A partir da publicação do Tiago Inácio no facebook:
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quarta-feira, 21 de março de 2018
sexta-feira, 15 de dezembro de 2017
A preservação dos fornos da cal de Pataias
As notícias saídas na imprensa (Pataias à Letra e Região)
A preservação dos fornos da cal de Pataias
«Os hábitos são tão difíceis de combater, porque neles a inércia, que em geral se opõe a qualquer ação, se associa a um certo sentido rítmico de atividade.»
Eu cresci com e nos fornos da cal. Literalmente.
Tinha cerca de 10 anos quando passei um verão inteiro a pesar e a vendar cal no forno do meu avô Ronseiro. Lembro-me de ir para os caboucos ver arrancar pedra ou ir à procura de fósseis, de ir para os pinhais buscar camionetas de mato e de metano, de dormir sestas intermináveis nos barracões da caruma, ou de no inverno, nos dias de chuva e frio, procurar o calor da boca do forno e ser corrido porque “estava a estorvar”.
Lembro-me do cheiro da pedra recém cozida e do pó da cal.
Lembro-me do meu avô.
Os fornos de Pataias, sabê-mo-lo, fazem parte da nossa memória coletiva e da nossa história. Não é por acaso que estão no brasão da vila. O conjunto dos fornos de Pataias “Ratoinha - Olhos d’Água” e “Brejoeira” são o maior núcleo de fornos existente no país (31 fornos). Aliás, quer os 13 fornos da “Ratoinha – Olhos d’Água”, quer os 18 da “Brejoeira”, são por si só, mais numerosos que o 2º núcleo de fornos existente no país (11 – e que se encontram dispersos numa maior área que em Pataias). Assim, se dúvidas houvesse, não há no país nada parecido com a dimensão e importância que os fornos da cal de Pataias têm. É mais um caso único, singular, na nossa freguesia.
Caso singular da nossa freguesia é também a tábua rasa dos marcos e edifícios da nossa história. Sabemos que os tempos eram outros, mas alegremente demolimos uma igreja do século XVI, fizemos desaparecer o edifício de uma escola primária para abrir uma avenida (Av. Lagoa), alterámos de forma quase irremediável a fachada das escolas velhas, destruímos o coreto (que era já o segundo), deixámos cair o edifício das escolas nas Paredes. É certo que em Pataias não existem solares, palacetes ou outros edifícios arquitetonicamente dignos de preservar. Mas, por via das dúvidas, pelo sim pelo não, temos alagado tudo.
Os fornos da cal, para além do brasão, fazem parte do vocabulário da Junta de Freguesia de 4 em 4 anos. Ponto.
Este executivo vai já no seu 5º mandato. Qualquer desculpa para tudo o que não foi feito pelos fornos da cal é isso mesmo: uma desculpa. À semelhança de alguns outros projetos associados à Junta de Freguesia, a realidade é que também tudo o que tem sido feito pelos fornos tem vindo ter com a Junta.
Por outras palavras, que projeto tem a Junta para os fornos da cal? E por projeto é qualquer coisa como:
- Quais são os objetivos a atingir em torno dos fornos da cal? É deixá-los estar como estão? É adquirir para o património da freguesia um forno? É recuperar um forno? É construir um museu? E do que vai falar o museu? O que vai estar exposto no museu? E de que forma?
- Quanto vai custar a implementação do projeto? Quais vão ser as fontes de financiamento? De quem serão os apoios? Haverá mecenas?
- Calendarização: para quando será a sua concretização? Que etapas estão previstas? Quais são as metas intermédias? Quais são as datas de concretização?
- Etapas - recolha e salvaguarda de ferramentas e instrumentos: como? Quem? Onde? Memória futura: entrevistas (vídeo) com os poucos que ainda sabem dos fornos. Quando? (É que já são muito poucos e a demência – devido à idade – está a começar a fazer visitas cada vez mais frequentes. E depois, quem nos vai contar como é que era: quem viveu, ou quem ouviu dizer?). Levantamento histórico, bibliográfico, arquivístico sobre os fornos.
- Onde vai ser implementado o projeto? Há algum edifício? Vai ser num forno? Haverá um centro de interpretação?
- Salvaguarda do património construído: proteger um forno, ou proteger o conjunto de fornos? Declaração de interesse municipal sobre os fornos, impedindo a sua demolição e isentando-os do pagamento de IMI. Para quando a Junta levará à Assembleia Municipal o pedido dessa declaração?
- Rota dos fornos. Definição de uma rota e estabelecimento de um protocolo com a Secil. A rota está feita, o protocolo demora assim tanto a fazer?
- Relação com os particulares: todos os fornos estão nas mãos dos particulares. O que as autarquias (Junta e Câmara) propõem fazer para resolver esta ENORME CONDICIONANTE? Se calhar, ajudava a resolver as situações se as pessoas, se os proprietários, soubessem ao certo o que se quer fazer…
Alguém na atual Junta, após dezasseis anos de governação em maioria absoluta, sabe responder a estas questões. A mim, parece-me que não.
É ainda preciso não esquecer que a importância dos fornos de Pataias, como se sabe hoje, extravasa a importância local. São o maior (de longe) núcleo de fornos de cal de todo o país. Ou seja, salvaguardar um forno, recuperar apenas um forno face a este FACTO é esvaziar de significado e de importância, uma vez mais, a nossa história. A importância dos fornos de Pataias é pelo seu conjunto único e é esse conjunto que urge preservar.
A atual Junta da União de Freguesias de Pataias e Martingança, foi desde o seu segundo mandato, uma Junta reativa. No final do quarto mandato, aburguesada, faz uma gestão corrente do expediente diário. Não tem uma ideia, não tem um projeto, não tem um objetivo. Aliás, o único objetivo parece ser a manutenção do poder, pelo poder. E na persecução deste objetivo não há coletividade que leve uma nega, projeto para a freguesia que não receba apoio, arraial que não tenha funcionários da Junta, freguês (habitante da freguesia) que não veja o seu problema resolvido. Todos ficam satisfeitos.
Desculpem-me, mas uma Junta de Freguesia deve ser muito mais. Deve ter um objetivo próprio, um desígnio próprio, um caminho próprio a trilhar, metas próprias a atingir. Conformar-se com dar ajuda a quem os procura fá-la parecer-se com uma Instituição de Solidariedade Social e hoje em dia isso não parece ser boa coisa.
Por isso, a Junta deve ser proactiva, propor, planear, executar. Que freguesia pretende deixar esta Junta daqui a 4 anos? Uma Zona Industrial na Alva? Um Centro Escolar, agora na EB2,3 de Pataias? Saneamento Básico nos Pisões e na Mélvoa? Valorizar a Lagoa de Pataias? Onde foi que eu já ouvi isto? Não, não foi em setembro último. Acho que foi em 2013. 2009 talvez… 2005?
O discurso da Junta de Freguesia sobre os fornos parece mais do mesmo. Dezasseis anos seriam suficientes para que a realidade fosse outra. Se alguns carolas que por aí andam se chatearem, como é que ficará este projeto? E já agora, como ficarão alguns outros projetos também, se outros se chatearem?
Desconfio que em 2021, depois de destruídos mais 5 ou 6 fornos como foram já demolidos alguns durante os mandatos desta Junta, e eventualmente os últimos forneiros terem desaparecido (espero que não), ainda se falará da recuperação dos fornos e a mesma estará, tal e qual, no exato ponto em que se encontra hoje.
«As promessas, como as pessoas, perdem a força quando envelhecem.»
A preservação dos fornos da cal de Pataias
«Os hábitos são tão difíceis de combater, porque neles a inércia, que em geral se opõe a qualquer ação, se associa a um certo sentido rítmico de atividade.»
Hugo Hofmannsthal
Eu cresci com e nos fornos da cal. Literalmente.
Tinha cerca de 10 anos quando passei um verão inteiro a pesar e a vendar cal no forno do meu avô Ronseiro. Lembro-me de ir para os caboucos ver arrancar pedra ou ir à procura de fósseis, de ir para os pinhais buscar camionetas de mato e de metano, de dormir sestas intermináveis nos barracões da caruma, ou de no inverno, nos dias de chuva e frio, procurar o calor da boca do forno e ser corrido porque “estava a estorvar”.
Lembro-me do cheiro da pedra recém cozida e do pó da cal.
Lembro-me do meu avô.
Os fornos de Pataias, sabê-mo-lo, fazem parte da nossa memória coletiva e da nossa história. Não é por acaso que estão no brasão da vila. O conjunto dos fornos de Pataias “Ratoinha - Olhos d’Água” e “Brejoeira” são o maior núcleo de fornos existente no país (31 fornos). Aliás, quer os 13 fornos da “Ratoinha – Olhos d’Água”, quer os 18 da “Brejoeira”, são por si só, mais numerosos que o 2º núcleo de fornos existente no país (11 – e que se encontram dispersos numa maior área que em Pataias). Assim, se dúvidas houvesse, não há no país nada parecido com a dimensão e importância que os fornos da cal de Pataias têm. É mais um caso único, singular, na nossa freguesia.
Caso singular da nossa freguesia é também a tábua rasa dos marcos e edifícios da nossa história. Sabemos que os tempos eram outros, mas alegremente demolimos uma igreja do século XVI, fizemos desaparecer o edifício de uma escola primária para abrir uma avenida (Av. Lagoa), alterámos de forma quase irremediável a fachada das escolas velhas, destruímos o coreto (que era já o segundo), deixámos cair o edifício das escolas nas Paredes. É certo que em Pataias não existem solares, palacetes ou outros edifícios arquitetonicamente dignos de preservar. Mas, por via das dúvidas, pelo sim pelo não, temos alagado tudo.
Os fornos da cal, para além do brasão, fazem parte do vocabulário da Junta de Freguesia de 4 em 4 anos. Ponto.
Este executivo vai já no seu 5º mandato. Qualquer desculpa para tudo o que não foi feito pelos fornos da cal é isso mesmo: uma desculpa. À semelhança de alguns outros projetos associados à Junta de Freguesia, a realidade é que também tudo o que tem sido feito pelos fornos tem vindo ter com a Junta.
Por outras palavras, que projeto tem a Junta para os fornos da cal? E por projeto é qualquer coisa como:
- Quais são os objetivos a atingir em torno dos fornos da cal? É deixá-los estar como estão? É adquirir para o património da freguesia um forno? É recuperar um forno? É construir um museu? E do que vai falar o museu? O que vai estar exposto no museu? E de que forma?
- Quanto vai custar a implementação do projeto? Quais vão ser as fontes de financiamento? De quem serão os apoios? Haverá mecenas?
- Calendarização: para quando será a sua concretização? Que etapas estão previstas? Quais são as metas intermédias? Quais são as datas de concretização?
- Etapas - recolha e salvaguarda de ferramentas e instrumentos: como? Quem? Onde? Memória futura: entrevistas (vídeo) com os poucos que ainda sabem dos fornos. Quando? (É que já são muito poucos e a demência – devido à idade – está a começar a fazer visitas cada vez mais frequentes. E depois, quem nos vai contar como é que era: quem viveu, ou quem ouviu dizer?). Levantamento histórico, bibliográfico, arquivístico sobre os fornos.
- Onde vai ser implementado o projeto? Há algum edifício? Vai ser num forno? Haverá um centro de interpretação?
- Salvaguarda do património construído: proteger um forno, ou proteger o conjunto de fornos? Declaração de interesse municipal sobre os fornos, impedindo a sua demolição e isentando-os do pagamento de IMI. Para quando a Junta levará à Assembleia Municipal o pedido dessa declaração?
- Rota dos fornos. Definição de uma rota e estabelecimento de um protocolo com a Secil. A rota está feita, o protocolo demora assim tanto a fazer?
- Relação com os particulares: todos os fornos estão nas mãos dos particulares. O que as autarquias (Junta e Câmara) propõem fazer para resolver esta ENORME CONDICIONANTE? Se calhar, ajudava a resolver as situações se as pessoas, se os proprietários, soubessem ao certo o que se quer fazer…
Alguém na atual Junta, após dezasseis anos de governação em maioria absoluta, sabe responder a estas questões. A mim, parece-me que não.
É ainda preciso não esquecer que a importância dos fornos de Pataias, como se sabe hoje, extravasa a importância local. São o maior (de longe) núcleo de fornos de cal de todo o país. Ou seja, salvaguardar um forno, recuperar apenas um forno face a este FACTO é esvaziar de significado e de importância, uma vez mais, a nossa história. A importância dos fornos de Pataias é pelo seu conjunto único e é esse conjunto que urge preservar.
A atual Junta da União de Freguesias de Pataias e Martingança, foi desde o seu segundo mandato, uma Junta reativa. No final do quarto mandato, aburguesada, faz uma gestão corrente do expediente diário. Não tem uma ideia, não tem um projeto, não tem um objetivo. Aliás, o único objetivo parece ser a manutenção do poder, pelo poder. E na persecução deste objetivo não há coletividade que leve uma nega, projeto para a freguesia que não receba apoio, arraial que não tenha funcionários da Junta, freguês (habitante da freguesia) que não veja o seu problema resolvido. Todos ficam satisfeitos.
Desculpem-me, mas uma Junta de Freguesia deve ser muito mais. Deve ter um objetivo próprio, um desígnio próprio, um caminho próprio a trilhar, metas próprias a atingir. Conformar-se com dar ajuda a quem os procura fá-la parecer-se com uma Instituição de Solidariedade Social e hoje em dia isso não parece ser boa coisa.
Por isso, a Junta deve ser proactiva, propor, planear, executar. Que freguesia pretende deixar esta Junta daqui a 4 anos? Uma Zona Industrial na Alva? Um Centro Escolar, agora na EB2,3 de Pataias? Saneamento Básico nos Pisões e na Mélvoa? Valorizar a Lagoa de Pataias? Onde foi que eu já ouvi isto? Não, não foi em setembro último. Acho que foi em 2013. 2009 talvez… 2005?
O discurso da Junta de Freguesia sobre os fornos parece mais do mesmo. Dezasseis anos seriam suficientes para que a realidade fosse outra. Se alguns carolas que por aí andam se chatearem, como é que ficará este projeto? E já agora, como ficarão alguns outros projetos também, se outros se chatearem?
Desconfio que em 2021, depois de destruídos mais 5 ou 6 fornos como foram já demolidos alguns durante os mandatos desta Junta, e eventualmente os últimos forneiros terem desaparecido (espero que não), ainda se falará da recuperação dos fornos e a mesma estará, tal e qual, no exato ponto em que se encontra hoje.
«As promessas, como as pessoas, perdem a força quando envelhecem.»
Marcel Pagnol
quinta-feira, 30 de novembro de 2017
domingo, 12 de novembro de 2017
As atividades económicas em Pataias nos finais da década de 1940
«Sobre a indústria da cal branca há em número bastante elevado, os fornos de Pataias, que exportam para todo o país.
«Temos a considerar naquela localidade duas grandes fábricas de garrafas de vidro e uma na Martingança, as quais comportam uma população operária de 800 indivíduos de ambos os sexos.
«Com uma grandiosidade não só em edifícios como em área ocupada está a construir-se, em Pataias, uma fábrica denominada «Companhia Portuguesa de Cimentos Brancos» indústria esta que em muito fará prosperar não só auela região como ainda o concelho de Alcobaça e que certamente bastante contribuirá para a valorização económica do país.»
A freguesia de Pataias tinha, de acordo com os Censos de 1950, um total de 5666 habitantes, dos quais 2589 sabiam ler e escrever. A indústria vidreira empregava cerca de 800 trabalhadores.
Em 2011, de acordo com os Censos, as freguesias de Pataias e Martingança tinham uma população total de 6596 habitantes. A população empregada era de 2641 indivíduos, dos quais 1319 trabalhavam no sector seundário (Indústria e Construção Civil).
Por estas pequena amostra, pode deduzir-se da importância que a indústria vidreira tinha no emprego da freguesia de Pataias, no início da segunda metade do século XX.
«Temos a considerar naquela localidade duas grandes fábricas de garrafas de vidro e uma na Martingança, as quais comportam uma população operária de 800 indivíduos de ambos os sexos.
«Com uma grandiosidade não só em edifícios como em área ocupada está a construir-se, em Pataias, uma fábrica denominada «Companhia Portuguesa de Cimentos Brancos» indústria esta que em muito fará prosperar não só auela região como ainda o concelho de Alcobaça e que certamente bastante contribuirá para a valorização económica do país.»
Alberto Santos Carvalho, "Alguns apectos dos valores de Alcobaça e seu Concelho" in Segundo Congresso das Actividades do Distrito de Leiria, setembro de 1948
A freguesia de Pataias tinha, de acordo com os Censos de 1950, um total de 5666 habitantes, dos quais 2589 sabiam ler e escrever. A indústria vidreira empregava cerca de 800 trabalhadores.
Em 2011, de acordo com os Censos, as freguesias de Pataias e Martingança tinham uma população total de 6596 habitantes. A população empregada era de 2641 indivíduos, dos quais 1319 trabalhavam no sector seundário (Indústria e Construção Civil).
Por estas pequena amostra, pode deduzir-se da importância que a indústria vidreira tinha no emprego da freguesia de Pataias, no início da segunda metade do século XX.
terça-feira, 31 de outubro de 2017
segunda-feira, 23 de outubro de 2017
O grande incêndio do Pinhal de Leiria em 1916
A notícia em:
http://observador.pt/2017/10/16/ha-101-anos-um-grande-incendio-consumiu-o-pinhal-de-leiria-foi-assim/
INCÊNDIOS
Há 101 anos, um grande incêndio consumiu o Pinhal de Leiria. Foi assim
Em 1916, 150 hectares de pinhal arderam em Leiria e levantaram dúvidas sobre as políticas de proteção da floresta. Cento e um anos depois, tudo parece repetir-se. Na época, foi assim que aconteceu.
Em 1916, Portugal tinha uma luta em mãos: o país, especialmente a região centro, estava constantemente a ser fustigada por incêndios de grandes dimensões. Numa edição do jornal “O Século” de 25 de setembro de 1916, Acácio de Paiva — poeta e jornalista leiriense que também contribuía para jornais como o “Diário de Notícias” e “O Mensageiro” — dizia que “os repetidos incêndios no pinhal de Leiria, a maior e melhor mata do Estado, constituindo uma verdadeira riqueza natural, tem chamado a atenção de toda a imprensa, que reclama, com os habitantes da região, providências urgentes dos poderes públicos”. E depois opinava: “Estes ouviram as reclamações, mas triste foi que se tivessem de formular, porque remediar vale muito menos do que prevenir“.
As perguntas que Acácio de Paiva assinava numa crónica da Ilustração Portuguesa eram muito semelhantes às que hoje ainda se formulam: “Serão [os planos para diminuir os incêndios] ao menos eficazes? Conseguir-se-á uma vigilância suficiente e permanente? Não se voltará, passada a impressão da catástrofe, à indiferença do costume? Será necessário fundar uma Sociedade dos Amigos do Pinhal de Leiria, como se fundou a dos Amigos do Jardim Zoológicos, a dos Amigos do Castelo de Leiria, a dos Amigos da Amadora, etc., e todas elas mais cuidadosas do que as repartições cujo fim é, precisamente, a defesa do património geral?”
A revolta de Acácio Paiva tinha raízes num incêndio que consumiu grande parte do Pinhal d’El Rei, mandado construir por D. Afonso III e aperfeiçoado por D. Dinis, no início de setembro daquele ano. O mesmo que este domingo foi ameaçado pelas chamas, obrigando a evacuar aldeias e vilas no distrito de Leiria.
A 4 de setembro de 1916, sensivelmente há 101 anos, a edição número 550 do suplemento “Ilustração Portuguesa”, que acompanhava o jornal “O Século”, enchia quatro páginas de jornal com um texto assinado por Floreano sobre o que havia acontecido dois dias antes no pinhal da Marinha Grande e de como a população lutou contra o fogo.
Pode lê-lo na íntegra aqui em baixo.
“O fogo extinguira-se dois dias antes. Que pena não ter passado por ali naquela ocasião! Devia ser um espetáculo assombroso! Parecia que o chão ainda escaldava debaixo dos pés e que no ar mal de dissipavam os últimos novelos de fumo e de cinzas.
Trepei ao alto de uma duna fixada e convertida pelo precioso trabalho dos pinheiros num monte sólido e fértil. Era simplesmente desolador! Estendia-se diante de mim, a perder de vista, um trato de muitos hectares de pinhal novo, com as suas ramas torrificadas, mas ainda aderentes pela sua resistência excecional. Ao de cima dessa extensa massa carbonizada erguiam-se tristonhos, aqui e além, os pinheiros velhos, de cuja semente haviam nascido os outros. Apesar de uma altura de 20 metros ou mais, as suas comas haviam sido alcançadas pelas labaredas! Mortas e bem mortas, aquelas gigantes sentinelas das dunas! Recordavam as heróicas sentinelas de Pompeia, surpreendidas e incineradas nos seus postos pela lava do Vesúvio, conservadas na mesma forma e na mesma atitude, através de séculos, ao abrigo das abóbadas sob que ficaram sepultadas. Desfizeram-se com a primeira lufada de ar fresco que lhes trouxeram as excavações dos arqueólogos. Também os primeiros sopros ásperos de outono hão de reduzir às linhas hirtas e falhadas do seu esqueleto tantos milhares de árvores, há poucas horas ainda tão verdes e orgulhosas do seu porte, se antes disso o machado do lenheiro não fizer desaparecer a obra infame do incendiário.
Que dor de alma ver tanta floresta destruída numa época tão angustiosamente falha de madeira e de lenha! Aquele crime enormíssimo nem parece ter sido cometido por portugueses contra sua própria terra, contra a sua própria vida e a da sua família; porque, devorado pelo fogo o Pinhal de Leiria, essa majestosa floresta de 25 quilómetros por 9, deixou de ter razão a existência de todos os povos que vivem à sua sombra saudável e hospitaleira.
E como essa dor se refletia nos olhos e nas palavras de um pobre velho, que ainda hoje é dos primeiros a acudir os fogos do Pinhal, que lhe doem, que o afligem como se da sua casinha em chamas! Não tinha memória de outro em semelhantes circunstâncias. Sempre foram 150 hectares, ou seja um milhão e quinhentos mil metros quadrados de pinhal, novo e velho, absolutamente perdidos. As chamas rebentaram em três pontos ao mesmo tempo. Tocadas pelo vento e alimentadas pelo mato miúdo e pela caruma seca que cobriam o solo, não tardaram a cruzar-se num grande mar de fogo. Uma coisa sublimemente horrível!
Buzinas, apitos, toques de sino, gritaria, alvoroçaram as povoações convizinhas, das quais a principal é a vila da Marinha Grande. Nas fábricas, nos campos, em casa não ficou ninguém. Todos munidos de enxadas, machados, pás, forquilhas, ancinhos, do primeiro instrumento que topavam à mão, abalaram desordenadamente para atacar o fogo; e centenas de mulheres também se puseram a caminho, com cântaros de água da cabeça para matar a sede aos homens, que devia ser insaciável no meio da faina debaixo daquela torreira.
Na fúria com que toda a gente se atirava ao fogo não havia visivelmente um plano de ataque, executando a uma voz imperiosa de comando; mas havia uma perícia e uma tática individuais que davam ao conjunto dos esforços uma admirável unidade de ação. Abrem-se aceiros, compridos e largos, machadando sem piedade belas árvores para atalhar a marcha galopante do fogo, que as devoraria, a elas e a muitas mais, sendo admirável como essa gente se estendia numa linha rigorosa de combate, sem se estorvar uma à outra.
Já se sentia o bafão estiolante do fogo, o crepitar do lenho verde abarcado pelas labaredas, o rugir surdo da fornalha rolante, em que esses valentes se podiam ver, de um momento para o outro e irremediavelmente, envolvidos; mas eles continuavam a manejar o machado, com o rosto afogueado, escorrendo em suor e arfando fortemente como os antigos ciclopes na forja abrasadora. Outros roçavam o mato e procuravam arredá-lo do caminho do fogo; estes deitavam pás de terra sobre a vegetação miúda para o abafar; aqueles abriam arrifes à enxada tentando atalhar-lhe a marcha de todas as formas possíveis. Daqui como se despegavam chamas para ir levar o incêndio muitos metros além, cercando por vezes os homens com tal surpresa que dificilmente saíam ilesos.
São tão rápidos estes saltos do fogo, tão caprichosas e vivas as voltas que ele dá, que nem aos bichos que vivem acoitados na floresta lhes vale o instinto e a agilidade para escaparem. Raposas, coelhos, lebres, cobras, ouriços, texugos, parecem todos tomados de loucura e, na sua fuga, esbarram nos homens, metem-se debaixo das enxadas e dos machados, caem carbonizados dos matagais ardentes! As próprias aves, como as rolas — as pobrezinhas! — nem se desenvecilham num voo alto por entre os pinheiros espessos a tempo de se salvar.
Também se lhes encontram os restos nas cinzas do imenso braseiro.
Mas a fase culminante da batalha é o contrafogo. Abre-se um aceiro largo. Lança-se lumo, bem entendido, do lado onde lavra o incêndio. Este novo fogo vai ao encontro do outro. Avançam ambos velozes, rosnam cóleras tremendas, chocam-se com estranho estampido e ambos expiram numa explosão medonha, indo as últimas línguas de fogo e rolos de fumo desfazer-se bem alto na atmosfera.
Segue-se então brusco um silêncio de morte. Se o mar encrespado, bramindo furioso, se estagnasse de súbito num lago dormente, não nos chocaria mais brutal impressão de contraste. Até o vento se acalmou. A forte exclamação de vitória, de alívio, saiu uníssona de tantas bocas, sucedeu o arfar surdo do cansaço e o sorvo ansioso de muitos cântaros de água, atirando-se toda essa gente, extenuadíssima, para o chão, onde não andara o lume, e contemplando com os olhos embaciados de água tão hediondo quadro de devastação.
E o que iria talvez a essa hora, de remorso no espírito dos bárbaros incendiários ao contemplarem, sabe Deus de onde, os horrorosos efeitos da sua obra nefasta? Daí…
Ou Nero mandasse deitar, ou não, fogo a Roma para deliciar a sua alma negra com os horrores de tão estranho espetáculo; o que é facto é que ele pôs-se, todo enlevado, a entoar ao som da lira um hino ao célebre incêndio de Tróia!”
http://observador.pt/2017/10/16/ha-101-anos-um-grande-incendio-consumiu-o-pinhal-de-leiria-foi-assim/
INCÊNDIOS
Há 101 anos, um grande incêndio consumiu o Pinhal de Leiria. Foi assim
Em 1916, 150 hectares de pinhal arderam em Leiria e levantaram dúvidas sobre as políticas de proteção da floresta. Cento e um anos depois, tudo parece repetir-se. Na época, foi assim que aconteceu.
Em 1916, Portugal tinha uma luta em mãos: o país, especialmente a região centro, estava constantemente a ser fustigada por incêndios de grandes dimensões. Numa edição do jornal “O Século” de 25 de setembro de 1916, Acácio de Paiva — poeta e jornalista leiriense que também contribuía para jornais como o “Diário de Notícias” e “O Mensageiro” — dizia que “os repetidos incêndios no pinhal de Leiria, a maior e melhor mata do Estado, constituindo uma verdadeira riqueza natural, tem chamado a atenção de toda a imprensa, que reclama, com os habitantes da região, providências urgentes dos poderes públicos”. E depois opinava: “Estes ouviram as reclamações, mas triste foi que se tivessem de formular, porque remediar vale muito menos do que prevenir“.
As perguntas que Acácio de Paiva assinava numa crónica da Ilustração Portuguesa eram muito semelhantes às que hoje ainda se formulam: “Serão [os planos para diminuir os incêndios] ao menos eficazes? Conseguir-se-á uma vigilância suficiente e permanente? Não se voltará, passada a impressão da catástrofe, à indiferença do costume? Será necessário fundar uma Sociedade dos Amigos do Pinhal de Leiria, como se fundou a dos Amigos do Jardim Zoológicos, a dos Amigos do Castelo de Leiria, a dos Amigos da Amadora, etc., e todas elas mais cuidadosas do que as repartições cujo fim é, precisamente, a defesa do património geral?”
A revolta de Acácio Paiva tinha raízes num incêndio que consumiu grande parte do Pinhal d’El Rei, mandado construir por D. Afonso III e aperfeiçoado por D. Dinis, no início de setembro daquele ano. O mesmo que este domingo foi ameaçado pelas chamas, obrigando a evacuar aldeias e vilas no distrito de Leiria.
A 4 de setembro de 1916, sensivelmente há 101 anos, a edição número 550 do suplemento “Ilustração Portuguesa”, que acompanhava o jornal “O Século”, enchia quatro páginas de jornal com um texto assinado por Floreano sobre o que havia acontecido dois dias antes no pinhal da Marinha Grande e de como a população lutou contra o fogo.
Pode lê-lo na íntegra aqui em baixo.
“O fogo extinguira-se dois dias antes. Que pena não ter passado por ali naquela ocasião! Devia ser um espetáculo assombroso! Parecia que o chão ainda escaldava debaixo dos pés e que no ar mal de dissipavam os últimos novelos de fumo e de cinzas.
Trepei ao alto de uma duna fixada e convertida pelo precioso trabalho dos pinheiros num monte sólido e fértil. Era simplesmente desolador! Estendia-se diante de mim, a perder de vista, um trato de muitos hectares de pinhal novo, com as suas ramas torrificadas, mas ainda aderentes pela sua resistência excecional. Ao de cima dessa extensa massa carbonizada erguiam-se tristonhos, aqui e além, os pinheiros velhos, de cuja semente haviam nascido os outros. Apesar de uma altura de 20 metros ou mais, as suas comas haviam sido alcançadas pelas labaredas! Mortas e bem mortas, aquelas gigantes sentinelas das dunas! Recordavam as heróicas sentinelas de Pompeia, surpreendidas e incineradas nos seus postos pela lava do Vesúvio, conservadas na mesma forma e na mesma atitude, através de séculos, ao abrigo das abóbadas sob que ficaram sepultadas. Desfizeram-se com a primeira lufada de ar fresco que lhes trouxeram as excavações dos arqueólogos. Também os primeiros sopros ásperos de outono hão de reduzir às linhas hirtas e falhadas do seu esqueleto tantos milhares de árvores, há poucas horas ainda tão verdes e orgulhosas do seu porte, se antes disso o machado do lenheiro não fizer desaparecer a obra infame do incendiário.
Que dor de alma ver tanta floresta destruída numa época tão angustiosamente falha de madeira e de lenha! Aquele crime enormíssimo nem parece ter sido cometido por portugueses contra sua própria terra, contra a sua própria vida e a da sua família; porque, devorado pelo fogo o Pinhal de Leiria, essa majestosa floresta de 25 quilómetros por 9, deixou de ter razão a existência de todos os povos que vivem à sua sombra saudável e hospitaleira.
E como essa dor se refletia nos olhos e nas palavras de um pobre velho, que ainda hoje é dos primeiros a acudir os fogos do Pinhal, que lhe doem, que o afligem como se da sua casinha em chamas! Não tinha memória de outro em semelhantes circunstâncias. Sempre foram 150 hectares, ou seja um milhão e quinhentos mil metros quadrados de pinhal, novo e velho, absolutamente perdidos. As chamas rebentaram em três pontos ao mesmo tempo. Tocadas pelo vento e alimentadas pelo mato miúdo e pela caruma seca que cobriam o solo, não tardaram a cruzar-se num grande mar de fogo. Uma coisa sublimemente horrível!
Buzinas, apitos, toques de sino, gritaria, alvoroçaram as povoações convizinhas, das quais a principal é a vila da Marinha Grande. Nas fábricas, nos campos, em casa não ficou ninguém. Todos munidos de enxadas, machados, pás, forquilhas, ancinhos, do primeiro instrumento que topavam à mão, abalaram desordenadamente para atacar o fogo; e centenas de mulheres também se puseram a caminho, com cântaros de água da cabeça para matar a sede aos homens, que devia ser insaciável no meio da faina debaixo daquela torreira.
Na fúria com que toda a gente se atirava ao fogo não havia visivelmente um plano de ataque, executando a uma voz imperiosa de comando; mas havia uma perícia e uma tática individuais que davam ao conjunto dos esforços uma admirável unidade de ação. Abrem-se aceiros, compridos e largos, machadando sem piedade belas árvores para atalhar a marcha galopante do fogo, que as devoraria, a elas e a muitas mais, sendo admirável como essa gente se estendia numa linha rigorosa de combate, sem se estorvar uma à outra.
Já se sentia o bafão estiolante do fogo, o crepitar do lenho verde abarcado pelas labaredas, o rugir surdo da fornalha rolante, em que esses valentes se podiam ver, de um momento para o outro e irremediavelmente, envolvidos; mas eles continuavam a manejar o machado, com o rosto afogueado, escorrendo em suor e arfando fortemente como os antigos ciclopes na forja abrasadora. Outros roçavam o mato e procuravam arredá-lo do caminho do fogo; estes deitavam pás de terra sobre a vegetação miúda para o abafar; aqueles abriam arrifes à enxada tentando atalhar-lhe a marcha de todas as formas possíveis. Daqui como se despegavam chamas para ir levar o incêndio muitos metros além, cercando por vezes os homens com tal surpresa que dificilmente saíam ilesos.
São tão rápidos estes saltos do fogo, tão caprichosas e vivas as voltas que ele dá, que nem aos bichos que vivem acoitados na floresta lhes vale o instinto e a agilidade para escaparem. Raposas, coelhos, lebres, cobras, ouriços, texugos, parecem todos tomados de loucura e, na sua fuga, esbarram nos homens, metem-se debaixo das enxadas e dos machados, caem carbonizados dos matagais ardentes! As próprias aves, como as rolas — as pobrezinhas! — nem se desenvecilham num voo alto por entre os pinheiros espessos a tempo de se salvar.
Também se lhes encontram os restos nas cinzas do imenso braseiro.
Mas a fase culminante da batalha é o contrafogo. Abre-se um aceiro largo. Lança-se lumo, bem entendido, do lado onde lavra o incêndio. Este novo fogo vai ao encontro do outro. Avançam ambos velozes, rosnam cóleras tremendas, chocam-se com estranho estampido e ambos expiram numa explosão medonha, indo as últimas línguas de fogo e rolos de fumo desfazer-se bem alto na atmosfera.
Segue-se então brusco um silêncio de morte. Se o mar encrespado, bramindo furioso, se estagnasse de súbito num lago dormente, não nos chocaria mais brutal impressão de contraste. Até o vento se acalmou. A forte exclamação de vitória, de alívio, saiu uníssona de tantas bocas, sucedeu o arfar surdo do cansaço e o sorvo ansioso de muitos cântaros de água, atirando-se toda essa gente, extenuadíssima, para o chão, onde não andara o lume, e contemplando com os olhos embaciados de água tão hediondo quadro de devastação.
E o que iria talvez a essa hora, de remorso no espírito dos bárbaros incendiários ao contemplarem, sabe Deus de onde, os horrorosos efeitos da sua obra nefasta? Daí…
Ou Nero mandasse deitar, ou não, fogo a Roma para deliciar a sua alma negra com os horrores de tão estranho espetáculo; o que é facto é que ele pôs-se, todo enlevado, a entoar ao som da lira um hino ao célebre incêndio de Tróia!”
quarta-feira, 11 de outubro de 2017
quinta-feira, 7 de setembro de 2017
Investigação arqueológica para os fornos da cal
A notícia em:
http://regiaodecister.pt/noticias/regiao-integra-projeto-de-investigacao-de-fornos-de-cal
Região integra projeto de investigação de fornos de cal
A União de Freguesias de Pataias e Martingança aderiu, recentemente, ao Forcal, um projeto de investigação arqueológica para o estudo dos fornos de cal.
O estudo tem como objetivo “inventariar e estudar os fornos de cal artesanais a nível nacional” e será desenvolvido por Fernando Silva, especialista em antropologia e arqueologia, e apoiado pela Direção-Geral do Património Cultural. Os fornos de cal são um dos ícones históricos daquela freguesia, tanto assim é que o brasão da vila de Pataias tem um forno de cal desenhado.
Entretanto, a União de Freguesias de Pataias e Martingança está a organizar uma visita guiada à Mina do Azeche e aos fornos de cal. O evento, agendado para o próximo dia 23 de setembro, integra a programação das Jornadas Europeias do Património, organizadas pela Direção-Geral do Património Cultural. As inscrições para as visitas são gratuitas, mas obrigatórias.
Este ano, as jornadas são dedicadas ao tema “Património e Natureza”, tendo programadas dezenas de eventos nos concelhos de Alcobaça e da Nazaré, como tem vindo a acontecer ao longo dos últimos anos.
http://regiaodecister.pt/noticias/regiao-integra-projeto-de-investigacao-de-fornos-de-cal
Região integra projeto de investigação de fornos de cal
A União de Freguesias de Pataias e Martingança aderiu, recentemente, ao Forcal, um projeto de investigação arqueológica para o estudo dos fornos de cal.
O estudo tem como objetivo “inventariar e estudar os fornos de cal artesanais a nível nacional” e será desenvolvido por Fernando Silva, especialista em antropologia e arqueologia, e apoiado pela Direção-Geral do Património Cultural. Os fornos de cal são um dos ícones históricos daquela freguesia, tanto assim é que o brasão da vila de Pataias tem um forno de cal desenhado.
Entretanto, a União de Freguesias de Pataias e Martingança está a organizar uma visita guiada à Mina do Azeche e aos fornos de cal. O evento, agendado para o próximo dia 23 de setembro, integra a programação das Jornadas Europeias do Património, organizadas pela Direção-Geral do Património Cultural. As inscrições para as visitas são gratuitas, mas obrigatórias.
Este ano, as jornadas são dedicadas ao tema “Património e Natureza”, tendo programadas dezenas de eventos nos concelhos de Alcobaça e da Nazaré, como tem vindo a acontecer ao longo dos últimos anos.
sábado, 26 de agosto de 2017
Os vencedores das autárquicas em Alcobaça
A notícia em:
http://regiaodecister.pt/noticias/psd-e-ps-alternam-poder-politico-em-alcobaca-e-nazare-desde-1976
PSD e PS alternam poder político em Alcobaça e Nazaré desde 1976
PSD e PS são os únicos partidos que já detiveram o poder autárquico nos concelhos de Alcobaça e Nazaré, alternando as maiorias naquelas duas Câmaras desde as primeiras eleições autárquicas, que tiveram lugar a 16 de dezembro de 1976. Os restantes partidos já conseguiram eleger representantes para o executivo em diversos atos eleitorais, mas nunca “ameaçaram” verdadeiramente as vitória dos dois maiores partidos na região. Será desta que o mapa eleitoral autárquico se transforma?
Em Alcobaça, os 12 anos consecutivos do social-democrata José Gonçalves Sapinho constituem o recorde de exercício do cargo de presidente de Câmara. E com votações sempre em crescendo: em 1997, recuperou a autarquia para o PSD com 13.442 votos (43,96%), subindo ligeiramente em 2001 para 13.704 votos (46,9%) e “disparando” em 2005 para os 16.185 votos (55,1%). O deputado da Assembleia Constituinte teve um papel historicamente importante ao nível do poder local, dado que foi candidato do PSD à Assembleia Municipal de Alcobaça em 1976 e seria um dos fundadores da Associação Nacional de Freguesias, entidade que, durante vários anos, teve a sua sede social na freguesia da Benedita.
Embora tenha vencido eleições autárquicas por três vezes em Alcobaça, o socialista Miguel Guerra cumpriu 11 anos à frente da Câmara como eleito, em duas passagens alternadas, tendo feito mais um ano como presidente da Comissão Administrativa, cargo para o qual foi nomeado. Foi, de resto, o único candidato do PS na história a vencer eleições em Alcobaça, embora nem sempre tenha conseguido convencer o eleitorado, já que deixou “fugir” a Câmara nas eleições de 1979 para o social-democrata João Raposo de Magalhães e em 1997 para José Gonçalves Sapinho.
Mas é o independente Jorge Barroso quem detém o recorde de longevidade em funções como presidente de Câmara, tendo liderado a Nazaré, como eleito do PSD durante 20 anos, a que se juntam mais oito anos como vereador eleito pelo PRD, entre 1985 e 1993. Há quatro anos, foi cabeça de lista do PSD à Assembleia Municipal, mas sofreu uma derrota pesada e acabou por renunciar ao mandato, já depois de o PSD lhe ter retirado a confiança política, no fim de um trajeto político que se iniciou nos “combates” com o socialista Luís Monterroso, o mais controverso autarca do poder local na região.
Na Nazaré, o PS é, aliás, a maior força política, tendo vencido as eleições autárquicas por seis vezes (1976, 1979, 1982, 1985, 1989 e 2013), enquanto o PSD foi poder ao longo de duas décadas (venceu em 1993, 1997, 2001, 2005 e 2009).
Em Alcobaça, o PSD é o partido com mais presença autárquica. Em 1979, o partido integrou a AD que venceu a Câmara ao PS e a manteve em 1982 e em 1985 obteve a vitória mais expressiva de sempre (64,9%) com Joaquim Rui Coelho. Seguiu-se um ciclo de oito anos com o PS de Miguel Guerra, até os social-democratas se instalarem em 1997 no palácio cor de rosa, de onde não voltaram a sair.
http://regiaodecister.pt/noticias/psd-e-ps-alternam-poder-politico-em-alcobaca-e-nazare-desde-1976
PSD e PS alternam poder político em Alcobaça e Nazaré desde 1976
PSD e PS são os únicos partidos que já detiveram o poder autárquico nos concelhos de Alcobaça e Nazaré, alternando as maiorias naquelas duas Câmaras desde as primeiras eleições autárquicas, que tiveram lugar a 16 de dezembro de 1976. Os restantes partidos já conseguiram eleger representantes para o executivo em diversos atos eleitorais, mas nunca “ameaçaram” verdadeiramente as vitória dos dois maiores partidos na região. Será desta que o mapa eleitoral autárquico se transforma?
Em Alcobaça, os 12 anos consecutivos do social-democrata José Gonçalves Sapinho constituem o recorde de exercício do cargo de presidente de Câmara. E com votações sempre em crescendo: em 1997, recuperou a autarquia para o PSD com 13.442 votos (43,96%), subindo ligeiramente em 2001 para 13.704 votos (46,9%) e “disparando” em 2005 para os 16.185 votos (55,1%). O deputado da Assembleia Constituinte teve um papel historicamente importante ao nível do poder local, dado que foi candidato do PSD à Assembleia Municipal de Alcobaça em 1976 e seria um dos fundadores da Associação Nacional de Freguesias, entidade que, durante vários anos, teve a sua sede social na freguesia da Benedita.
Embora tenha vencido eleições autárquicas por três vezes em Alcobaça, o socialista Miguel Guerra cumpriu 11 anos à frente da Câmara como eleito, em duas passagens alternadas, tendo feito mais um ano como presidente da Comissão Administrativa, cargo para o qual foi nomeado. Foi, de resto, o único candidato do PS na história a vencer eleições em Alcobaça, embora nem sempre tenha conseguido convencer o eleitorado, já que deixou “fugir” a Câmara nas eleições de 1979 para o social-democrata João Raposo de Magalhães e em 1997 para José Gonçalves Sapinho.
Mas é o independente Jorge Barroso quem detém o recorde de longevidade em funções como presidente de Câmara, tendo liderado a Nazaré, como eleito do PSD durante 20 anos, a que se juntam mais oito anos como vereador eleito pelo PRD, entre 1985 e 1993. Há quatro anos, foi cabeça de lista do PSD à Assembleia Municipal, mas sofreu uma derrota pesada e acabou por renunciar ao mandato, já depois de o PSD lhe ter retirado a confiança política, no fim de um trajeto político que se iniciou nos “combates” com o socialista Luís Monterroso, o mais controverso autarca do poder local na região.
Na Nazaré, o PS é, aliás, a maior força política, tendo vencido as eleições autárquicas por seis vezes (1976, 1979, 1982, 1985, 1989 e 2013), enquanto o PSD foi poder ao longo de duas décadas (venceu em 1993, 1997, 2001, 2005 e 2009).
Em Alcobaça, o PSD é o partido com mais presença autárquica. Em 1979, o partido integrou a AD que venceu a Câmara ao PS e a manteve em 1982 e em 1985 obteve a vitória mais expressiva de sempre (64,9%) com Joaquim Rui Coelho. Seguiu-se um ciclo de oito anos com o PS de Miguel Guerra, até os social-democratas se instalarem em 1997 no palácio cor de rosa, de onde não voltaram a sair.
domingo, 20 de agosto de 2017
Listas às autárquicas
A ontícia em:
http://regiaodecister.pt/noticias/nazare-com-menos-candidatos-e-alcobaca-mantem-listas
Nazaré com menos candidatos e Alcobaça mantém listas
O mapa eleitoral autárquico na região vai ser desenhado no próximo dia 1 de outubro, mas em relação às últimas eleições locais o cenário político alterou-se de forma substancial.
Se em 2013, a Nazaré quebrou um recorde histórico, ao apresentar oito listas concorrentes à Câmara para a sucessão a Jorge Barroso (PSD), este ano o número baixa para as cinco no concelho vizinho, muito por “culpa” da junção do PSD aos movimentos de independentes NazaréViva – liderado há quatro anos por Alberto Madaíl – e Grupo de Cidadãos Independentes do Concelho da Nazaré – cujo líder histórico António Trindade volta a ir a votos numa “coligação”, depois de em 2009 ter acompanhado o PS de Vítor Esgaio.
Em relação às últimas eleições autárquicas, há outra “junção” a ter em conta na Nazaré, com o CDS-PP e o MPT, a juntarem-se numa coligação com o PPM para candidatar Graciano Dias à Câmara, o que também ajuda a explicar a diminuição registada no número de candidaturas.
Assim, a 1 de outubro, o socialista Walter Chicharro, que em 2013 recuperou a Nazaré para o PS após 20 anos de governação de Jorge Barroso, vai enfrentar Alberto Madaíl (PSD), António Manuel Caria dos Santos (CDU), Telma Ferreira (BE) e Graciano Dias (CDS-PP/MPT/PPM).
Em Alcobaça, o total de listas mantém-se nas seis, mas registou-se uma “troca” no boletim de voto, com o PNR a abdicar de concorrer no concelho, entrando na corrida o PDR, que corporiza uma candidatura de um grupo de independentes, que pretende afrontar os partidos tradicionais no concelho.
Deste modo, o social-democrata Paulo Inácio, que avança pela última vez para a Câmara devido à lei de limitação dos mandatos, enfrenta nas urnas Cláudia Vicente (PS), Carlos Bonifácio (CDS-PP), Rogério Raimundo (CDU), António Delgado (BE) e Lúcia Duarte (PDR).
Há quatro anos, se o PSD perdeu a maioria absoluta no executivo municipal, o CDS-PP voltou a eleger um vereador, mais do que triplicando a votação: de 1.551 votos em 2009 passou para 4.469 votos em 2013. Quanto à CDU, recuou para os 3.176 votos com Vanda Furtado Marques, a votação mais baixa da coligação desde 1993, com menos de metade da votação histórica que Rogério Raimundo registou em 2001, com 6.485 votos, o equivalente a 22,2% da preferência do eleitorado. O PS baixou a votação, mas manteve o número de eleitos na Câmara, enquanto o BE ficou muito longe de eleger um vereador, objetivo a que se propõe, desta feita, com António Delgado.
http://regiaodecister.pt/noticias/nazare-com-menos-candidatos-e-alcobaca-mantem-listas
Nazaré com menos candidatos e Alcobaça mantém listas
O mapa eleitoral autárquico na região vai ser desenhado no próximo dia 1 de outubro, mas em relação às últimas eleições locais o cenário político alterou-se de forma substancial.
Se em 2013, a Nazaré quebrou um recorde histórico, ao apresentar oito listas concorrentes à Câmara para a sucessão a Jorge Barroso (PSD), este ano o número baixa para as cinco no concelho vizinho, muito por “culpa” da junção do PSD aos movimentos de independentes NazaréViva – liderado há quatro anos por Alberto Madaíl – e Grupo de Cidadãos Independentes do Concelho da Nazaré – cujo líder histórico António Trindade volta a ir a votos numa “coligação”, depois de em 2009 ter acompanhado o PS de Vítor Esgaio.
Em relação às últimas eleições autárquicas, há outra “junção” a ter em conta na Nazaré, com o CDS-PP e o MPT, a juntarem-se numa coligação com o PPM para candidatar Graciano Dias à Câmara, o que também ajuda a explicar a diminuição registada no número de candidaturas.
Assim, a 1 de outubro, o socialista Walter Chicharro, que em 2013 recuperou a Nazaré para o PS após 20 anos de governação de Jorge Barroso, vai enfrentar Alberto Madaíl (PSD), António Manuel Caria dos Santos (CDU), Telma Ferreira (BE) e Graciano Dias (CDS-PP/MPT/PPM).
Em Alcobaça, o total de listas mantém-se nas seis, mas registou-se uma “troca” no boletim de voto, com o PNR a abdicar de concorrer no concelho, entrando na corrida o PDR, que corporiza uma candidatura de um grupo de independentes, que pretende afrontar os partidos tradicionais no concelho.
Deste modo, o social-democrata Paulo Inácio, que avança pela última vez para a Câmara devido à lei de limitação dos mandatos, enfrenta nas urnas Cláudia Vicente (PS), Carlos Bonifácio (CDS-PP), Rogério Raimundo (CDU), António Delgado (BE) e Lúcia Duarte (PDR).
Há quatro anos, se o PSD perdeu a maioria absoluta no executivo municipal, o CDS-PP voltou a eleger um vereador, mais do que triplicando a votação: de 1.551 votos em 2009 passou para 4.469 votos em 2013. Quanto à CDU, recuou para os 3.176 votos com Vanda Furtado Marques, a votação mais baixa da coligação desde 1993, com menos de metade da votação histórica que Rogério Raimundo registou em 2001, com 6.485 votos, o equivalente a 22,2% da preferência do eleitorado. O PS baixou a votação, mas manteve o número de eleitos na Câmara, enquanto o BE ficou muito longe de eleger um vereador, objetivo a que se propõe, desta feita, com António Delgado.
quarta-feira, 9 de agosto de 2017
terça-feira, 8 de agosto de 2017
quinta-feira, 27 de julho de 2017
Escola das Paredes caiu
O edifício devoluto da antiga escola primária de Paredes da Vitória caiu hoje entre as 11h e as 12h da manhã. Não houve qualquer "intervenção" ou "força exterior", tendo o edifício desmoronado por si só e relacionado com o elavado grau de degração do mesmo. O telhado aluiu para o interior do edifício e no arrastamento da queda, acabou por fazer cair a fachada poente do edifício, os bonitos três arcos em tijolo de burro.
quarta-feira, 31 de maio de 2017
Círio dos pexins à Senhora da Vitória
A notícia em:
https://jornaldascaldas.com/Romaria_equestre
Romaria equestre
Uma romaria de 25 quilómetros (ida e volta), a cavalo, celebrou o Círio da Senhora da Vitória, na passada quinta-feira. É uma festa religiosa que une os concelhos da Nazaré e Alcobaça.
Esta é uma celebração que remonta ao século XVI. Uma violenta tempestade de areia e o assoreamento destruiu a povoação da praia de Paredes da Vitória, na atual freguesia de Pataias, em Alcobaça, o que obrigou a população a migrar para a Pederneira, na Nazaré, levando o culto de Nossa Senhora da Vitória, tida como protetora dos navegantes.
Em Paredes ficou apenas uma pequena ermida, onde teria existido uma igreja. Desta forma foi prestado tributo ao Círio da Senhora da Vitória, uma romaria que teve início no Sítio da Nazaré, onde os romeiros e os seus cavalos deram as tradicionais três voltas ao Santuário e assistiram ao “Canto das Loas”, recitadas por anjos, três crianças de túnica branca e capa azul e capacete romano.
O Círio prosseguiu, depois viagem, com os juízes (transmissores desta tradição), banda filarmónica, acompanhantes a cavalo e restantes devotos, a pé e de carro.
O fogueteiro à cabeça e os anjos anunciavam a passagem do círio, numa deslocação ao longo da costa, em direção à Ermida de Nossa Senhora da Vitória.
Na capela realizaram-se as celebrações religiosas. Depois do almoço e do convívio, os romeiros regressaram ao Sítio da Nazaré ao entardecer, onde se repetiram as três voltas ao Santuário e se deu a "passagem da bandeira" aos juízes do próximo ano, momento alto da romaria que assegura a continuidade do círio.
O colorido dos trajes, a imponência dos cavalos e os piqueniques tornam o Círio de Nossa Senhora da Vitória numa das mais características manifestações da cultura popular nazarena, atraindo centenas de pessoas.
O número de acompanhantes a cavalo tem vindo a aumentar e segundo a Direção-Geral do Património Cultural, que tem esta festa referenciada, mais do que o pedido de proteção divina à comunidade piscatória, hoje, o evento é um ato de comunhão e convívio das gentes da Nazaré.
https://jornaldascaldas.com/Romaria_equestre
Romaria equestre
Uma romaria de 25 quilómetros (ida e volta), a cavalo, celebrou o Círio da Senhora da Vitória, na passada quinta-feira. É uma festa religiosa que une os concelhos da Nazaré e Alcobaça.
Esta é uma celebração que remonta ao século XVI. Uma violenta tempestade de areia e o assoreamento destruiu a povoação da praia de Paredes da Vitória, na atual freguesia de Pataias, em Alcobaça, o que obrigou a população a migrar para a Pederneira, na Nazaré, levando o culto de Nossa Senhora da Vitória, tida como protetora dos navegantes.
Em Paredes ficou apenas uma pequena ermida, onde teria existido uma igreja. Desta forma foi prestado tributo ao Círio da Senhora da Vitória, uma romaria que teve início no Sítio da Nazaré, onde os romeiros e os seus cavalos deram as tradicionais três voltas ao Santuário e assistiram ao “Canto das Loas”, recitadas por anjos, três crianças de túnica branca e capa azul e capacete romano.
O Círio prosseguiu, depois viagem, com os juízes (transmissores desta tradição), banda filarmónica, acompanhantes a cavalo e restantes devotos, a pé e de carro.
O fogueteiro à cabeça e os anjos anunciavam a passagem do círio, numa deslocação ao longo da costa, em direção à Ermida de Nossa Senhora da Vitória.
Na capela realizaram-se as celebrações religiosas. Depois do almoço e do convívio, os romeiros regressaram ao Sítio da Nazaré ao entardecer, onde se repetiram as três voltas ao Santuário e se deu a "passagem da bandeira" aos juízes do próximo ano, momento alto da romaria que assegura a continuidade do círio.
O colorido dos trajes, a imponência dos cavalos e os piqueniques tornam o Círio de Nossa Senhora da Vitória numa das mais características manifestações da cultura popular nazarena, atraindo centenas de pessoas.
O número de acompanhantes a cavalo tem vindo a aumentar e segundo a Direção-Geral do Património Cultural, que tem esta festa referenciada, mais do que o pedido de proteção divina à comunidade piscatória, hoje, o evento é um ato de comunhão e convívio das gentes da Nazaré.
quarta-feira, 5 de abril de 2017
Apeadeiro de Pataias - foi há 84 anos a sua inauguração
O apeadeiro de Pataias faz hoje 84 anos que foi oficialmente inaugurado.
A notícia encontra-se na Gazeta dos Caminhos de Ferro, nº1090 de 16 de maio de 1933, encontrando-se disponível na hemeroteca digital: http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/.
Agradeço ao Tigao Inácio o envio da notícia e da revista.
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
Livro sobre figura da Martingança
A notícia em:
http://www.diarioleiria.pt/noticia/14690
Empresário da Martingança é tema e ‘herói’ de livro
A história de vida de um empresário de Martingança, no concelho de Alcobaça, foi transcrita em palavras e colocada em papel. ‘O mundo mágico do Oliveira’ é o título da obra literária escrita por Ana Maria Oliveira, filha do empresário em causa, que decidiu aventurar-se na escrita para homenagear o pai. Ao longo da obra, Ana Maria Oliveira conta a história do seu pai e das empresas que lhe pertenciam e o fim trágico a que a ganância de terceiros conduziu o empresário. A Fábrica Metropolitana de Soldas, mais conhecida por Soldas Olida, era uma das empresas ao encargo de António Branco de Oliveira, que Ana Maria Oliveira retractou como “um empresário muito especial”. Segundo a autora, António Branco de Oliveira “punha o bem-estar dos seus funcionários acima dos seus interesses financeiros”. Ana Maria Oliveira acrescentou ainda que o seu pai “pagava aos seus funcionários ordenados como se a sua fábrica fosse rentável como uma multinacional, o que não era, e dava regalias aos seus funcionários como nenhuma outra empresa no País dava”.
http://www.diarioleiria.pt/noticia/14690
Empresário da Martingança é tema e ‘herói’ de livro
A história de vida de um empresário de Martingança, no concelho de Alcobaça, foi transcrita em palavras e colocada em papel. ‘O mundo mágico do Oliveira’ é o título da obra literária escrita por Ana Maria Oliveira, filha do empresário em causa, que decidiu aventurar-se na escrita para homenagear o pai. Ao longo da obra, Ana Maria Oliveira conta a história do seu pai e das empresas que lhe pertenciam e o fim trágico a que a ganância de terceiros conduziu o empresário. A Fábrica Metropolitana de Soldas, mais conhecida por Soldas Olida, era uma das empresas ao encargo de António Branco de Oliveira, que Ana Maria Oliveira retractou como “um empresário muito especial”. Segundo a autora, António Branco de Oliveira “punha o bem-estar dos seus funcionários acima dos seus interesses financeiros”. Ana Maria Oliveira acrescentou ainda que o seu pai “pagava aos seus funcionários ordenados como se a sua fábrica fosse rentável como uma multinacional, o que não era, e dava regalias aos seus funcionários como nenhuma outra empresa no País dava”.
domingo, 31 de janeiro de 2016
A Serra Rasa de Pataias
A Serra Rasa de Pataias
O termo de “serra rasa” ocorre na geologia referindo-se a uma serra que foi, em tempos, de altura considerável, mas que a erosão reduziu até ao ponto de se achar a reduzidas altitudes.
Muitas destas “serras rasas” encontram-se associadas a anticlinais. O termo da “serra rasa” de Pataias foi referido pela primeira vez por Paul Choffat na sua obra “Passeio Geológico de Lisboa a Leiria”. Choffat refere-se à “serra rasa” à cumeada já gasta pela erosão, entre Pataias e Leiria.
Um anticlinal, refere-se a uma dobra convexa na direção dos estratos mais recentes, ou seja, dobras nos estratos geológicos cujos flancos mergulham em sentidos opostos.
O anticlinal em Pataias está associado ao vale Tifónico das Caldas da Rainha que se estende entre Pataias, Valado de Frades, Famalicão, Alfeizerão e S. Martinho do Porto. Este anticlinal tem a sua origem em camadas depositadas num fosso alongado denominado Bacia Lusitânica (uma área de 275km x 150km ao longo do litoral centro do país), associada à abertura do Atlântico e posteriormente remobilizada por atividade tectónica compressiva.
Por outras palavras, os estratos estão inclinados e a subir do lado do oceano para o interior, como é visível, aliás, no promontório do Sítio da Nazaré. A linha de cumeada (limite da fratura e do vale diapírico), prolonga-se no sentido SW-NE, dando origem à instalação de alguns vértices geodésicos, como o da Aguieira (Nazaré) e Poços (Outeiro dos Seixos) e visível em Pataias, por exemplo, no adro da igreja, através da vista sobre a depressão até aos Montes e Serra dos Candeeiros.
É esta linha de cumeada a parte mais elevada da denominada “Serra Rasa de Pataias”.
O termo de “serra rasa” ocorre na geologia referindo-se a uma serra que foi, em tempos, de altura considerável, mas que a erosão reduziu até ao ponto de se achar a reduzidas altitudes.
Muitas destas “serras rasas” encontram-se associadas a anticlinais. O termo da “serra rasa” de Pataias foi referido pela primeira vez por Paul Choffat na sua obra “Passeio Geológico de Lisboa a Leiria”. Choffat refere-se à “serra rasa” à cumeada já gasta pela erosão, entre Pataias e Leiria.
Um anticlinal, refere-se a uma dobra convexa na direção dos estratos mais recentes, ou seja, dobras nos estratos geológicos cujos flancos mergulham em sentidos opostos.
O anticlinal em Pataias está associado ao vale Tifónico das Caldas da Rainha que se estende entre Pataias, Valado de Frades, Famalicão, Alfeizerão e S. Martinho do Porto. Este anticlinal tem a sua origem em camadas depositadas num fosso alongado denominado Bacia Lusitânica (uma área de 275km x 150km ao longo do litoral centro do país), associada à abertura do Atlântico e posteriormente remobilizada por atividade tectónica compressiva.
Por outras palavras, os estratos estão inclinados e a subir do lado do oceano para o interior, como é visível, aliás, no promontório do Sítio da Nazaré. A linha de cumeada (limite da fratura e do vale diapírico), prolonga-se no sentido SW-NE, dando origem à instalação de alguns vértices geodésicos, como o da Aguieira (Nazaré) e Poços (Outeiro dos Seixos) e visível em Pataias, por exemplo, no adro da igreja, através da vista sobre a depressão até aos Montes e Serra dos Candeeiros.
É esta linha de cumeada a parte mais elevada da denominada “Serra Rasa de Pataias”.
Fig. 1 - Representação esquemática do Anticlinal e do Sinclinal
Fig. 2 - Representação esquemática da geomorfologia da região
Fig. 3 - Estrutura geológica da região
Fig. 4 - Representação esquemática das estruturas geológicas e geomorfológicas da região
Fig. 5 - Localização esquemática de lugares ao longo dos acidentes geomorfológicos da região
Fig. 6 - Promontório do Sítio da Nazaré. Repare-se na inclinação dos estratos geológicos
Fig. 7 - Bacia Lusitânica
Fig. 8 - A Serra Rasa de Pataias
Fig. 9 - A Serra Rasa de Pataias, com representação do anticlinal
Fig. 10 - As formas de relevo na região
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
Inauguração do museu Manel 70
A notícia na edição 1156 do Região de Cister de 15 de outubro de 2015
Martingança - Nas instalações da antiga taverna do José Vitorino
Novo Museu Manuel 70 abre no sábado
O Museu Manuel 70 vai ser inaugurado no próximo domingo, nas instalações da antiga taverna do José Vitorino, na Martingança-gare. Com o objetivo de tornar a data memorável, vai ter lugar um passeio pedestre “Na rota do novo museu”, cujo percurso leva os participantes num passeio que terá uma paragem no Museu Manuel 70, às 10:30 horas, onde será servido o pequeno almoço.
A concentração tem lugar às 9:30 horas, junto ao Grupo Desportivo da Martingança (GMD), seguindo-se a partida meia hora mais tarde. Haverá almoço convívio às 13 horas.
Os interessados em participar na caminhada deverão inscrever-se até ao dia 15, na União de Freguesias ou no GDM. O preço de participação é de seis euros (participantes com mais de 13 anos, com almoço) e quatro euros (crianças com menos de 12 anos, com almoço).
A inauguração do novo Museu Manuel 70 é integrado no programa das Tasquinhas da Martingança, que decorrem entre amanhã e domingo, com a presença do Grupo Desportivo da Martingança, da Associação de Bem-Estar e Tempos Livres da Martingança e da comissão da Igreja.
Martingança - Nas instalações da antiga taverna do José Vitorino
Novo Museu Manuel 70 abre no sábado
O Museu Manuel 70 vai ser inaugurado no próximo domingo, nas instalações da antiga taverna do José Vitorino, na Martingança-gare. Com o objetivo de tornar a data memorável, vai ter lugar um passeio pedestre “Na rota do novo museu”, cujo percurso leva os participantes num passeio que terá uma paragem no Museu Manuel 70, às 10:30 horas, onde será servido o pequeno almoço.
A concentração tem lugar às 9:30 horas, junto ao Grupo Desportivo da Martingança (GMD), seguindo-se a partida meia hora mais tarde. Haverá almoço convívio às 13 horas.
Os interessados em participar na caminhada deverão inscrever-se até ao dia 15, na União de Freguesias ou no GDM. O preço de participação é de seis euros (participantes com mais de 13 anos, com almoço) e quatro euros (crianças com menos de 12 anos, com almoço).
A inauguração do novo Museu Manuel 70 é integrado no programa das Tasquinhas da Martingança, que decorrem entre amanhã e domingo, com a presença do Grupo Desportivo da Martingança, da Associação de Bem-Estar e Tempos Livres da Martingança e da comissão da Igreja.
sexta-feira, 9 de outubro de 2015
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
Vale de Água de Madeiros - 1936
Vale de Água de Madeiros, cerca de 1936
Legenda original:
«Vale de Água de Madeiros, onde não cobre ribeiro algum, pois que êste nasce na parte inferior do vale, já no fundo da fotografia»
Fonte:
Memórias e Notícias nº9 - Publicações do Museu Mineralógico e Geológico da Universidade de Coimbra. Possível autor da fotografia: J. Custódio de Moraes
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