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quinta-feira, 25 de maio de 2017

Pinhalinho do Camarção: primeiro era o golfe, agora um hipódromo

A notícia em:
http://www.regiaodecister.pt/noticias/respol-tem-investimento-de-50-milhoes-para-pataias



Respol tem investimento de 50 milhões para Pataias

A Respol Resinas S.A. está a estudar um investimento milionário para a Herdade do Camarção, situada na União de Freguesias de Pataias e Martingança. Depois de ter sido inviabilizado o projeto do golfe, a empresa sediada em Leiria adquiriu a herdade e tem 50 milhões de euros disponíveis para avançar com a construção de um complexo turístico com hipódromo, hotel de luxo e moradias.
O projeto “está numa fase avançada”, garante Daniel Marques, project manager da resineira, ainda que neste momento a empresa “tenha cautela” na relação com as “entidades competentes”. “Como somos um grupo empresarial ligado à floresta, queremos que o projeto seja sustentável e estamos a estudar a viabilidade no que toca a questões legais e ambientais”, esclareceu o responsável ao REGIÃO DE CISTER.
A faltar apenas as “questões burocráticas”, o projeto da Herdade do Camarção já está praticamente concluído no que toca à “filosofia” do empreendimento. De acordo com os documentos de apresentação do projeto, a Herdade do Camarção, uma propriedade com cerca de 600 hectares, contempla a construção de uma “pista de trote e de galope” e de uma “tribuna com 3 mil lugares sentados”, bem como “zonas de apostas, sala de juízes, restaurantes e bares”. Além disso, o projeto conta com um hotel de luxo com 270 quartos, “incluindo suítes: masters, premium e deluxes, centro de negócios, centro de entretenimento e de fitness e de espaço comercial”. Os 100 hectares que serão urbanizados na Herdade do Camarção contam, ainda, com a construção de 42 moradias unifamiliares.
Uma das maiores oportunidades criadas pelo investimento da Respol prende-se com o “grande potencial empregador para os jovens da região”, aproveitando a existência de instituições como a “Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar do Instituto Politécnico de Leiria e a Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Cister”. Além disso, o empreendimento turístico de luxo vai beneficiar de uma “procura cada vez maior no desporto equestre” e de a Herdade do Camarção se localizar “numa das mais dinâmicas e desenvolvidas regiões do País”. Em contrapartida, o projeto apresenta apenas dois riscos: a falta de tradição em apostas hípicas em Portugal e a “situação económica do País”.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

O Pinhalinho

O Tiago Inácio continua a fazer um magnífico trabalho de investigação.
Desta feita, a continuação dos trabalhos sobre o Pinhalinho e os terrenos que deram origem à Pedra do Ouro.
Os trabalhos anteriores aqui: 
http://sapinhogelasio.blogspot.pt/2010/11/o-pinhalinho.html
http://sapinhogelasio.blogspot.pt/2010/11/o-pinhalinho-e-cova-do-forno.html

Empreza Pinhais do Camarção, Lda 
Rectificação do que já foi escrito sobre o Pinhalinho

A vasta propriedade hoje conhecida como pinhalinho, e onde está planeado o campo de golf, já foi noutros tempos, terrenos incultos e de vários proprietários. De forma a rectificar o que já foi escrito sobre o Pinhalinho, segue uma pequena investigação sobre a Empreza Pinhais do Camarção, Limitada.
A 11 de Setembro de 1919, é fundada a Sociedade por cotas com o nome social de Empreza Pinhais do Camarção, Limitada, com o capital social de trinta e um mil escudos, constituído apenas por terrenos. “O seu objectivo é a aquisição, arrebatamento e sementeiras dos vastos terrenos incultos, de propriedade particular, confrontado entre o Pinhal Nacional de Leiria e as alvas de Pataias” (1) . A Sociedade ficava com sede em São Pedro de Moel e inicialmente era composta por:
Domingos Figueiredo Pereira, casado, residente em S. Pedro de Moel;
Arthur Vilella Matos da Silva, casado, residente em S. Pedro de Moel. ntónio da Silva, casado, residente em Água de Madeiros;
José Monteiro Júnior, casado, residente em Água de Madeiros;
José Ribeiro Coutinho, casado, residente em Pataias;
Carlos Correia Mendes, casado, engenheiro em Lisboa;
Manuel José de Carvalho, viúvo, residente em Lisboa;
Dr. Aníbal Bettencourt, viúvo, residente em Lisboa;
Paulino Franco, casado, residente na Marinha Grande;
Dr. Francisco Ribeiro Coutinho, casado, residente na Nazaré;
Lúcia da Silva Pereira, residente em Pataias;
João de Magalhães, industrial, residente na Marinha Grande
Joaquim Piriquito, comerciante, residente na Nazaré;
Afonso Lopes Vieira, casado, residente em Lisboa;
José de Sousa, casado, comerciante, residente na Marinha Grande;
Dr. Afonso Xavier Lopes Vieira, casado, advogado, residente em Lisboa.

A 15 de Março de 1925, a escritura é alterada para admissão de novos sócios e reforço do capital social. Sabe-se ainda que em 1938, existe a cessão de cotas de um dos sócios.
Em assembleia de 22 de Fevereiro de 1942, decide-se vender todos os terrenos a Narciso Dias da Silva, “…também conhecido como Narciso Dias Hernandez …” (2) , casado, comerciante e industrial, morador em Sacavém. A escritura ocorre a 1 de Abril de 1942, no cartório Notarial da Marinha Grande. A escritura refere ainda os sete prédios (terrenos / propriedades), que a sociedade possuía e que vendeu a Narciso Dias:
1. “Terreno de Pinhal, no sitio da Pintelheira – cova da raposa e cabeço do branco – ao Camarção que confronta de norte com a Mata Nacional e Alva de Água de Madeiros, do sul com a alva da Vitória, Joaquim Coelho e outros, nascente com a mata Nacional, Joaquim Morins, José Pereira do Porto, Joaquim Coelho, António Costa e muitos outros, e poente Alva de Água de Madeiros, oceano atlântico e José Coutinho;
2. Um talho de Pinhal no sitio do cabeço do branco – Camarção da Pintelheira, que confronta a norte e nascente com Joaquim Duarte França, e do sul e poente com os herdeiros de Francisco Salgueiro;
3. Um talho de Pinhal, no mesmo sítio, a confrontar do norte com Joaquim Duarte Franco, do sul com os herdeiros de Joaquim de Sousa Vinagre e do Poente com António Morins;
4. Um talho de pinhal no mesmo sitio que confronta do norte com António Feliciano, do sul com Agostinho Raimundo, do nascente com José Vieira Júnior e poente com os herdeiros de Manuel de Sousa;
5. Talho de Pinhal no mesmo sítio a confrontar a norte e poente com António Costa e outros de sul Joaquim Maria Sobrinho e nascente com Joaquim Mariano;
6. Um talho de pinhal, no mesmo sitio que confronta a norte com herdeiros de José de Sousa Pedro do sul com Feliciano Soares e outros, de nascente com António Ascenso, José Ascenso e outros e de poente com os herdeiros de Feliciano Cardeira;
7. Um talho de pinhal no mesmo sitio, a confrontar a norte e poente com José Vieira Júnior e outros, do sul com Joaquim Caixeiro e outros e nascente com José Boja(?)

Que estes prédios fazem parte do património da referida sociedade por esta os ter adquirido por compra aos seguintes indivíduos:
1. António Ascenso e mulher da Burinhosa, Feliciano Henrique Cardeira e mulher de Pataias, José Monteiro Ferreira e mulher da Burinhosa e tantos outros;
2. António Pereira da Burinhosa;
3. Agostinho Raimundo da Burinhosa;
4. José Pereira Bernardo de Pataias;
5. António dos Santos Galego de Pataias;
6. José Vieira Júnior de Pataias;
7. Joaquim de Sousa Pesqueira de Pataias.” (3)

A dissolução da sociedade Empreza Pinhais do Camarção, Limitada apenas ocorreu a 27 de Maio de 1942, no cartório Notarial da Marinha Grande.

(1) Livro de notas para acto e contractos entre vivos nº 100 – Cartório Notarial de Alcobaça. Arquivo Distrital de Leiria
(2) Livro de notas para acto e contractos entre vivos nº 59 – Cartório Notarial da Marinha Grande. Arquivo Distrital de Leiria
(3) Livro de notas para acto e contractos entre vivos nº 59 – Cartório Notarial da Marinha Grande. Arquivo Distrital de Leiria

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O Pinhalinho e a Cova do Forno

O magnífico Tiago Inácio enviou por e-mail:

Olá Paulo, num comentário houve alguém que falou na cova do forno e resolvi fazer mais uma pequena investigação. Segue em anexo a investigação e algumas fotos.

Cova do Forno

A cova do forno é um local pertencente á actual propriedade da família Magalhães.
Quando nos anos 40 Narciso Dias da Silva comprou a propriedade, procedeu ao fabrico artesanal de carvão. Construiu uma pequena casa na sua propriedade onde o responsável pelo fabrico do carvão vivia. A casa tinha 2 quartos, uma cozinha e um alpendre de entrada, no exterior tinha um poço, um tanque de lavar roupa e uma eira. A casa situa-se no limite superior da propriedade, localizada no terreno ideal para o fabrico artesanal de carvão. O fabrico procedia-se da seguinte forma: abria-se uma vala, colocava-se caruma no fundo, depois madeira, incendiava-se depois a caruma e tapava-se com areia com alguns furos para o fumo poder sair. Passado algumas horas o carvão estava feito. Depois da propriedade ser vendida á família Cardeira e os responsáveis pelo fabrico terem falecido, nunca mais de fabricou carvão. Alguns anos depois foram construídos alguns anexos (incluindo um furo de água) e aquele local passou a ser um viveiro de pinheiros, na qual estes iam sendo plantados á medida que iam sendo cortados os talhões.
O local actualmente encontra-se ao abandono, o dito poço desabou e o furo ainda lá se encontra.
  




 

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O Pinhalinho

Recebido via e-mail do Tiago Inácio, adepto entusiasta do Geo-caching e curioso pela história local.

O Pinhalinho

Pinhalinho é uma zona onde ser insere uma vasta propriedade particular.
Nos anos 20 do século passado, uma companhia composta por 9 pessoas sediada na marinha Grande começou a comprar vários terrenos neste local, a maioria dos terrenos eram de agricultura e os seus proprietários eram maioritariamente da localidade da Burinhosa. A propriedade foi toda semeada com pinheiro, dividida em 40 talhões (cada talhão tinha 400m por 800m) e estendia-se desde o facho até pedra do ouro e Água de Madeiros. No final dos anos 30, a vasta propriedade foi comprada por Narciso Dias da Silva.
Narciso Dias da Silva era espanhol e possuía uma vasta fortuna, refugiou-se em Portugal durante a Guerra civil espanhola, onde comprou a propriedade pertencente à companhia e construiu uma grande casa onde habitou até a propriedade ser novamente vendida. O responsável pela propriedade era o seu genro Carlos que vivia em Água de Madeiros.
Narciso Dias procedeu ao fabrico de carvão artesanal na sua propriedade e construiu também uma pequena casa onde o responsável pelo fabrico do carvão vivia (um pouco mais acima da casa de Narciso Dias).
No Final dos anos 40, foi obrigado a pagar uma coima ao estado Português e Espanhol por tráfico de bens alimentares para a Alemanha. Assim teve de cortar parte dos pinheiros da sua propriedade. Acabou por vendar a sua propriedade à Família Cardeira da Moita e foi viver para Lisboa. A propriedade manteve-se com a família Cardeira até aos finais dos anos 80 e ai foi vendida à família Raposo Magalhães.
Actualmente a propriedade tem sido vendida aos poucos, para construção de habitações na Pedra do Ouro. A casa construída por Narciso encontra-se praticamente em ruínas.
Perto da casa encontram-se ruínas de mais uma casa do guarda.

Post Scriptum 

Tomo a liberdade de acrescentar alguma informação ao texto do Tiago.

António Batista Cardeira, da Moita, e conhecido por “Sarradela”, foi quem comprou o “Pinhal do Espanhol”, onde hoje está a urbanização da Pedra do Ouro.
Em 1949, António Batista Cardeira, foi um dos peritos encarregues pela avaliação da parte da Alva de Pataias que a Cibra pretendia então adquirir. Da sua avaliação, em conjunto com Emílio Duarte e Carlos Vinagre (Carlos “Pai do Céu”) resultou um valor de 3 milhões de escudos (quinze mil euros), que a Câmara Municipal de Alcobaça deveria pedir à CIBRA.
A Urbanização da Pedra do Ouro, no Pinhal do Espanhol
O projecto de golfe para a Pedra do Ouro, no Pinhalinho