A notícia em:
https://www.jn.pt/nacional/as-zonas-de-portugal-ameacadas-pela-subida-dos-oceanos-em-2050-11461882.html
As zonas de Portugal ameaçadas pela subida dos oceanos até 2050
Um estudo científico divulgado na terça-feira estima que as vidas de 300 milhões de habitantes de zonas costeiras no Mundo todo podem estar ameaçadas pela subida do nível do mar até 2050. Um mapa da ONG Climate Central mostra as regiões portuguesas que se estima serem afetadas.
A investigação, publicada na revista científica "Nature Communications", aponta a Ásia como a região mais vulnerável, somando mais de um terço do total de vítimas estimadas, divididas pela China, Bangladesh, Índia, Vietname, Indonésia e Tailândia.
Apesar de as previsões sobre a subida do nível dos oceanos não terem mudado, foram agora identificadas "muito mais pessoas a viverem em regiões vulneráveis". Isto porque os cientistas corrigiram e aprimoraram dados existentes sobre o relevo das zonas costeiras usando um algoritmo de inteligência artificial, explicou um dos autores do estudo e presidente da ONG Climate Central, Ben Strauss, citado pela agência noticiosa AFP. O artigo científico e o relatório sobre o mesmo detalham os métodos e resultados da investigação a nível global e para cada uma de 135 nações.
A Climate Central, que analisa e relata sobre temas relacionados com o clima, publicou um mapa em que mostra os territórios em risco de ficarem inundados em 2050. Em Portugal - veja o mapa aqui - algumas das zonas em risco assinaladas são Viana do Castelo, Esposende, Fão, Apúlia, Vila do Conde, Matosinhos, Espinho, Esmoriz, Ovar, Torreira, Aveiro, São Martinho do Porto, Caldas da Rainha, Alcobaça, Figueira da Foz, Montemor-o-Velho, cidades contíguas ao Estuário do Tejo como Lisboa, Vila Franca de Xira, Carregado, Montijo, Moita, Azambuja, Benavente, Alcochete, e zonas da costa algarvia.
Desde 2006 que o nível das águas sobe em média cerca de quatro milímetros por ano, uma cifra que pode ser multiplicada por 100 se as emissões de gases com efeito de estufa continuarem inalteradas, de acordo com um relatório divulgado em setembro pelo Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas, que integra membros da ONU.
Se o aumento da temperatura global for limitado a 2ºC acima dos valores médios da era pré-industrial, conforme prevê o Acordo de Paris sobre alterações climáticas, de 2015, o nível dos oceanos subirá cerca de 50 centímetros até 2100. Contudo, se as emissões poluentes continuarem ao ritmo atual, a subida das águas poderá ser quase duas vezes mais significativa.
Para sugestões, comentários, críticas e afins: sapinhogelasio@gmail.com
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quinta-feira, 31 de outubro de 2019
domingo, 9 de agosto de 2015
O clima do litoral de Pataias
Nevoeiro de manhã, ventania à tarde.
Especialmente durante o Verão, conhece-se a grande diferença entre o estado de tempo existente em Pataias e as condições meteorológicas do litoral. Os nevoeiros matinais e a nortada à tarde são verdadeiros ex-libris das nossas praias. A maior parte das vezes, os contrastes existentes são tão grandes que há uma fronteira invisível que se estende até ao “cruto”do vale de Paredes, que anuncia a entrada “num outro país”.
Os nevoeiros matinais
O nevoeiro forma-se por condensação do vapor de água, em condições de estabilidade, nas camadas mais baixas da atmosfera. Na sua génese, os nevoeiros podem ser classificados como de advecção, de radiação, mistos de advecção/radiação, orográficos e frontais.
No nosso litoral, os nevoeiros mais comuns são os de advecção. Os nevoeiros de advecção resultam do movimento horizontal do ar sobre uma superfície de terra ou de água.
No mar, junto à costa ocidental o nevoeiro ocorre com mais frequência no Verão, durante a madrugada e manhã. A sua origem está associada ao movimento Oeste-Este das massas de ar e à sua condensação sobre as massas continentais arrefecidas durante a noite e ainda sobre as águas atlânticas costeiras, também elas arrefecidas, mas pelos fenómenos de upwelling comuns nessa altura do ano. Esse arrefecimento vai provocar a condensação do vapor de água existente nas massas de ar e a consequente formação do nevoeiro. Durante a tarde, o nevoeiro tem tendência a dissipar-se, como consequência do aquecimento e da intensificação da brisa.
Este tipo de nevoeiro é particularmente intenso a norte do cabo Carvoeiro e em terra apenas afeta uma estreita faixa litoral.
Dois outros factos podem ainda ajudar a explicar a ocorrência e intensidade destes nevoeiros matinais:
- Em primeiro, a grande cobertura vegetal existente (associada às matas nacionais que se estendem de Mira até à Nazaré), com grande evapotranspiração associada, e consequentemente uma maior humidade absoluta.
- Em segundo, o perfil de arriba em algumas secções da costa, que obriga a uma subida das massas de ar oceânicas e ao seu consequente arrefecimento (e posterior condensação).
A ocorrência destes nevoeiros matinais no litoral de Pataias pode ocorrer cerca de 23 dias por ano, com especial incidência nos meses de Verão.
A “nortada”
Ao contrário do processo de formação do nevoeiro que é um fenómeno local, a “nortada” insere-se num conjunto de circunstâncias associadas aos grandes movimentos da atmosfera.
Tipicamente, a “nortada” acontece no Verão, altura em que o Anticiclone dos Açores viaja para norte da península ibérica, para latitudes semelhantes às da Bretanha (França), e faz sentir a sua influência a partir das ilhas britânicas.
Paralelamente, o interior da Península Ibérica sofre um forte aquecimento (estamos no verão, o que acentua o fenómeno da continentalidade), o que vai criar no seu interior um centro de baixas pressões de origem térmica. Sabendo-se que as massas de ar se deslocam das zonas de anticiclones (altas pressões) para os centros depressionários (baixas pressões), este movimento vai criar um vento constante que no nosso litoral tem o sentido Norte-Sul ou Noroeste-Sudeste, dando origem à “nortada”. O fenómeno é maior durante a tarde, devido ao maior aquecimento do interior da Península Ibérica (acentuando as baixas pressões aí existentes) quando comparado com outros períodos do dia (manhã ou noite,por exemplo).
Não deixa de ser curioso que o aumento da intensidade do vento durante a tarde vai contribuir para dissipar o nevoeiro existente, mas ao mesmo tempo vai intensificar o fenómeno de upwelling, uma das causas do nevoeiro no nosso litoral.
Glossário
Upwelling – fenómeno ocorrido nos oceanos que carateriza o movimento das águas desde zonas mais profundas até à superfície, isto é, uma corrente vertical do fundo para a superfície. Neste fenómeno, está envolvido o transporte de águas profundas mais frias e ricas em nutrientes até à superfície. Os nitratos e fosfatos arrastados podem assim ser utilizados pelos organismos para produzirem matéria orgânica, resultando numa elevada concentração de nutrientes e elevada produção primária à superfície que suporta o crescimento do zooplâncton, de peixes e aves marinhas.
O fenómeno de upwelling carateriza-se assim, também, por um arrefecimento ligeiro das águas superficiais.
Continentalidade – É um dos fatores climáticos mais significativos. Definido pela proximidade ou afastamento de um lugar relativamente às massas oceânicas, carateriza-se pela influência das mesmas sobre a temperatura e a precipitação. Nos locais próximos do oceano, as temperaturas são mais amenas e constantes, apresentando uma menor amplitude térmica e registando valores de precipitação mais elevados. Nas regiões mais afastadas dos oceanos e no interior dos continentes, as amplitudes térmicas são maiores (apresentando temperaturas mínimas mais baixas e temperaturas máximas mais altas), registando-se ainda uma forte diminuição da precipitação.
Paredes da Vitória - o estado de tempo raramente é igual ao de Pataias, apenas 5km para o interior
Especialmente durante o Verão, conhece-se a grande diferença entre o estado de tempo existente em Pataias e as condições meteorológicas do litoral. Os nevoeiros matinais e a nortada à tarde são verdadeiros ex-libris das nossas praias. A maior parte das vezes, os contrastes existentes são tão grandes que há uma fronteira invisível que se estende até ao “cruto”do vale de Paredes, que anuncia a entrada “num outro país”.
Os nevoeiros matinais
O nevoeiro forma-se por condensação do vapor de água, em condições de estabilidade, nas camadas mais baixas da atmosfera. Na sua génese, os nevoeiros podem ser classificados como de advecção, de radiação, mistos de advecção/radiação, orográficos e frontais.
No nosso litoral, os nevoeiros mais comuns são os de advecção. Os nevoeiros de advecção resultam do movimento horizontal do ar sobre uma superfície de terra ou de água.
A formação do nevoeiro de advecção, característico do nosso litoral
No mar, junto à costa ocidental o nevoeiro ocorre com mais frequência no Verão, durante a madrugada e manhã. A sua origem está associada ao movimento Oeste-Este das massas de ar e à sua condensação sobre as massas continentais arrefecidas durante a noite e ainda sobre as águas atlânticas costeiras, também elas arrefecidas, mas pelos fenómenos de upwelling comuns nessa altura do ano. Esse arrefecimento vai provocar a condensação do vapor de água existente nas massas de ar e a consequente formação do nevoeiro. Durante a tarde, o nevoeiro tem tendência a dissipar-se, como consequência do aquecimento e da intensificação da brisa.
Este tipo de nevoeiro é particularmente intenso a norte do cabo Carvoeiro e em terra apenas afeta uma estreita faixa litoral.
Dois outros factos podem ainda ajudar a explicar a ocorrência e intensidade destes nevoeiros matinais:
- Em primeiro, a grande cobertura vegetal existente (associada às matas nacionais que se estendem de Mira até à Nazaré), com grande evapotranspiração associada, e consequentemente uma maior humidade absoluta.
- Em segundo, o perfil de arriba em algumas secções da costa, que obriga a uma subida das massas de ar oceânicas e ao seu consequente arrefecimento (e posterior condensação).
A ocorrência destes nevoeiros matinais no litoral de Pataias pode ocorrer cerca de 23 dias por ano, com especial incidência nos meses de Verão.
Um exemplo dos nevoeiros de advecção matinais, junto ao litoral
A “nortada”
Ao contrário do processo de formação do nevoeiro que é um fenómeno local, a “nortada” insere-se num conjunto de circunstâncias associadas aos grandes movimentos da atmosfera.
Tipicamente, a “nortada” acontece no Verão, altura em que o Anticiclone dos Açores viaja para norte da península ibérica, para latitudes semelhantes às da Bretanha (França), e faz sentir a sua influência a partir das ilhas britânicas.
Situação meteorológica típica de Verão, com o Anticiclone dos Açores sobre as ilhas britânicas e uma depressão de origem térmica no centro da Península Ibérica
Paralelamente, o interior da Península Ibérica sofre um forte aquecimento (estamos no verão, o que acentua o fenómeno da continentalidade), o que vai criar no seu interior um centro de baixas pressões de origem térmica. Sabendo-se que as massas de ar se deslocam das zonas de anticiclones (altas pressões) para os centros depressionários (baixas pressões), este movimento vai criar um vento constante que no nosso litoral tem o sentido Norte-Sul ou Noroeste-Sudeste, dando origem à “nortada”. O fenómeno é maior durante a tarde, devido ao maior aquecimento do interior da Península Ibérica (acentuando as baixas pressões aí existentes) quando comparado com outros períodos do dia (manhã ou noite,por exemplo).
O movimento das massas de ar no hemisfério norte entre os centros de Alta Pressão (H - "high" em inglês) e de Baixa Pressão (L - "low" em inglês)
Não deixa de ser curioso que o aumento da intensidade do vento durante a tarde vai contribuir para dissipar o nevoeiro existente, mas ao mesmo tempo vai intensificar o fenómeno de upwelling, uma das causas do nevoeiro no nosso litoral.
Glossário
Upwelling – fenómeno ocorrido nos oceanos que carateriza o movimento das águas desde zonas mais profundas até à superfície, isto é, uma corrente vertical do fundo para a superfície. Neste fenómeno, está envolvido o transporte de águas profundas mais frias e ricas em nutrientes até à superfície. Os nitratos e fosfatos arrastados podem assim ser utilizados pelos organismos para produzirem matéria orgânica, resultando numa elevada concentração de nutrientes e elevada produção primária à superfície que suporta o crescimento do zooplâncton, de peixes e aves marinhas.
O fenómeno de upwelling carateriza-se assim, também, por um arrefecimento ligeiro das águas superficiais.
Continentalidade – É um dos fatores climáticos mais significativos. Definido pela proximidade ou afastamento de um lugar relativamente às massas oceânicas, carateriza-se pela influência das mesmas sobre a temperatura e a precipitação. Nos locais próximos do oceano, as temperaturas são mais amenas e constantes, apresentando uma menor amplitude térmica e registando valores de precipitação mais elevados. Nas regiões mais afastadas dos oceanos e no interior dos continentes, as amplitudes térmicas são maiores (apresentando temperaturas mínimas mais baixas e temperaturas máximas mais altas), registando-se ainda uma forte diminuição da precipitação.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Conferência sobre as alterações climáticas
Do site da Câmara Municipal da Marinha Grande
No dia 27 de Maio, pelas 21h00, vai realizar-se no Auditório da Biblioteca Municipal da Marinha Grande (Junto à Praça Guilherme Stephens) um colóquio sobre “ Alterações Climáticas”. Promovido pela Câmara Municipal em colaboração com a Oikos- Associação de Defesa do Ambiente e do Património da Região de Leiria, conta com a participação do Professor Doutor Filipe Duarte Santos.
Esta conferência insere-se nas comemorações do Ano Internacional da Biodiversidade/2010 e é moderada por José Castro, da Oikos. A entrada é livre.
O Professor Doutor Filipe Duarte Santos, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, é um reconhecido investigador na área do ambiente e das alterações climáticas que muito tem contribuído ao longo das últimas décadas para uma fundamentação rigorosa das políticas públicas nas áreas do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.
Este colóquio tem como principais objectivos reflectir e discutir as causas e consequências das alterações climáticas e suas implicações, aos diversos níveis, particularmente em termos de desertificação, quer à escala global, quer às escalas nacional e regional.
Pretende-se ainda sensibilizar e incentivar a população em geral e toda a comunidade escolar em particular, bem como todos os restantes agentes (poderes central, regional e local, agentes económicos, ONGA’s e outras ONG’s), para as problemáticas das alterações climáticas no sentido da adopção de práticas e comportamentos que possam contribuir para minimizar este problema, contribuindo também para uma verdadeira cidadania ambiental.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas
Resolução do Conselho de Ministros n.º 24/2010 de 1 de Abril
Aprova a Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas
Aprova a Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas
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