intervenções não deixa de ser questionável. Há alturas do ano em que máquinas pesadas se arrastam pelo areal durante semanas a fio, em intervenções e movimentações de areia difíceis de perceber, quer em termos financeiros, quer de acordo com critérios técnicos de proteção do próprio areal. Mas elas existem, porque alguém decide que assim seja (e não me parece que os “fundamentalistas ambientais” que estão nos gabinetes de Lisboa concordem com rebaixamentos de areal de 1,5 a 2 metros)… Agora, uma intervenção de 2 horas de “pôr o rio a correr a direito” não me parece que carecesse de grandes autorizações e evitaria toda a erosão evidenciada.
Falta ação.
E falta conhecer, também, o plano de intervenção que os técnicos “de Lisboa” elaboraram.
Parece-me a mim, dadas as caraterísticas da praia, que pequenas intervenções de “manutenção” regulares e ao longo do ano resultariam melhor que grandes e pesadas intervenções. Mas já muitos estragos foram feitos (marginal, varanda, proteção dunar) e outros poderão aparecer (passadiços no lado norte).
Mas como somos um país rico, não há preocupações de maior…
sábado, 23 de março de 2013
O rio das Paredes - atualização (1)
O Telmo Abreu foi hoje à praia das Paredes e documentou a erosão com origem no rio num espaço de 24 horas.
Hoje, 23 de março de 2013
Fotografia: Telmo Abreu
Ontem, 22 de março de 2013
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Paredes da Vitória - avanços do mar
A notícia no site da Rádio Cister
http://www.cister.fm/informacao/sociedade-ambiente/erosao-em-paredes-de-vitoria-preocupa-cdu
Erosão em Paredes de Vitória preocupa
Os problemas da erosão costeira e as marés vivas nas praias do concelho estão a preocupar a CDU que, recentemente, questionou a maioria PSD à frente da Câmara sobre as medidas adotadas para minimizar os riscos dos avanços da natureza.
Rogério Raimundo deu como exemplo “Paredes de Vitória, que há 20 dias viu o mar chegar até aos bares de madeira que foram colocados no areal”.
“O avanço do mar numa localidade cujo centro urbano foi recentemente requalificado é preocupante”.
A erosão costeira é um problema criado pela intervenção humana, em termos globais, mas se nada se fizer localmente, as consequências poderão ser “dramáticas”, alertou Rogério Raimundo, depois de tomar conhecimento dos impactos provocados pelas marés vivas nas Paredes de Vitória.
http://www.cister.fm/informacao/sociedade-ambiente/erosao-em-paredes-de-vitoria-preocupa-cdu
Erosão em Paredes de Vitória preocupa
Os problemas da erosão costeira e as marés vivas nas praias do concelho estão a preocupar a CDU que, recentemente, questionou a maioria PSD à frente da Câmara sobre as medidas adotadas para minimizar os riscos dos avanços da natureza.
Rogério Raimundo deu como exemplo “Paredes de Vitória, que há 20 dias viu o mar chegar até aos bares de madeira que foram colocados no areal”.
“O avanço do mar numa localidade cujo centro urbano foi recentemente requalificado é preocupante”.
A erosão costeira é um problema criado pela intervenção humana, em termos globais, mas se nada se fizer localmente, as consequências poderão ser “dramáticas”, alertou Rogério Raimundo, depois de tomar conhecimento dos impactos provocados pelas marés vivas nas Paredes de Vitória.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
A erosão do nosso litoral
O artigo é do Jornal de Notícias.
De forma marginal, aborda uma das nossas praias (Légua), mas não deixa de ser um tema preocupante e ao qual não temos prestado a devida atenção.
Erosão: há zonas de costa a recuar 10 metros ano
As causas são principalmente humanas (além da subida do nível médio do mar) e começam longe do litoral.
A construção de molhes e paredões deve acontecer "em casos excepcionais", para proteger grandes aglomerados urbanos "e se essa intervenção for duradoura e não puser em risco outros localizados a sotamar", diz o geógrafo José Nunes André, especialista em Geomorfologia Litoral do pólo do IMAR na Universidade de Coimbra. "Não resolvem as causas da erosão, apenas as transferem para sotamar (na costa Ocidental, para sul; na costa sul, para leste)", afirma, apontando recuos significativos entre a foz do Douro e Nazaré.
As causas são principalmente humanas (além da subida do nível médio do mar) e começam longe do litoral. "Estudos da década de 90 do século XX referem que o rio Douro, principal fonte de alimentação aluvionar da costa até ao canhão submarino da Nazaré, devido às barragens e à extracção de areia, diminuiu-a em cerca de 60%", diz.
Em situação normal, o Douro alimentaria a costa com 1,2 milhões de metros cúbicos de sedimentos por ano (m3/ano), aos quais se juntariam 200 mil transportados pela deriva litoral entre Leixões e a foz do Douro. Com as barragens, reduziu a sua capacidade aluvionar para apenas 200 mil m3/ano. Outros estudos indicam uma redução dos volumes sedimentares transportados por via fluvial em mais de 85% ao longo do século XX, devido aos aproveitamentos hidroeléctricos e hidro-agrícolas. Quando as comportas de fundo das barragens são abertas devido a cheias, o volume de areias na foz aumenta significativamente, o que evidencia o efeito de retenção.
Com a retenção no Douro, que será agravado com a construção de mais seis grandes barragens na sua bacia hidrográfica, e a extracção de areias, os "poucos" sedimentos em deriva resultam essencialmente da erosão da costa". A extracção nos rios e na costa tem sido outro factor. Em S. Jacinto, Aveiro, eram retirados dois milhões de m3/ano. Na foz do Mondego, Figueira da Foz, era extraído cerca um milhão de m3/ano. Com o caudal aluvionar dos rios diminuído, os esporões agravam o problema. Só entre a foz do Douro e a praia de Mira, numa distância de 75 km, há 25 esporões, além dos molhes nas fozes do Douro e do Vouga, "a interceptar os poucos sedimentos em deriva".
Para travar a erosão a sul da Vagueira, foram construídos entre esta praia e a de Mira dois esporões - o do Areão (2003) e o do Poço da Cruz (2004).
Desde então, José Nunes André monitoriza a linha de costa na zona, cujo recuo era, até então, inferior a dois metros por ano. A sul, quantificou erosão superior a sete metros por ano em média. No esporão do Areão, a erosão aumentou para 13,90 metros em oito meses (29 de Abril a 31 de Dezembro de 2008). O cordão dunar frontal (último obstáculo ao avanço do mar) a sul foi erodido após a sua construção. São "cada vez com mais frequentes os galgamentos oceânicos, que se têm prolongado mais para sul e a mata adjacente já está ligada à praia" e o aumento da erosão a sul faz-se sentir até à praia de Mira.
A erosão da base das arribas é outro problema. As situadas entre o norte de S. Pedro de Moel (Praia Velha) e a Praia da Légua (norte da Nazaré) estão em risco de derrocada. O INAG já assinalou parte como zonas de perigo e projecta consolidá-las.
A construção, nos anos 60, dos molhes da Figueira da Foz acelerou a erosão das praias a sul e das arribas. O prolongamento, em curso, do molhe norte em 400 metros "voltará a dar origem à acreção (aumento) do areal a norte (Figueira da Foz - Buarcos) e ao aumento da erosão a sul. A médio prazo, irá reflectir-se nas arribas S. Pedro de Moel - Nazaré". Intervenções "em terra" também respondem pela redução da estabilidade das arribas, avisa, apontando o dedo à construção dos parques de estacionamento sobre elas, a norte do farol de S. Pedro de Moel, "impermeabilizando-as e originando escoamentos pluviais concentrados".
De forma marginal, aborda uma das nossas praias (Légua), mas não deixa de ser um tema preocupante e ao qual não temos prestado a devida atenção.
Erosão: há zonas de costa a recuar 10 metros ano
As causas são principalmente humanas (além da subida do nível médio do mar) e começam longe do litoral.
A construção de molhes e paredões deve acontecer "em casos excepcionais", para proteger grandes aglomerados urbanos "e se essa intervenção for duradoura e não puser em risco outros localizados a sotamar", diz o geógrafo José Nunes André, especialista em Geomorfologia Litoral do pólo do IMAR na Universidade de Coimbra. "Não resolvem as causas da erosão, apenas as transferem para sotamar (na costa Ocidental, para sul; na costa sul, para leste)", afirma, apontando recuos significativos entre a foz do Douro e Nazaré.
As causas são principalmente humanas (além da subida do nível médio do mar) e começam longe do litoral. "Estudos da década de 90 do século XX referem que o rio Douro, principal fonte de alimentação aluvionar da costa até ao canhão submarino da Nazaré, devido às barragens e à extracção de areia, diminuiu-a em cerca de 60%", diz.
Em situação normal, o Douro alimentaria a costa com 1,2 milhões de metros cúbicos de sedimentos por ano (m3/ano), aos quais se juntariam 200 mil transportados pela deriva litoral entre Leixões e a foz do Douro. Com as barragens, reduziu a sua capacidade aluvionar para apenas 200 mil m3/ano. Outros estudos indicam uma redução dos volumes sedimentares transportados por via fluvial em mais de 85% ao longo do século XX, devido aos aproveitamentos hidroeléctricos e hidro-agrícolas. Quando as comportas de fundo das barragens são abertas devido a cheias, o volume de areias na foz aumenta significativamente, o que evidencia o efeito de retenção.
Com a retenção no Douro, que será agravado com a construção de mais seis grandes barragens na sua bacia hidrográfica, e a extracção de areias, os "poucos" sedimentos em deriva resultam essencialmente da erosão da costa". A extracção nos rios e na costa tem sido outro factor. Em S. Jacinto, Aveiro, eram retirados dois milhões de m3/ano. Na foz do Mondego, Figueira da Foz, era extraído cerca um milhão de m3/ano. Com o caudal aluvionar dos rios diminuído, os esporões agravam o problema. Só entre a foz do Douro e a praia de Mira, numa distância de 75 km, há 25 esporões, além dos molhes nas fozes do Douro e do Vouga, "a interceptar os poucos sedimentos em deriva".
Para travar a erosão a sul da Vagueira, foram construídos entre esta praia e a de Mira dois esporões - o do Areão (2003) e o do Poço da Cruz (2004).
Desde então, José Nunes André monitoriza a linha de costa na zona, cujo recuo era, até então, inferior a dois metros por ano. A sul, quantificou erosão superior a sete metros por ano em média. No esporão do Areão, a erosão aumentou para 13,90 metros em oito meses (29 de Abril a 31 de Dezembro de 2008). O cordão dunar frontal (último obstáculo ao avanço do mar) a sul foi erodido após a sua construção. São "cada vez com mais frequentes os galgamentos oceânicos, que se têm prolongado mais para sul e a mata adjacente já está ligada à praia" e o aumento da erosão a sul faz-se sentir até à praia de Mira.
A erosão da base das arribas é outro problema. As situadas entre o norte de S. Pedro de Moel (Praia Velha) e a Praia da Légua (norte da Nazaré) estão em risco de derrocada. O INAG já assinalou parte como zonas de perigo e projecta consolidá-las.
A construção, nos anos 60, dos molhes da Figueira da Foz acelerou a erosão das praias a sul e das arribas. O prolongamento, em curso, do molhe norte em 400 metros "voltará a dar origem à acreção (aumento) do areal a norte (Figueira da Foz - Buarcos) e ao aumento da erosão a sul. A médio prazo, irá reflectir-se nas arribas S. Pedro de Moel - Nazaré". Intervenções "em terra" também respondem pela redução da estabilidade das arribas, avisa, apontando o dedo à construção dos parques de estacionamento sobre elas, a norte do farol de S. Pedro de Moel, "impermeabilizando-as e originando escoamentos pluviais concentrados".
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