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sábado, 30 de junho de 2018

segunda-feira, 26 de março de 2018

Embaixadores do bosque

A notícia em:
http://regiaodecister.pt/noticias/alunos-de-alcobaca-plantam-e-prometem-cuidar-de-arvores

Alunos de Alcobaça plantam e prometem cuidar de árvores

Os alunos do 6.º B e 6.º C da Escola Básica e Secundária de São Martinho do Porto trocaram, esta quarta-feira, o lápis e o caderno pela enxada e pelo farpão para cumprir o projeto “Embaixadores do Bosque”, que tem o objetivo de “recuperar áreas ardidas ou degradadas”.
Nesse âmbito, os mais novos plantaram um carvalho português e um sobreiro. Mas a tarefa não se fica por aqui. É que ao longo dos próximos anos, até que concluam o ciclo de ensino daquela escola, os alunos vão ficar responsáveis por cuidar e manter estas duas novas árvores. “Quando sairmos da escola as árvores já vão ser maior que nós?”, questionou, curioso, um aluno. Os mais pequenos vão acompanhar nos próximos três anos o crescimento das árvores, esperando-se que em pouco tempo, “se tudo correr bem”, as mesmas os ultrapassem em altura.
A tarefa de plantar as árvores não assustou, nem por sombras, os alunos. Mas são as tarefas de manutenção que mais os preocupam, especialmente durante o verão. Será preciso regar, cortar e podar. Mas a ajudar as crianças nesta tarefa vão estar os professores Luís Silva e João Costa, que aplaudiram a iniciativa dos pelouros da Educação e do Ambiente da Câmara de Alcobaça.  A vereadora da Câmara de Alcobaça com o pelouro da Educação destacou o “carácter transversal” da atividade. “Os alunos vão poder aprender sobre a floresta, a biologia e muitas outras disciplinas, mas mais importante que isso é a responsabilidade que vão precisar de ter para cuidar das árvores”, sublinhou Inês Silva. 
O projeto “Embaixadores do Bosque” foi desenvolvido, também, na Fonte da Senhora, onde mais de três dezenas de alunos do Externato Cooperativo da Benedita participaram na ação de reflorestação. Esta quinta-feira, a iniciativa da autarquia envolveu 55 alunos da Escola Básica de Pataias, que contribuiram para a reflorestação das áreas queimadas pelos fogos do passado mês de outubro. Além disso, também os alunos da Escola Primária do Bárrio vão plantar árvores na Quinta do Campo. No total, são cerca de 150 os alunos que vão participar na atividade, que decorre em parceria com as Juntas e a Associação de Produtores Florestais dos Concelhos de Alcobaça e da Nazaré.
As crianças de hoje vão cuidar das árvores e da floresta de amanhã.

domingo, 11 de março de 2018

Propostas para ordenamento florestal

A notícia em:
https://www.dn.pt/lusa/interior/organizacoes-de-produtores-do-oeste-vao-propor-ao-governo-16-medidas-para-ordenar-a-floresta-9172612.html

Organizações de produtores do Oeste vão propor ao Governo 16 medidas para ordenar a floresta

Oito organizações de agricultores e produtores florestais da região Oeste discordam da imposição de medidas de minimização do risco de incêndio iguais para todo o país e vão propor ao Governo soluções de reordenamento florestal para cada região.

As oito organizações, que abrangem agricultores e produtores florestais de seis concelhos das região Oeste de Portugal consideram "imperativo agir" na floresta portuguesa mas discordam da aplicação de "leis verticais de Norte a sul do País, pois o mesmo apresenta especificidade particulares", assumem num documento que vão na sexta-feira entregar na Assembleia da República (AR).

No documento, a que a agência Lusa teve hoje acesso, as oito associações defendem uma ação "coordenada, estrutural e muito bem pensada", envolvendo "todas as entidades que contatam diretamente com a realidade da floresta" para definir "uma visão estratégica a médio-longo prazo, criando um verdadeiro ordenamento do território com base nas necessidades por concelho".

Assumindo-se "naturalmente preocupados com a sua fonte de rendimentos (a floresta)", as oito organizações, que se constituíram em movimento, afirmam-se "disponíveis para a limpeza da mesma, reconhecendo a importância da medida de redução de carga combustível" para minimizar os riscos de incêndio.

Porém, recusam aceitar "a imposição do abate de árvores colocando o ónus da culpa [dos incêndios do ultimo ano] essencialmente sobre o eucalipto e o pinheiro bravo".

Assim, o movimento quer propor ao Governo "um conjunto de medidas" que consideram "estruturais e lógicas", entre as quais a obrigatoriedade de pousios e limpeza dos terrenos ou a criação de "faixas de descontinuidade florestal, nas manchas com grande carga combustível, utilizando espécies pouco combustíveis" como o sobro, azinho ou castanho.

Nos concelhos com áreas com grande continuidade de espécies com maior poder de combustão, o movimento defende a aplicação de "uma taxa/compensação por parte dos proprietários", refere o documento.

Fiscalização por parte da GNR, Instituto da Conservação da Natureza e da Floresta (ICNF) e da proteção Civil e "mão pesada da justiça" para incendiários e "possíveis redes organizadas na queima da floresta", são outras das medidas referidas no documento.

O movimento defende igualmente "a relação floresta-cereal-caça" e o fomento de regadios dispersos pelo país para que "as culturas frescas limitem o desenvolvimento dos incêndios", ou a criação de várias centrais de biomassa de norte a sul do país.

No documento, as organizações contestam ainda o prazo limite para o corte de vegetação e consideram "inadmissível" que os municípios não disponham de ferramentas para efetuar o cadastro e conhecer e saber quem são os proprietários dos terrenos.

O movimento que vai fazer chegar as propostas a todos os grupos parlamentares integra a AARA - Associação de agricultores da Região de Alcobaça, AFRA - Associação de Produtores Florestais da Região de Alcobaça, Centro de Gestão Agrícola de Alvorninha, Centro de Gestão Agrícola de Óbidos, Real 21 - Associação de Defesa do Rio Real, APAS Floresta, AATV - Associação de Agricultores de Torres Vedras e Florest -- Associação de Produtores Agrícolas e Florestais da Estremadura, representando produtores de Alcobaça, Caldas da Rainha, Óbidos, Bombarral, Cadaval e Torres Vedras.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Reflorestação do Pinhal de Leiria será feita também com sobreiros

A notícia em:
https://www.dn.pt/portugal/interior/costa-avanca-com-reforma-florestal-que-privilegia-sobreiros-e-outras-especies-9066963.html

Costa avança com reforma florestal que privilegia sobreiros e outras espécies

Continuará a chamar-se Pinhal de Leiria, mas grande parte das 250 milhões de árvores plantadas na mata nacional podem ser sobreiros.

António Costa já não estará cá para ver o grande porte que atingirá o sobreiro que ontem plantou na Vieira de Leiria, ao lado do pequeno Tomás, aluno do Agrupamento de Escolas da Vieira de Leiria. Mas o primeiro-ministro acredita que, simbolicamente, esse é o legado de segurança e reflorestação a deixar às gerações futuras.

"Ao mesmo tempo que plantamos, temos que saber plantar melhor, ter a coragem de cortar o que tem de ser cortado, para termos um território mais seguro", disse Costa ontem ao final do dia, quando assistia à apresentação da estratégia de recuperação do Pinhal do Rei, na Marinha Grande, concelho que viu desaparecer 9 dos 11 hectares da mata nacional de Leiria, nos incêndios de 15 de outubro último.

Horas antes, no talhão 9, junto à escola secundária da Vieira de Leiria, o primeiro-ministro plantou também ele um pequeno sobreiro, acompanhado do ministro da Agricultura, Capoulas Santos, dos secretários de Estado e uma vasta comitiva de responsáveis do Estado. E foi nessa viagem - que fez em autocarro, com apenas uma paragem para assistir ao corte de algumas árvores, aumentando as faixas de proteção - que o líder do Governo pode comprovar "a resistência ao fogo" por parte dessa espécie. Enquanto os pinheiros arderam a toda a velocidade naquele que a Proteção Civil considerou "o pior dia do ano de 2017", os sobreiros fizeram de escudo às chamas.

O Governo não avança, pelo menos para já, com valores inerentes ao investimento que começa a ser feito na floresta nacional, mas há alguns valores que Costa tem para apresentar, quando recorda o apoio de emergência que o Estado já deu: 46 milhões de euros aos agricultores e 26 milhões aos empresários, na tentativa de minorar os imensos prejuízos causados pelo fogo; há ainda a reconstrução das primeiras habitações e as indemnizações "às perdas irreparáveis das vítimas mortais".

De resto, tanto o ministro Capoulas Santos como o primeiro-ministro deixaram na Marinha Grande a determinação de avançar com a reforma da Floresta nacional, a exemplo do que acontecerá no Pinhal de Leiria, forçosamente. "Queremos que o novo pinhal do Rei seja melhor do que aquele que tínhamos", sublinhou Costa, lembrando que a tragédia de Outubro - como a de Junho, no interior - "não foi obra do acaso, mas antes por causa das profundas transformações que o território sofreu nas últimas décadas, do desordenamento da floresta, e do impacto profundo das alterações climáticas". E por isso insiste na importância da reforma florestal, um trabalho que demorará pelo menos uma década. "Sabemos bem a resistência que vamos ter. Não é por acaso que o cadastro parou a sul do Tejo há mais de um século, mas temos de o fazer", concluiu, depois de assistir à assinatura do acordo de cooperação para a criação da Comissão Científica do Programa de Recuperação das Matas Nacionais.

Na prática, o novo organismo reúne os responsáveis do Instituto de Conservação da Natureza e das Floresta (ICNF), do Instituto Superior de Agronomia e Veterinária, e de sete universidades e politécnicos de todo o país. Na mesma ocasião foi constituído o Observatório Local do Pinhal do Rei, que integra 23 personalidades e instituições da Marinha Grande, desde autarcas até à sociedade civil, que vão acompanhar de perto a recuperação.

Madeira ardida rende milhões

À margem da assinatura dos acordos e da apresentação da estratégia nacional, o presidente do ICNF, Rogério Rodrigues, disse aos jornalistas que só em março próximo saberá a que corresponde o reforço de meios humanos e técnicos que o Governo lhe prometeu.

"O que temos pela frente são alguns milhares de hectares que vão ter que ser arborizados, porque a regeneração natural não terá efeitos. E da que vingar, teremos processo mais longos. Por isso é preciso diversificar as espécies. Dar outras potencialidades à mata, como áreas de recreio e usufruto por parte da comunidade". Aquele responsável - a quem coube a apresentação do plano - estima este não seja um processo "para um ano, nem sequer para uma década. Nos primeiros 5 a 10 anos vai ter o maior impacto de investimento, mas vai durar sete décadas, o tempo que demora a sucessão dos povoamentos florestais".

Até lá é preciso que haja "uma gestão florestal que obriga a investimentos ativos, duradouros e persistentes. Todo o património não vai regenerar e gerir-se por si. É preciso muito investimento - florestal, mas também no reforço do ICN e dos seus meios". Nos próximos seis meses a comissão cientifica vai debruçar-se sobre esse plano, "e só nessa altura haverá um valor do investimento". Mas há pelo menos uma certeza: a quantidade de madeira que ficou do incêndio e que vai ser alienada, a partir de sete grandes matas - desde a mata nacional de Leiria até à mata do Urso, passando a Figueira da Foz, desde Quiaios até Vagos. No conjunto, têm para vender 1,7 milhões de metros cúbicos de madeira (a maioria de serração, e uma parte de trituração), dos quais 530 mil m3 estão no Pinhal de Leiria. Caberá agora ao Instituto Superior de Agronomia e à Universidade de Trás os Montes e Alto Douro apurar os valores efetivos, que irão ser alienados em praça pública a partir deste mês. Rogério Rodrigues não avança com números definitivos, mas arrisca um valor que daí pode advir: cerca de 35 milhões de euros.

Comentário

Um dos dados conhecidos é que as alterações climáticas promoverão o avanço do fenómeno da desertificação no sul do País até 2100. Este fenómeno de desertificação levará, muito provavelmente, à eliminação de algumas espécies autócnes como o sobreiro, talvez a azinheira e o pinheiro manso em quase toda essa área do território nacional.
Por outro lado, sabemos que Portugal é atualmente o maior produtor mundial de cortiça, e que o sobreiro, árvore de crescimento lento, precisa em média de 50 anos para dar alguma rentabilidade económica.
Assim, parece acertada esta decisão de reflorestar parte das das áreas ardidas com o sobreiro. Quando esta árvore começar a desaparecer no Alentejo, teremos cortiça nova a ser produzida no centro do país.
Desta vez, há visão a longo prazo na gestão da floresta e do território, e mais uma vez no Pinhal do Rei na Marinha Grande.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Reflorestação das áreas ardidas

A notícia já tem alguns dias e pode ser consultada em:
https://www.dn.pt/portugal/interior/incendios-governo-aprova-regime-para-que-nao-se-plantem-eucaliptos-em-areas-ocupadas-por-outras-especies-8921980.html

Vai ser proibido plantar eucaliptos em substituição de outras espécies

Governo aprova regime para que não se plantem eucaliptos em áreas ocupadas por outras espécies

O Governo aprovou hoje um regime transitório que define que não sejam plantados eucaliptos em áreas ardidas anteriormente ocupadas por outras espécies.

"Esta medida vem contribuir para um melhor equilíbrio entre as diferentes espécies florestais, procurando ao mesmo tempo garantir as atividades das várias fileiras florestais, bem como a biodiversidade", indica uma nota do Conselho de Ministros hoje.

Com este diploma pretende-se, continua o executivo, "promover a existência de uma adequada composição dos povoamentos florestais, evitando a rearborização" com eucaliptos em "áreas ocupadas anteriormente por outras espécies".

Governo rejeita responsabilidade em legislação que facilitou plantação de eucaliptos

O Governo esclareceu, no dia 2, que "não pode ser responsabilizado" pela legislação que facilitou a plantação de eucaliptos, referindo que a medida "foi aprovada em 2013 pelo executivo do PSD/CDS-PP".

"A legislação em vigor, como se sabe, facilitou a plantação de eucaliptos. O atual Governo, no cumprimento do seu programa, revogou as normas liberalizadoras da plantação de eucaliptos, tendo para isso apresentado uma proposta de lei ao parlamento em abril de 2017, que veio a ser aprovada pela Assembleia da República", referiu em comunicado o gabinete do ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural.

Segundo o Governo, a proposta de lei foi publicada em Diário da República a 17 de agosto, entrando em vigor em fevereiro de 2018.

O documento explica ainda que a legislação em vigor "foi aprovada em 2013 pelo Governo PSD/CDS, sendo Assunção Cristas a ministra da Agricultura".

"Não podem ser atribuídas ao atual governo quaisquer responsabilidades pelo cumprimento de uma legislação que não aprovou e que, inclusivamente, revogou", acrescenta.

Mais eucaliptos?

A área ocupada por eucaliptos registou um aumento "próximo da superfície da cidade de Lisboa", entre outubro de 2013 e junho passado, denunciaram a Quercus e a Acréscimo, uma associação dedicada ao investimento florestal sustentável.

Segundo os dados analisados pelas duas organizações, com base em informação do Instituto Nacional de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), a área ocupada por eucaliptos cresceu 7.652 hectares.

"Constata-se que no anterior Governo foram autorizadas 43% das novas plantações de eucalipto, sendo que o atual Governo é responsável, só até ao final do primeiro semestre deste ano, por 57% da expansão legal desta espécie exótica em Portugal", lê-se num comunicado conjunto divulgado pelas organizações.

domingo, 29 de outubro de 2017

Contributos para reflexão na reflorestação do Camarção de Pataias

A fixação e arborização das dunas do litoral

Até meados do século XIX, uma vasta extensão das costas marítimas do nosso território eram constituídas por extensos campos dunares de areias móveis, que instigados pelos ventos atlânticos, invadiam os terrenos agrícolas adjacentes e obstruíam muitas das barras dos nossos rios. Exemplos desta realidade são o assoreamento das charnecas e lezírias do vale do Lis e o assoreamento da barra da ponte da barca que forçou à mudança definitiva do porto da Pederneira para a praia da Nazaré. O avanço destes campos dunares traduzia-se em graves prejuízos para a economia e populações do litoral.
Reza a história, que D. Afonso III e D. Dinis, cientes desta realidade, iniciaram ainda no Séc. XIII as primeiras tentativas de estabilização destas dunas litorais e salvaguarda dos férteis terrenos do interior através do plantio de vastas áreas de floresta. As Matas Nacionais do Camarido (Caminha), das Dunas de S. Jacinto (Aveiro), de Leiria (Pinhal do Rei) ou das Dunas de Vila Real de Santo António (Monte Gordo – Algarve) são, talvez, os mais famosos exemplos. Para tal, socorreram-se de uma árvore que não existia em território nacional mas comum em França e no Norte de Itália (Bolonha), de onde a primeira mulher de D. Afonso III, D. Matilde, era originária. Essa árvore, então exótica, é o pinheiro bravo, adaptável à secura dos solos arenosos mas resistente aos ventos húmidos oceânicos.
No entanto, apenas no final do séc. XVIII se reiniciam os trabalhos para reflorestar estas áreas de baldio, embora sem grande sucesso. No decorrer do século XIX, decorrem as primeiras sementeiras metódicas, sendo florestados mais de 3000 ha de dunas do litoral. As dunas do Pinhal de Leiria são as primeiras, no período de 1850-1851, as da Alva de Pataias, em 1936, são as últimas. Ao todo, cerca de 23350 ha de dunas são florestadas entre 1850 e 1936 (http://www.drapc.min-agricultura.pt/base/documentos/dunas_areas_arborizacao.htm).

Aspeto das dunas do litoral no primeiro quartel do século XX




A estabilização das dunas através da construção dos ripados





A recolha do moliço e a plantação/ sementeira do penisco







Toda a informação e fonte das fotografias em:
http://www.drapc.min-agricultura.pt/base/documentos/fixacao_dunas.htm

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Reflorestação da Alva de Pataias

A notícia na edição 1173 de 11 de fevereiro de 2016 do Região de Cister

Pataias - nível da água bastante baixo devido a fraca precipitação
Lagoa corre o risco de voltar a secar se o clima não mudar

Se as condições climatéricas não mudarem nas próximas semanas, a Lagoa de Pataias poderá secar pela terceira vez, depois de ter acontecido em 1994 e 2005. “Este inverno foi fraco de chuva e se este verão for quente, não será um verão bom para a Lagoa”, confessa Sofia Quaresma, bióloga natural da Martingança, que alerta para a possibilidade da Lagoa secar.
A confirmar-se essa situação, as espécies que povoam a Lagoa também vão sofrer as consequências. Carpas e lagostins fazem parte da fauna residente no espelho de água, assim como os patos-reais, os galeirões, as galinhas-d’água, os mergulhões pequenos, as garças-reais e as garças-brancas, que fazem da Lagoa o seu habitat natural, dependendo da época.
Para já, e devido à fraca precipitação que se tem sentido nos últimos meses, o nível de água da Lagoa está “bastante baixo”, garante Sofia Quaresma. Com dois hectares de área envolvente, a Lagoa tem um espelho de água com 400 metros de eixo maior e 125 metros de eixo menor. A zona envolvente – totalmente despida – também não vem beneficiar a situação. Desprotegida, a Lagoa corre sérios riscos de alterar as suas características e, em consequência, a fauna e a flora poderão desaparecer.
Contactado pelo REGIÃO DE CISTER, o presidente da Câmara de Alcobaça, explicou que o dossiê da reflorestação está na Autoridade Florestal a aguardar despacho. “A Câmara e a União das Freguesias de Pataias e Martingança sugeriram que a reflorestação fosse feita com pinheiros mansos, o que permitiria criar outras áreas de lazer”, referiu Paulo Inácio. No entanto, o autarca acrescentou que ainda não houve resposta, mas que a possibilidade da reflorestação está a ser estudada tecnicamente.
Contudo, a reflorestação vai ser uma realidade a curto ou médio prazo. “Se não for reflorestada com pinheiros mansos, será com pinheiros bravos”, assume Paulo Inácio.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Novas árvores no parque de merendas de Paredes da Vitória

A notícia no Região de Cister nº1163 de 3 de dezembro de 2015

Paredes da Vitória - Escuteiros de Aljubarrota e Câmara de Alcobaça envolvidos
Quarenta pinheiros bravos foram plantados no parque 

Quarenta pinheiros bravos foram plantados, no sábado, no parque de merendas das Paredes da Vitória, no âmbito do projeto “Planta-me”. A iniciativa juntou a Câmara de Alcobaça e os escuteiros de Aljubarrota, que apadrinharam as 40 árvores, deixando mensagens pessoais e a data de plantação.
“A ideia foi fazer com que os padrinhos criassem um vínculo com a árvore e, no futuro, tentar dissuadir quem tenha intenção de estragar a plantação”, explicou Sofia Quaresma, bióloga da Câmara de Alcobaça, que acompanhou os trabalhos.
“Iremos voltar ao parque de merendas em janeiro para verificar se há estragos e iniciar o acompanhamento do crescimento dos pinheiros”, adianta, referindo que “a última plantação foi partida e pisada no verão”.
A escolha do parque de merendas de Paredes da Vitória para plantar os pinheiros prendeu-se com o fato “do local ser pobre em sombras e ter muita utilização sobretudo no verão”, adianta Sofia Quaresma, recordando que “algumas das poucas árvores que existem no parque estão velhas e secas, o que vai originar um decréscimo nas zonas de sombra a médio prazo”. “Era necessário preparar novas zonas de sombra”, assegura a bióloga.
Registe-se que o projeto “Planta-me” é promovido pela Junta Regional de Leiria do Corpo Nacional de Escutas (CNE), no âmbito do Dia da Árvore Autóctone. Este ano, em colaboração com o Departamento Regional de Ambiente, a iniciativa foi alargada a toda a região, de modo a que todos os agrupamentos pudessem participar sem restrição de concelhos.
À semelhança das edições anteriores, o projeto consistiu em identificar zonas nos concelhos em que os agrupamentos estão inseridos para a plantação de árvores de espécies autóctones, acompanhando depois o seu crescimento e evolução ao longo do tempo.
Os objetivos são “distinguir de forma pedagógica o Dia da Floresta Autóctone, contribuir para a sensibilização ambiental dos jovens e promover e conservar a floresta nativa e as espécies”.

terça-feira, 19 de maio de 2015

A expansão do eucalipto vs. declínio do pinheiro

A notícia em:
http://www.publico.pt/economia/noticia/eucaliptos-atraem-quase-90-dos-investimentos-privados-na-floresta-1696028?page=-1

Eucaliptos atraem quase 90% dos investimentos privados na floresta

Oito em cada dez hectares de floresta plantados sem recurso a fundos públicos tiveram como destino os eucaliptos. A liberalização das plantações e replantações está a dar fôlego à espécie que já domina a floresta nacional.

Oitenta por cento das novas plantações e 94% das replantações produzidas na floresta portuguesa ao longo dos últimos 15 meses sem recurso a ajudas públicas tiveram os eucaliptos como a árvore de eleição.
A espécie florestal que no espaço de meio século cresceu de uma área reduzida de 50 mil hectares para se tornar na árvore dominante no país (ocupa 812 mil hectares) continua a sua expansão imparável. E ao simplificar o processo de aprovação de novas plantações e ao permitir a mudança de espécie nas rearborizações de espaços florestais, o novo regime jurídico que entrou em vigor em Outubro de 2013 parece favorecer essa expansão: dos 11.019 hectares arborizados ou rearborizados com capitais privados nos 15 meses de vigência da nova legislação, 10.046 receberam eucaliptos.
Só o facto de os apoios à florestação da Política Agrícola Comum se dirigirem prioritariamente a espécies como o pinheiro manso ou o sobreiro evitam que a floresta nacional caminhe irreversivelmente para a monocultura.
Apesar do curto prazo de aplicação do regime jurídico aplicável às acções de florestação e reflorestação (RJAAR), parece hoje evidente que a liberalização das plantações em áreas até 10 hectares (a maioria esmagadora das explorações florestais nacionais está abaixo deste limiar) está a acentuar a hegemonia do eucalipto e a decadência do pinhal. As razões para esta dinâmica prendem-se com a maior rentabilidade do eucaliptal para os proprietários. O eucalipto começa a gerar receitas após 10 anos da primeira plantação e a sua exploração (em talhadia) permite que um mesmo povoamento dure ao longo de quatro ou cinco ciclos de corte (48 a 60 anos). Um pinhal demora 30 anos a produzir madeira capaz de ser utilizada na indústria do mobiliário.
Muitos silvicultores defendem que a prioridade da fileira do eucalipto não é tanto aumentar a área, mas reconverter povoamentos existentes. Os números do RJAAR indicam que esse caminho está a ser seguido. Dos 7326 hectares rearborizados, a esmagadora maioria (79%) corresponderam a replantações de áreas já ocupadas por eucaliptos. Mas pelo caminho, outras espécies acabam por ser substituídas. Em particular o pinheiro-bravo, base de uma indústria que representa 47% do valor acrescentado bruto da fileira florestal (812 milhões de euros em 2012). Neste processo de mudança, 1165 hectares deixaram de ser dedicados ao pinheiro bravo para passarem a ser ocupados pela espécie que alimenta a cadeia da pasta e do papel.
Este sinal é apenas mais um sintoma do inexorável recuo do pinhal português, que no espaço de 50 anos se reduziu de 1,2 milhões de hectares para cerca de metade. João Gonçalves, do Centro Pinus, que agrega mais de dois terços da fileira industrial do pinho, considera que “ainda é cedo” para se poder explicar as transferências de áreas de pinhal com a nova legislação. Mas nota que “64% da área de crescimento do eucalipto se fez zonas de pinho e não em zonas de mata ou incultos”. A transformação em curso, sublinha João Gonçalves, vai agravar as dificuldades da indústria, que tem de importar todos os anos dois milhões de metros cúbicos de madeira para laborar – 36% das necessidades das empresas do Centro Pinus.
Do lado da pasta e do papel, os indicadores da execução do RJAAR não suscitam motivos para alarme. Armando Gois, director-geral da Celpa, a associação que agrega a indústria do sector, nota que o crescimento das áreas de eucalipto feito com investimento privado tem de ser balanceado com as áreas de outras espécies financiadas pelos fundos comunitários. Se este exercício se fizer, nota, “a percentagem dos eucaliptos nas arborizações e rearborizações desce para 44%” – o sobreiro surge com 31% do total e o pinheiro manso, cuja rentabilidade explodiu com o aumento da procura mundial de pinhão, 12% (ver infografia). De resto, “é provável que o ritmo de crescimento dos últimos tempos seja menor do que nos anos anteriores”, admite Armando Góis.
Apesar do equilíbrio que os fundos estruturais vão introduzindo na diversidade florestal, o risco de a expansão do eucalipto se perpetuar é elevado e o perigo de a área de pinho continuar a regredir (por abandono, pelos ataques de pragas como o nemátodo, pelos incêndios ou pela replantação com espécies mais rentáveis como o eucalipto) existe. João Soveral, um silvicultor que passou pela vice-presidência do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e integra os corpos técnicos da CAP reconhece que a “natural” orientação dos proprietários para os estímulos do mercado existe, mas afirma que “os instrumentos da política florestal não permitem” o eventual cenário de uma monocultura de eucalipto.
João Soveral cita a propósito a Estratégia Nacional para as Florestas aprovada em Fevereiro deste ano ou os Planos Regionais de Ordenamento Florestal (PROF). Estes planos prevêem mecanismos de gestão que, em tese, implicam a diversidade de povoamentos em favor da biodiversidade ou da protecção contra os incêndios. Mas foram suspensos há anos e não se conhece a data em que a sua versão revista possa entrar em vigor. A ausência de ordenamento conjugada com a liberalização das plantações vai por isso acentuar ainda mais o processo de “eucaliptização” em curso no país.
O PÚBLICO tentou sem sucesso obter resposta a estas questões junto do Ministério da Agricultura.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Eucaliptos

As notícias na edição on-line do Diário de Notícias
http://www.dn.pt/especiais/interior.aspx?content_id=3023865&especial=Revistas%20de%20Imprensa&seccao=TV%20e%20MEDIA


Eucalipto torna-se a principal espécia da nossa floresta


Dados preliminares do último inventário da floresta nacional provam que a área do eucalipto cresceu 16% desde 1995 e tornou-se maior do que a ocupada pelo pinheiro-bravo.
O "Público" escreve hoje que "o Inventário Florestal Nacional de 2010 reconhece, pela primeira vez, que o eucalipto é a espécie que mais área ocupa na floresta portuguesa, encerrando uma era em que o pinheiro era a árvore dominante do país". Assolado por mais de uma década de incêndios, por pragas como a do nemátodo e da falta de gestão, o pinhal nacional está em perda permanente desde meados dos anos 90 - entre 1995 e 2010 a área ocupada pelos pinheiros bravos reduziu-se 13%. Em contrapartida, os eucaliptais cresceram no mesmo período 16% e, actualmente, ocupam 750 mil hectares do território nacional, contra cerca de 600 mil do pinheiro bravo".
O ex-diretor-geral das Florestas, João Soares, afirma não estar surpreendido com os números uma vez que o eucalipto "é a única árvore que dá alguma rendibilidade aos propriatários". Segundo o jornal, a título de exemplo, "num ecossistema com níveis de precipitação superiores a 800 milímetros por ano, um hectare de eucalipto pode render ao fim de dez anos quatro mil euros; no pinhal, são precisos 35 anos até que se possa aproveitar a madeira de qualidade".
Segundo João Soares, o crescimento do eucalipto até se transformar na espécie dominante no país "corresponde à resposta dos produtores florestais às condições económicas com que se deparam".

http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=3024396&page=-1

Nas florestas portuguesas
Quercus considera preocupante predomínio do eucalipto


A associação ambientalista Quercus considerou hoje preocupante que o eucalipto se tenha tornado na espécie que mais espaço ocupa na floresta nacional, principalmente devido ao risco de propagação de incêndios florestais.
"No caso do eucalipto é preocupante, sobretudo ao nível da propagação dos incêndios florestais. É uma situação que nós vemos com alguma apreensão", afirmou hoje, em declarações à agência Lusa, Domingos Patacho, da Quercus.
O jornal Público avança hoje que o eucalipto "já se tornou a primeira espécie da floresta nacional".
De acordo com o diário, que cita dados preliminares do Inventário Florestal Nacional (IFN), entre meados dos anos 1990 e 2010 a área ocupada pelos eucaliptos aumentou 16 por cento. Estas árvores ocupam atualmente 750 mil hectares do território nacional.
As conclusões do IFN, segundo o Público, serão apresentadas pelo Governo em fevereiro.
Domingos Patacho referiu que, para a Quercus, "não é novidade, que o eucalipto seja a primeira espécie em termos de ocupação de área em Portugal".
"Há mais de dez anos que dizíamos que o eucalipto ia avançar para áreas na ordem de já quase um milhão de hectares, e não andará muito longe disso" disse.
O ambientalista referiu ter "algumas dúvidas sobre a fiabilidade dos dados [hoje revelados]", porque "há regulamentos mistos que não são contabilizados, como área de eucaliptal".
Por isso, Domingos Patacho calcula que "os valores serão ainda superiores em relação aos que foram anunciados".
O eucalipto é uma espécie não autóctone (significa que não é natural do território que ocupa), introduzida em Portugal em meados do século XIX.
De acordo com a Quercus, as plantações de eucalipto acarretam impactes ambientais consideráveis sobre o território, nomeadamente uma maior erosão do solo, a alteração do regime hídrico, perda de biodiversidade, alteração da paisagem, para além de facilitarem a propagação dos incêndios florestais de forma muito mais significativa do que as florestas constituídas por espécies autóctones.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Despejo de fossas nos pinhais

Os buracos abertos no meio do pinhal deixavam adivinhar que o destino seria para receberem “qualquer coisa”. Se dúvidas havia, deixaram de existir.
A semana passada mostrei fotografias da zona das Águas Luxosas. Esta semana é da zona entre as Quintas e a Cruz do Pedrão.
As enormes “piscinas” destinam-se à receção de efluentes de suiniculturas que depois são espalhados pelos eucaliptais e deixados correr livremente pelo pinhal.
O cheiro “intenso” até faz dor de cabeça.
Algumas dúvidas ficam:
- que tipo de dejetos são ali despejados? Só águas ou também matéria orgânica?
- que tipo de impactos ambientais e no subsolo terão estes despejos?
- qual a legalidade deste tipo de operações?
E não deixo de pensar, se este “perfume” embalado por uma “brisa” de Verão, não chegará até à Nazaré?




quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

As Alvas na freguesia de Pataias

Reflorestação da Alva da Senhora da Vitória já foi feita

As Alvas da freguesia de Pataias encontram-se, todas elas, sob o Regime Florestal Parcial. 

Os atuais perímetros florestais das Alvas da freguesia de Pataias

O Regime Florestal é Parcial quando aplicado a terrenos baldios, a terrenos das autarquias ou a terrenos de particulares, subordinando a existência de floresta a determinados fins de utilidade pública, permite que na sua exploração sejam atendidos os interesses imediatos do seu possuidor.
Em 1917, o Decreto nº3264 de 27 de Julho, a pedido da Câmara Municipal de Alcobaça, inclui no regime florestal parcial prevendo a respetiva arborização, as Alvas de Água de Madeiros (60,49 ha), Alva da Vitória (379,68 ha), Alva da Mina de Azeche (125,11 ha) e Alva de Pataias (527,48 ha), num total de 1092,76 ha. Todas estas áreas eram dunas interiores «cujas areias caminham à mercê dos ventos».


O aspeto das dunas de areia no litoral português, no início do século XX - Fotografias: DRAP Centro

Até 1927 foram arborizados apenas 498,72 ha da Alva de Pataias e 18 ha da Alva de Água de Madeiros.
Em 1936 foram arborizados mais 9,03 ha da Alva de Pataias.
Na Alva de Água de Madeiros, entre 1927 e 1930 foram arborizados os restantes 42,49 ha.
A arborização da Alva da Mina de Azeche ocorreu entre 1929 e 1931.
A Alva da Senhora da Vitória foi arborizada em 306,20 ha entre os anos de 1927 e 1930.




 Instalação de ripado para fixação das dunas e o transporte de mato e abertura de regos para a reflorestação. Fotografias: DRAP Centro
 
Em 1961, a Câmara Municipal de Alcobaça vendeu à fábrica de cimentos Cibra, 143,45 ha da Alva de Pataias, para ampliação da área de exploração da respetiva pedreira e para a instalação do bairro dos trabalhadores (Alva).
Em 1965, foram excluídos do regime florestal parcial e restituídos à Câmara Municipal de Alcobaça duas parcelas de terreno pertencentes aos perímetros florestais da Alva da Senhora da Vitória e da Alva da Mina de Azeche, destinadas à ampliação da área urbana da praia de Paredes da Vitória.
No início dos anos de 1990, um grande incêndio destruiu parte da Alvas da Senhora da Vitória. Na mesma altura, um outro fogo florestal afetou parcialmente a Alva da Mina de Azeche.
Em Julho de 2010, um outro incêndio na Alva da Senhora da Vitória, encostada ao Pinhalinho (área para onde está previsto o Plano de Pormenor do Camarção – o projeto do golfe na Pedra do Ouro), destruiu cerca de 30 ha.

O incêndio em Julho de 2010

O processo de reflorestação da área ardida já recomeçou. As árvores queimadas foram cortadas, os terrenos preparados e os novos pinheiros já foram colocados.



A reflorestação da Alva da Senhora da Vitória, em Janeiro de 2012