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quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Sismo com epicentro nos Pisões



Sismo ocorrido ontem dia 28 pelas 5h47, com magnitude de 2,3 na escala de Ritcher.
O Epicentro foi nos Pisões, aproximadamente na Rua do Casal de Baixo, a 4 km de profundidade.

De acordo com a Escala de Ritcher, os sismos com magnitude compreendida entre 2 e 4 têm o impacto semelhante ao da passagem de um veículo grande e pesado. Ou seja, na prática, este foi um sismo apenas captado pelos sismógrafos.

Os Pisões estão localizados no extremo norte do diapiro das Caldas da Rainha (vale tifónico) onde se encontram algumas falhas geológicas de grande profundidade que permitem a ocorrência de fontes termais (Monte Real, Piedade, Caldas da Rainha e Vimeiro) ou a intrusão de rochas basálticas de que o Monte de S. Brás será o mais evidente.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Festival Acaso vem até aos Pisões

A notícia em: 
https://www.dn.pt/lusa/interior/festival-acaso-de-regresso-para-um-mes-de-teatro-musica-e-contos-na-regiao-centro-8798683.html

Festival Acaso de regresso para um mês de teatro, música e contos na região Centro

O festival Acaso está de volta à cidade e região de Leiria entre quinta-feira e o dia 31 de outubro, com duas dezenas de espetáculos de teatro, música, performances e contos, numa edição marcada pela mudança.

"Há muitos nomes novos", explicou à agência Lusa o responsável pela programação do festival, Pedro Oliveira, fundador de "O Nariz" - Teatro de Grupo, que há 22 anos dá vida ao Acaso.

Este ano "deu-se uma volta à programação em relação à última fase do festival. São já 22 anos, já houve muitas mudanças", nota o também ator e encenador.

Pelo Acaso passaram já, desde o início, mais de 200 estruturas do teatro e formações musicais. Mas em 2017 a opção foi encontrar "outros grupos e outras pessoas, para virem a Leiria mostrar os seus trabalhos".

Pedro Oliveira diz que o objetivo do festival é manter o efeito surpresa.

"Ao fim de alguns anos, o trabalho dos grupos começa a cristalizar e é muito difícil a chamada novidade existir. Com esta renovação, conseguimos trazer a novidade. Tentamos trazer sempre que possível grupos e pessoas que de outra forma não passariam aqui e, até, outros tipos de teatro".

Este ano, a programação chega a Leiria, Marinha Grande, Batalha, Pedrógão Grande, Pataias e Fátima, e integra o Teatro da Terra, Tenda Produções, Escola de Mulheres ou Lama. E na música há muitas estreias, como os discos de Surma e mARCIANO ou a primeira apresentação ao vivo de Knok Knok.

O festival começa na quinta-feira em Leiria, com o lançamento de um livro de textos de teatro de Luís Mourão e Constantino Mendes Alves.

A performance "Lullaby", de Rui Paixão, é apresentada no Auditório Municipal da Batalha na sexta-feira e, no sábado, o Teatro da Terra leva "O cravo espanhol" ao Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria.

"Exposição Temporária de Isqueiros Roubados" é uma intervenção performática agendada para 04 de outubro, no Espaço O Nariz, em Leiria, que é palco, no dia 06 de outubro, do lançamento do disco "14.000 dias entre Terra e Marte", de mARCIANO.

Jorge Serafim conta contos e apresenta o livro "O afinador de memórias" no Centro Comercial Fatimae, em Fátima, Ourém, dia 07 de outubro, e na sede do TASE, em Santa Eufémia, Leiria, dia 08. Também a 08 de outubro, o Tenda Produções leva "Cinderella" ao Auditório Municipal da Batalha.

"Cândida ou o pessimismo", da Escola de Mulheres, com Cucha Carvalheiro, é a proposta do festival para Leiria, no dia 12 de outubro, no Teatro Miguel Franco.

No Teatro Stephens, na Marinha Grande, o Lama interpreta "Leôncio & Lena" a 13 de outubro, enquanto o argentino Pedro del Castillo apresenta teatro de marionetas para crianças e adultos no Teatro Miguel Franco, a 14 do mesmo mês.

Surma lança "Antwerpen", o disco de estreia, a 15 de outubro, no Espaço O Nariz, e no dia 16, o grupo de teatro de Leiria leva a escolas do 1.º ciclo de Pedrógão Grande "Contos do nascer ao pôr-do-sol". No dia 22 de outubro, "Contos ao pôr-do-sol" animam a tarde na Associação Filho Sarilho, em Pisões, Pataias, concelho de Alcobaça.

Ainda o Nariz faz no dia 19 de outubro uma leitura encenada da peça "O voo das aves", com estreia agendada para 2018 e, no dia 21, o grupo fará uma leitura pública de outro trabalho que só verá a luz do dia no próximo ano, "Libelinhas".

Pelo meio, os El Rupe, de Guimarães, atuam em Leiria, no Espaço O Nariz, dia 20 de outubro.

"Estrangeiras", de Slawomir Mrozek, é interpretado pelo Tenda Produções no Teatro Stephens, na Marinha Grande, a 27 de outubro.

Ivo Canelas e Pedro Gil levam ao palco do Teatro Miguel Franco "Pedro e o Capitão", de Mário Benedetti, no dia 28 de outubro.

A fechar o festival, os Knok Knok, de Armando Teixeira, mostram-se pela primeira vez ao vivo, num concerto no Espaço O Nariz, Leiria, dia 31 de outubro.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Festas nos Pisões

A notícia na edição 1188 do Região de Cister de 26 de maio de 2016

Pisões
Festas de S. Sebastião assinaladas no fim de semana

Pisões vai acolher as Festas de S. Sebastião entre a próxima sexta-feira e a próxima segunda-feira.
A missa e procissão de velas estão agendadas para as 21 horas de sexta-feira, seguidas da abertura da tasquinha de S. Sebastião. Bruno e João será o duo responsável por animar a noite. No sábado haverá atuação do grupo FH5. No dia seguinte haverá missa e procissão às 15 horas, precedida da Banda Filarmónica de Pataias e seguida de música do Patinotas, do Canto Coral e d’Os Lords. As festas terminam na segunda-feira com Paulo Ferreira Band.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Pisões - Angariação de fundos

A notícia na edição 1166 do Região de Cister de 24 de dezembro de 2015

Pisões
Comissão continua a angariar fundos para festas de São Sebastião

A comissão de festas em honra de São Sebastião dos Pisões prossegue com iniciativas, com o objetivo de angariar fundos para custear as despesas iniciais dos festejos de 2016.
Depois de terem organizado um jantar de chanfana, os festeiros pisoenses agendaram, para o próximo dia 24 de janeiro, a partir das 15 horas, a venda de pão com chouriço confecionado de forma artesanal e cozido em forno a lenha. Os festeiros irão ainda vender bifanas e os tradicionais fritos de São Sebastião. O evento vai ter lugar no recinto junto à igreja dos Pisões.
Os interessados em encomendar algumas destas iguarias poderão fazê-lo através da página do Facebook das festas em honra de São Sebastião ou através dos contactos 963 704 526 ou 963 418 362.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Centro de Convívio dos Pisões prepara álbum de memórias

A notícia no Região de Cister nº1163 de 3 de dezembro de 2015

Pisões - Comunidade convidada a ceder fotografias ao centro de convívio
Utentes querem fazer álbum fotográfico com memórias do tempo de escola

“Os bons velhos tempos” é o título do álbum fotográfico que os utentes que frequentam o centro de convívio dos Pisões pretendem fazer, contando com fotografias alusivas ao tempo escolar que os antigos alunos da Escola Primária daquela localidade da União de Freguesias de Pataias e Martingança lhes façam chegar. O desafio foi lançado à comunidade pisoense na página da rede social Facebook do centro de convívio. As fotografias podem ser enviadas através do Facebook do centro de convívio dos Pisões ou podem ser entregues em mão nas instalações que funcionam na antiga Escola Primária.
Esta é uma das várias atividades que têm sido propostas aos cerca de dez utentes que frequentam o centro de convívio, que abriu portas no dia 19 de outubro.
Trabalhos manuais, exploração da informática, projeção de filmes, audição de música, narração de histórias, ajardinamento do espaço envolvente o edifício do centro de convívio e a criação de uma horta biológica são algumas das atividades previstas no ano de arranque do centro de convívio, a par da prática de exercício físico e jogos tradicionais e populares (pião, berlinde, malha, cartas, dominó e damas).
“O objetivo do centro é proporcionar um envelhecimento de forma sã e ativa aos idosos”, garante Valter Ribeiro, presidente da União de Freguesias de Pataias e Martingança.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Os amigos do Pisão - Inauguração

A notícia no Região de Cister nº1156 de 15 de outubro de 2015

Pisões - instituição funciona nas instalações da antiga escola primária
Centro de convívio abre na segunda-feira com dez utentes

O centro de convívio “Os amigos do Pisão”, a funcionar na antiga escola primária dos Pisões, abre as suas portas na próxima segundafeira, data em que arranca a Semana Aberta, que visa atrair novas inscrições e mostrar ao público a dinâmica do centro. Atualmente, já se encontram inscritos cerca de 10 utentes, prevendo-se que o número possa aumentar no decorrer da Semana Aberta.
O centro de convívio “Os Amigos do Pisão” foi inaugurado no passado domingo, contando com a presença de cerca de duas dezenas de idosos e familiares. O centro encontra-se sediado nas instalações da antiga escola primária daquela localidade, que havia sido requalificada há poucos anos. A União de Freguesias de Pataias e Martingança efectuou um investimento em mobiliário para adaptar o espaço às necessidades dos utentes e às atividades que ali se vão desenvolver.
A sessão solene de inauguração foi aberta por Venusa Silva, uma das impulsionadoras do projeto, e pela animadora do novo centro de convívio, Célia Paulo, que se dirigiu aos idosos informando as diversas atividades que vão ser desenvolvidas naquele espaço. “Vamos trabalhar em conjunto e fazer várias atividades que favoreçam o convívio entre os utentes”, explicou a animadora social. Trabalhos manuais, exploração da informática, a projeção de filmes, a audição de música, a narração de histórias, o ajardinamento do espaço envolvente ao edifício e a criação de uma horta biológica são algumas das atividades previstas neste ano de arranque de “Os amigos do Pisão”, a par de exercício físico e jogos tradicionais e populares (pião, berlinde, malha, cartas, dominó e damas).
“O objetivo do centro é, entre outros, proporcionar um envelhecimento de forma sã e ativa aos idosos”, garantiu Valter Ribeiro. No seu discurso, o presidente do executivo da UFPM destacou ainda a “possibilidade de fazerem novas amizades ou reforçarem amizades já existentes”. No próximo ano e como forma de intensificar a ligação entre várias gerações, o executivo da UFPM vai avançar com a criação de um parque infantil junto ao centro, “para que os avós possam conviver com os netos mais frequentemente”.
Já para Paulo Inácio, “este espaço e as atividades que aqui se vão desenvolver vão tornar-se, no futuro, muito importantes para as vossas vidas”. O presidente da Câmara de Alcobaça frisou a importância dos idosos “se manterem ativos física e mentalmente. Nesse contexto, estas actividades vão ser essenciais”.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Hã Toino D'Lírio o Toino dos Pisões

A reportagem no jornal Público
http://www.publico.pt/sociedade/noticia/antonio-e-uma-estatua-que-ja-saltou-do-pedestal-1703074

António é uma estátua que já saltou do pedestal

António Gomes dos Santos faz vida da quietude. Escuta as pessoas que passam por ele, embora não lhes possa responder. Guardou dezenas de cadernos com as reacções escritas. “Vai trabalhar seu malandro.” “És maravilhoso.”
  
Há quase três décadas que António Gomes dos Santos pinta a cara e o corpo de modo a parecer aos outros que é feito de pedra, de bronze, de ferro, de plástico. É esse o objectivo, criar a ilusão a quem passa de que não é humano. Depois, tem de ficar muito quieto durante horas, e silencioso. Para ser estátua não pode responder ao que vai ouvindo acerca de si.

Mas quis que lhe falassem por escrito. Dezenas de cadernos de capa dura que guardou registam os pensamentos de alguns dos que o vêm observando. Folhear as suas páginas é acompanhá-lo num percurso em que o homem-estátua passou de espécie rara que causava espanto porque “era o único” — “nunca tinha visto nada assim”, “vai trabalhar seu malandro” — para coisa banal. “Hoje ser homem-estátua é uma forma de arte.”

Para continuar a sê-lo teve de inovar, juntou à quietude “a levitação”. “Como é que te aguentas no ar? És maravilhoso.” “És a estátua mais interessante que eu já vi.” Foi o que lhe escreveram no último dos volumes.

António Gomes dos Santos diz-se “uma obra de arte” e, como tal, pode desencadear tantas leituras quantos os sujeitos que o observam. E se há coisa que lhe ensinaram os cadernos onde quem passa por ele pode escrever é que cada um vê nele o que quer. Uma Raquel escreve-lhe que ele lhe fez lembrar “alguém que já não está cá”. Um João preocupou-se com a sua saúde dermatológica — “O senhor usa muitos produtos para tirar a tinta, mas cuidado porque com tanta tinta a pele não respira.”

É possível descortinar naquele armazém de observações diferentes categorias, quem vê na sua quietude um acto político, filosófico, religioso — “Deus vai-te castigar.” “Deus é teu amigo.” “Estás a gozar com Deus.”

São anos e anos de comentários sem réplica. Aqui fica uma pequena amostra de diálogos que nunca aconteceram e outros que chegaram a acontecer. É que há alturas em que até um homem-estátua sai do pedestal.

“Imagino imensas coisas a seu respeito, como por exemplo, qual é a motivação que o levou a desempenhar este papel de estátua?”

É uma longa história. António tem 53 anos. Tudo começou num tempo em que o cabelo lhe começou a cair, aos tufos, em que ficou careca de um dia para o outro. Diagnosticaram-lhe alopecia nervosa, manifestação física de uma depressão profunda. Vomitava, chorava compulsivamente, dormia mal, não tinha fome, chegou aos 45kg. Era ele trabalhador administrativo nos Hospitais da Universidade de Coimbra e estudante do 3.º ano de Geologia na Universidade de Coimbra.

Mais para trás tinha ficado o que hoje se chamaria “trabalho infantil” mas que na altura era assim. Com uns 7 anos, para ter direito a jogar a bola, tinha primeiro de apanhar sete sacas de pinhas para a fogueira, de regar o milho e tratar do curral do gado. Os pais não lhe pediam, afinal, mais do que tinham sido as suas vidas. Ele foi o terceiro filho, o primeiro vivo, as duas irmãs morreram no útero da mãe e os pais endividaram-se para o fazer sobreviver, pagaram o luxo que era um táxi, quando o transporte da família era a mula Carriça, para levar a mãe grávida pelos caminhos de lama até Coimbra, para António ir nascer no hospital.

Nos primeiros tempos de estátua ouvia muito o tipo de deixas que lhe pareciam directamente saídas do salazarismo, a típica: “Vai trabalhar seu malandro.” Calou muito, mas havia vezes em que era demasiado. Houve alturas em que saiu do seu imobilismo para contar a trabalhadores chefes de família a sua história de vida, e a do pai, que continua a cortar madeira aos 79 anos.

No início, o que ele fazia era estranho mas até os pais, que nunca puderam estudar, se habituaram. E até já foi possível ouvir o pai dizer, com ar ufano, “eu sou pai do homem-estátua”. E, quando alguma actuação leva António perto da aldeia de Pisões (concelho de Alcobaça), ter a mãe, de 85 anos sentada num banquinho junto ao filho parado, uma tarde inteira, parados os dois, ele estátua, ela mãe do homem-estátua.

“Que foi que teus olhos viram?! São castanhos? Ou serão verdes?” — perguntou-lhe Cátia. São castanhos.

“Já te vi muitas vezes. Chego a imaginar-te como uma paisagem. Eu olho-te tantas vezes e tu provavelmente nunca reparaste em mim. Acabo por me sentir ridícula em olhar tanto tempo para ti sem receber um olhar em troca” — escreveu Ana.

Se há coisa que a quietude faz é ampliar tudo o que se passa à sua volta. É como se estar parado tanto tempo lhe colocasse no ângulo de visão, que nunca muda, uma gigante lupa que o faz percepcionar tudo de forma exagerada, e isso aplica-se ao que ouve e ao que vê. Ele repara nas pessoas, responde a Ana.

Lembra o dia em que uma cena que se estava a passar à sua frente o transtornou: era um pai a bater num filho criança de forma violenta, a usar com ele “uma linguagem pior que na Idade Média”. Não aguentou. “A estátua regressou à sua forma humana”, para repreender o pai violento, se aquilo era coisa que se fizesse a uma criança.

É outro efeito da imobilidade, quando sai de estátua não é ele, António Gomes dos Santos, homem calmo que pratica ioga e meditação, “a minha saída da quietude é muito animal, é uma reacção felina, como um gato quando ataca”.

Um dia, “um homem de aspecto normal, de fato e gravata”, empurrou-o com muita força e ele saiu de estátua quase pronto a matá-lo. Tem que ter cuidado com esses momentos.

Há quem o queira testar, provocá-lo e à sua capacidade de inércia, com os seus cinco recordes do Guiness anunciados aos pés do seu pedestal. No último, de 2003, esteve quieto 20 horas, 11 minutos e 36 segundos. Já foi estátua em 64 países e é convidado para júri de festivais de homens-estátua.

Nos tempos em que o serviço militar ainda era obrigatório, um militar fardado rondou-o, a repetir sempre o mesmo, “havia de te ver lá na parada, a ver se aguentavas”. A frase repetida tantas vezes, o homem a pô-lo tonto. Chegou o momento em que pegou no militar pela cintura, com uma força que não era a dele, era a do tal animal, e colocou-o em cima do seu pedestal, invertendo posições — “Então agora vamos ver quanto tempo aguentas”, disse-lhe. O homem ficou branco, cor de cal, como se costuma dizer, e foi-se embora a pedir-lhe desculpas.

Também lhe perguntam coisas mais práticas. “Como é que conseguiu estar tanto tempo sem comer?” Nas maratonas recordistas de quietude come “tudo o que normalmente faz mal e ajuda à retenção de líquidos, muitos frutos gordos, pinhões, nozes”.

No seu quotidiano, em que costuma ser estátua quatro dias por semana, umas quatro horas por dia, António tem um ritual que repete há décadas. Chega à Rua Augusta, em Lisboa, umas boas duas horas antes de ser estátua e vai “morder o ambiente”, perceber que público terá à sua volta. Hoje sentiu que “há turismo calmo”, pensa que deve ter atracado um barco de cruzeiro de gente mais velha que tem tempo para andar pela baixa e o olhar. “Também há turismo stressado.”

Depois almoça muito calmamente, sempre no mesmo sítio. É um restaurante que agora se chama Cais das Colunas, mas foi tendo outros nomes, o que interessa são os donos. É como se fosse uma segunda casa, a juntar à que tem quando se posta no meio do cruzamento que é sempre o mesmo, Rua Augusta com Rua da Assunção.

Aquele restaurante e aquelas pessoas foram o seu refúgio ao longo dos anos. Ali sempre lhe guardaram o material quando estava a sempre a ser levado para a esquadra de polícia. Era todos os dias levado por acusações que variavam, dependia dos policias que faziam a detenção, a mais comum era “ocupação ilegal da via pública”. Hoje paga pelo uso do cruzamento.

Nos cadernos há uma questão que é transversal ao longo dos anos: se o que faz é trabalho ou não. António entende-o como “uma revolta contra o trabalho”. Diz que aprendeu com o filósofo português Agostinho da Silva que trabalho veio do latim tripalium, nome de um instrumento de tortura constituído por três estacas de madeira afiadas e que era comum em tempos remotos na Europa. Originalmente, “trabalhar” significava “ser torturado”.

“As máquinas vieram para nos dar mais tempo de lazer mas escravizaram-nos o tempo”, diz, e isso nota-se mais nas cidades. O trabalho dele não funcionaria numa aldeia, o homem-estátua faz sentido na cidade, mas António Gomes dos Santos torna todos os dias a uma aldeia, “o meu Trás-os-Montes”, perto de Mafra a uns 20 quilómetros de Lisboa

É trabalho no sentido em que é das moedas que deixam à estátua que sai o seu pagamento para a segurança social. As moedas são o seu sustento, de acordo com objectivos de vida, que, diz, são modestos. “Viu como eu vivo.” A casa de António, onde mora com a namorada e assistente Susana Bento, é uma casa humilde com o tecto forrado a mapas, atafulhada de roupas e chapéus dos seus personagens pendurados no tecto e parede. Já foi 300 estátuas diferentes.

Depois, “o trabalho está associado ao movimento”, faz confusão às pessoas o que ele faz, “uma coisa tão simples”, como é que se pode estar a trabalhar parado?

O que lhes pode dizer é que fica exausto naqueles dias, em que tem de reduzir a sua respiração a algo imperceptível, as estátuas não respiram, e com isso o seu batimento cardíaco desacelera até um estado de “latência”, como um urso que hiberna no meio da rua.

Há quem lhe reconheça esse esforço por escrito. “Tomara eu conseguir não me mexer durante 10 minutos.” “Já o tentei fazer e não o consegui mais que cinco minutos. Requer muita concentração e experiência.” “Brilhante auto-domínio e equilíbrio. Deus o conserve por muitos e bons anos. Para nosso deleite.” “Curti bué o teu auto-controlo, mano.”

“Eu sinceramente achei uma grande merda, uma coisa que todos conseguem fazer.” Há também que lhe deixe escrito insultos como esse e outros. “Olhe, odeio mimos e paralisados!!” “Continue paradão, mas longe daqui por favor.” “Para mim que sou artista, chamo a isso ‘viver da ignorância dos outros’.”

E há os escritos dos que António diz que acertaram. Se pudesse, agradecia-lhes. É mesmo isso, Bruno: “Obrigada por trazer poesia para as ruas e talvez levar a que as pessoas parem no seu agitado dia a dia. Continue a parar o mundo.” “Obrigada por mostrar tanto equilíbrio num momento em que tanto é inquietude.” “Estar imóvel ou na quietude consciente, é abrir espaço para sentir o mundo de uma forma diferente, é abrir espaço em nós mesmos para nos descobrirmos.” “É importante parar como caminhar, parar também é viver.”

E depois há naquelas folhas inícios de conversa. “Só gostava de o conhecer sem ser uma estátua.” “Um dia destes, passo para falar contigo?” “Quero-te conhecer.” “Adoro-te.” O seu filho teve origem num daqueles cadernos de capa preta. A conversa começou por escrito.

domingo, 23 de agosto de 2015

Pisões - passeio de motorizadas antigas

A notícia na edição 1148 do Região de Cister de 20 de agosto de 2015

Pisões
Passeio de motorizadas antigas regressa ao Grupo Desportivo

A quarta edição do passeio de motorizadas antigas promovido pelo Grupo Desportivo e Recreativo Pisoense fica agendado para o próximo dia 6 de setembro. A Direção da associação, presidida por Telmo Filipe, pretende superar as inscrições atingidas nas edições anteriores.
A iniciativa tem a concentração marcada para as 9 horas, junto à sede do Grupo Desportivo e Recreativo Pisoense, e a chegada do passeio prevista para as 13 horas, seguindo-se um almoço convívio.
O preço de participação é de 12 euros (passeio e almoço) e sete euros (só passeio). As inscrições já se encontram abertas pelos contactos 244 589 999 e 913 231 030 ou na sede do pelo Grupo Desportivo e Recreativo Pisoense.

sábado, 29 de novembro de 2014

Pisões - Jantar convívio

A notícia na edição 1110 do Região de Cister de 27 de novembro

Pisões
Comissão de Festas tem inscrições abertas para jantar-convívio

Na próxima semana, no dia 5 de dezembro, a partir das 20 horas, vão ser servidas chanfanas na Igreja dos Pisões, numa organização da Comissão de Festas 2015. Os interessados em participar neste momento de convívio, que inclui jantar, devem fazer as suas inscrições até à próxima terça-feira, através dos números de telemóvel 963 148 376 (Telma Cardeira) ou 912 422 312 (Ivo Cardeira). Por 12 euros, pode apreciar uma chanfana ou galo, bem como sobremesa e café.