6ª feira dia 21 de Janeiro, pelas 20h nas Termas da Piedade
Do pataias.net, a seguinte notícia
"Pataienses:
Vai o ROTARY CLUBE DE ALCOBAÇA, distinguir o cidadão JOSÉ JACINTO FERNANDES com um "Reconhecimento Profissional", a exemplo do que tem acontecido anualmente com outras figuras do nosso concelho.
A sua realização terá lugar na 6ª.Feira, dia 21 de Janeiro de 2011, a partir das 20.00 Horas, no "Your Hotel & SPA" (Termas da Piedade - Fervença), no decorrer de um jantar em sua homenagem.
Sendo o Senhor Professor José JACINTO Fernandes, uma figura de grande prestigio e popularidade em toda a nossa região - pois tendo sido um Docente de reconhecido mérito, muitos Pataienses passaram pelas suas mãos e tendo desempenhado diversos cargos nas diversas associações e sido Comandante dos Bombeiros Voluntário de Pataias durante mais de dez anos - admitimos haver um expressivo número de presenças, pelo que solicitamos a todos quantos queiram estar presentes, procedam À SUA INSCRIÇÃO junto do nosso Compº. Albino Coutinho, pelo telefone 244.580.520 ou pelo Telem. 96.5089477.
Cada inscrição: € 20,00.
Para sugestões, comentários, críticas e afins: sapinhogelasio@gmail.com
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Burinhosa vence em Venda Nova
O CCRD Burinhosa venceu por 8-4 na deslocação até Venda Nova. Com este resultado, a equipa soma agora 20 pontos (12J;6V2E4D;49-41), com 6 pontos de vantagem sobre a linha de água e apenas a 2 da 3ª posição.
O líder e o Ereira e Benfica com 34 pontos.
Mais informações em: http://www.infutsal.com/3o-divisao-serie-c/resultsranking/38.html.
O líder e o Ereira e Benfica com 34 pontos.
Mais informações em: http://www.infutsal.com/3o-divisao-serie-c/resultsranking/38.html.
CD Pataiense vence
Na décima quarta jornada, o CD Pataiense bateu em casa o Sport Lisboa e marinha por 1-0.
Com este resultado, a equipa soma agora 22 pontos (14J;6V4E4D;17-15), a 10 do líder Ginásio de Alcobaça, derrotado em casa.
Mais informações em: http://futeboldistritaldeleiria.blogspot.com
Com este resultado, a equipa soma agora 22 pontos (14J;6V4E4D;17-15), a 10 do líder Ginásio de Alcobaça, derrotado em casa.
Mais informações em: http://futeboldistritaldeleiria.blogspot.com
domingo, 16 de janeiro de 2011
AD Ferraria empata com líder
A AD Ferraria quebrou a série vitoriosa ao empatar em casa com o líder do campeonato o Catarinense a 3-3.
A equipa soma agora 10 pontos (11J;3V1E7D;29-45).
Mais informações em: http://www.infutsal.com/1o-divisao-zona-sul/resultsranking/32.html.
A equipa soma agora 10 pontos (11J;3V1E7D;29-45).
Mais informações em: http://www.infutsal.com/1o-divisao-zona-sul/resultsranking/32.html.
Futuro Lar de Pataias sem apoios estatais
A notícia, atrasada, é da Rádio Cister
A Associação de Bem-Estar de Pataias já sabe que não vai contar com a ajuda do Estado para construir um Lar para Idosos.
Apesar da contrariedade, a Instituição não desistiu da ideia e conseguiu, entretanto, resolver a um custo baixo a questão do espaço físico para a construção das instalações.
A Câmara Municipal de Alcobaça vendeu por mil euros um terreno de 23.880 metros quadrados à Associação de Bem-Estar Social e Ocupação de Tempos Livres de Pataias (ABETL).
A instituição vai construir um Lar de Idosos, junto às instalações do ATL e Centro de Dia, mas não terá o apoio do Estado, o que já motivou protestos da CDU.
Rogério Raimundo não compreende a decisão da tutela, que considera que Alcobaça já tem o número suficiente de Lares de Terceira Idade, “quando não existe nenhum no norte do concelho”, argumenta.
Segundo a tutela, a não comparticipação do Estado à construção do novo Lar deve-se ao facto do concelho ter já um número suficiente de Instituições para esse fim.
A CDU contrapõe e afirma que o “norte do concelho não tem nenhum e existem listas de espera para os que estão já em funcionamento”.
sábado, 15 de janeiro de 2011
Luis Lobo Henriques distinguido
A notícia é do Região de Cister, edição 908 de 13 de Janeiro
Luís Lobo Henriques vence prémio Photo
Luís Lobo Henriques, professor na EB 2 3 D. Dinis, em Leiria, foi o vencedor do prémio da revista francesa especializada em fotografia, Photo, sobre a temática do design. O galardão conta com o patrocínio da Pentax. A foto vencedora, explica o premiado, que desde 1984 publicou três vezes na revista, foi feita na Livraria Lello, no Porto e apresenta a escadaria monumental do estabelecimento. “Tem uma cor fantástica. No enquadramento, apareceu-me, por sorte, uma funcionária, vestida de negro e que, de braços abertos responde a um colega que a chama”, explica.
A técnica do fotógrafo, no sítio e momento certos, fez o resto. A foto em questão foi já editada no livro Sensibilidades 25, que junta 25 fotógrafos do distrito, e faz parte de uma exposição patente em Pombal, sobre o mesmo livro. Pode ser vista na edição deste mês da Photo e na página de Facebook de Luís Lobo Henriques..
Comentário
Luís Lobo Henriques, não sendo de Pataias, tem entre os seus trabalhos diversas fotografias da freguesia, nomeadamente do litoral: Polvoeira, Paredes da Vitória e Vale Furado.
Algumas dessas fotografias têm sido aqui divulgadas.
Os parabéns ao Luís e que depois deste venham muitos mais.
http://sapinhogelasio.blogspot.com/2009/12/polvoeira.html
http://sapinhogelasio.blogspot.com/2010/01/vale-furado.html
http://sapinhogelasio.blogspot.com/2009/12/vale-furado.html
http://sapinhogelasio.blogspot.com/2010/06/paredes-da-vitoria.html
Associação de Pais já tem direcção
A notícia é do Região de Cister, edição 908 de 13 de Janeiro
Pataias
Associação de pais garante nova direcção
Depois de uma tentativa mal sucedida de encontrar sucessores na Direcção da Associação de Pais e Encarregados de Educação do Agrupamento de Escolas de Pataias, 13 pais e mães disponibilizaram-se, na passada sexta-feira, para ocupar cargos na Direcção, Assembleia Geral e Conselho Fiscal. Apesar de encontradas as pessoas, ainda não está definido quem ficará em que lugar, o que deverá acontecer esta noite, disse ao REGIÃO DE CISTER Vítor Pereira, presidente cessante da Direcção. O responsável faz um balanço positivo dos quatro anos que dirigiu a associação e dois dois que integrou o Conselho Fiscal. “Conseguimos ganhar algumas batalhas”, refere Vítor Pereira, referindo-se a alguns aspectos das condições de aprendizagem dos alunos.
Pataias
Associação de pais garante nova direcção
Depois de uma tentativa mal sucedida de encontrar sucessores na Direcção da Associação de Pais e Encarregados de Educação do Agrupamento de Escolas de Pataias, 13 pais e mães disponibilizaram-se, na passada sexta-feira, para ocupar cargos na Direcção, Assembleia Geral e Conselho Fiscal. Apesar de encontradas as pessoas, ainda não está definido quem ficará em que lugar, o que deverá acontecer esta noite, disse ao REGIÃO DE CISTER Vítor Pereira, presidente cessante da Direcção. O responsável faz um balanço positivo dos quatro anos que dirigiu a associação e dois dois que integrou o Conselho Fiscal. “Conseguimos ganhar algumas batalhas”, refere Vítor Pereira, referindo-se a alguns aspectos das condições de aprendizagem dos alunos.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Noite de fados em Lisboa
A notícia é do Região de Cister, edição 908 de 13 de Janeiro
Pataias
Noite de fados em Fevereiro
A Comissão de Festas de Nossa Senhora da Vitória, de Pataias, promove em Fevereiro uma noite de fados com jantar no Bairro Alto, em Lisboa. O evento está marcado para dia 5 daquele mês, apesar de ainda estar sujeito a confirmação. A organização assegura também o transporte. As reservas pode ser efectuadas através do número 965051333.
Pataias
Noite de fados em Fevereiro
A Comissão de Festas de Nossa Senhora da Vitória, de Pataias, promove em Fevereiro uma noite de fados com jantar no Bairro Alto, em Lisboa. O evento está marcado para dia 5 daquele mês, apesar de ainda estar sujeito a confirmação. A organização assegura também o transporte. As reservas pode ser efectuadas através do número 965051333.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Paredes da Vitória e Polvoeira candidatas à Bandeira Azul
A notícia é do Região de Cister, edição 908 de 13 de Janeiro
São Martinho do Porto, Paredes da Vitória e Polvoeira
Alcobaça concorre a três Bandeiras Azuis
A Câmara de Alcobaça está a equacionar candidatar três praias à Bandeira Azul, depois de dois anos em que o concelho não recebeu nenhum galardão.
O vereador do Ambiente, Hermínio Rodrigues, disse ao REGIÃO DE CISTER que a decisão ainda não é definitiva, mas deverão ser candidatadas apenas as praias de São Martinho do Porto, Paredes da Vitória e Polvoeira, já que nas restantes não existem apoios de praia, um dos requisitos para a atribuição daquele título.
É a primeira vez que a praia de São Martinho do Porto é candidatada à Bandeira Azul, depois de muitos anos de problemas ambientais, nomeadamente com a água da baía.
Quanto a Paredes da Vitória, entre 1991 e 2001 a Bandeira Azul esteve presente. A sua ausência prendeu-se com a inexistência de saneamento básico na localidade, pelo que a autarquia optou por não candidatar aquela praia ao galardão.
Já a Polvoeira, onde está a ser construído o apoio de praia, teve Bandeira Azul durante vários anos, mas o fogo que consumiu o apoio de praia há cinco anos fez a Polvoeira perder o direito à candidatura.
As praias da Légua, Água de Madeiros, Pedra do Ouro e Vale Furado não podem ser candidatadas pela ausência de apoios de praia e concessionários.
O Programa da Bandeira Azul da Europa iniciou-se à escala europeia, em 1987, integrada no programa do Ano Europeu do Ambiente.
São Martinho do Porto, Paredes da Vitória e Polvoeira
Alcobaça concorre a três Bandeiras Azuis
A Câmara de Alcobaça está a equacionar candidatar três praias à Bandeira Azul, depois de dois anos em que o concelho não recebeu nenhum galardão.
O vereador do Ambiente, Hermínio Rodrigues, disse ao REGIÃO DE CISTER que a decisão ainda não é definitiva, mas deverão ser candidatadas apenas as praias de São Martinho do Porto, Paredes da Vitória e Polvoeira, já que nas restantes não existem apoios de praia, um dos requisitos para a atribuição daquele título.
É a primeira vez que a praia de São Martinho do Porto é candidatada à Bandeira Azul, depois de muitos anos de problemas ambientais, nomeadamente com a água da baía.
Quanto a Paredes da Vitória, entre 1991 e 2001 a Bandeira Azul esteve presente. A sua ausência prendeu-se com a inexistência de saneamento básico na localidade, pelo que a autarquia optou por não candidatar aquela praia ao galardão.
Já a Polvoeira, onde está a ser construído o apoio de praia, teve Bandeira Azul durante vários anos, mas o fogo que consumiu o apoio de praia há cinco anos fez a Polvoeira perder o direito à candidatura.
As praias da Légua, Água de Madeiros, Pedra do Ouro e Vale Furado não podem ser candidatadas pela ausência de apoios de praia e concessionários.
O Programa da Bandeira Azul da Europa iniciou-se à escala europeia, em 1987, integrada no programa do Ano Europeu do Ambiente.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Época balnear nas praias do concelho
A notícia já era conhecida, mas é hoje divulgada pela Rádio Cister.
A Câmara Municipal de Alcobaça vai manter o período de funcionamento da época balnear como funcionou em 2010.
A vigilância na praia de Paredes de Vitória, na freguesia de Pataias, começará a ser feita a 1 de Junho de 2011, enquanto em São Martinho do Porto a "época de verão" começará 15 dias depois.
O fim da época balnear está marcado para 15 de Setembro, tal como no ano passado.
Paulo Inácio, presidente da Câmara Municipal de Alcobaça, esclareceu que “a definição das épocas balneares aconteceu em consonância com as associações de banheiros”, pois são os concessionários que, na maioria dos casos, pagam aos nadadores-salvadores.
O próximo verão poderá, ainda, ficar marcado pelo regresso das Bandeiras Azuis às praias do concelho de Alcobaça. No ano passado, por decisão do executivo camarário, nenhuma praia foi candidatada ao símbolo. A maioria encontrava-se a meio de um processo de obras de requalificação urbana ou ambiental, outras tinham problemas com os apoios de praia.
Comentário
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
AD Ferraria cilindra Ginásio de Alcobaça
A AD Ferraria iniciou o ano com a continuação dos bons resultados com que terminou 2010.
Desta feita, na deslocação até à sede do concelho e frente a um adversário directo na luta pela manutenção, a AD Ferraria cilindrou autenticamente o Ginásio local ao vencer por 5-1.
Com este resultado, a equipa soma 9 pontos (10J;3V7D;27-42), cinco pontos acima da linha de água.
Mais informações aqui.
Desta feita, na deslocação até à sede do concelho e frente a um adversário directo na luta pela manutenção, a AD Ferraria cilindrou autenticamente o Ginásio local ao vencer por 5-1.
Com este resultado, a equipa soma 9 pontos (10J;3V7D;27-42), cinco pontos acima da linha de água.
Mais informações aqui.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Paulo Inácio em entrevista ao Tinta Fresca
A entrevista está no jornal on-line "Tinta Fresca"
Grande entrevista com o presidente da Câmara Municipal de Alcobaça
Paulo Inácio faz balanço do ano de mandato:
"Alcobaça tem agora uma estratégia e rumo"
O presidente da Câmara Municipal de Alcobaça concedeu uma entrevista ao Tinta Fresca onde faz o balanço do seu primeiro ano de mandato. Pródigo em ideias, Paulo Inácio lançou durante 2010 cerca de uma dúzia de novos projectos, nomeadamente, a criação de dois parques verdes na cidade, de um centro de negócios na antiga cooperativa agrícola, que incluirá um call center, a renegociação do contrato com a Águas do Oeste, assumindo que houve um grave erro de cálculo na quantidade de água contratualizada pela autarquia, a revitalização do Museu Nacional do Vinho e a proposta da criação e instalação do Museu da Língua Portuguesa no Mosteiro de Alcobaça, Património da Humanidade, mas recusa a ideia de ter pouca obra realizada, dado ter dado prioridade à estratégia para o concelho e estar em funções há pouco mais de um ano.
TINTA FRESCA – O Museu da Língua Portuguesa não é uma proposta de alto risco, sabendo que no Brasil está localizada em S. Paulo, a maior metrópole e capital económica do País, ao contrário do que sucede com Alcobaça?
PAULO INÁCIO - É verdade, reconheço que é uma pretensão ambiciosa, mas reconheço também factores que nos põem numa posição singular. Um é geográfico, estamos no centro do País, não estamos longe de Lisboa e temos boas vias de comunicação e a centralidade em termos de território nacional é muito importante. Por outro lado, temos legitimidade cultural e histórica e, suplementarmente, a Língua Portuguesa também é da Humanidade e deve estar num Património da Humanidade (Mosteiro de Alcobaça). Portugal tem de se afirmar, como no passado, não só através da sua Capital, mas como um País milenar e como uma nação das mais antigas da Europa e tudo isto são factores favoráveis à nossa candidatura.
TINTA FRESCA - Mas houve alguma conversa com a direcção do IGESPAR, uma vez que é o IGESPAR que detém a tutela do monumento?
PAULO INÁCIO - Não, eu gosto de lançar reptos. Fiz uma reflexão profunda no sentido de encontrar um projecto estruturante para o Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça. E achei que este era um projecto estruturante e ambicioso, pois trata-se de um projecto com ambições globais. Após essa reflexão, achei por bem anunciar este repto à Nação portuguesa porque acho que é uma vergonha para o Estado português não ter o Museu da Língua Portuguesa, ao contrário do Brasil, que fez essa opção de forma inequívoca e clara. Sendo o Brasil o maior País de expressão Língua portuguesa, faz sentido que o tenha criado, mas qualquer dia assistimos a um contágio de todos os PALOP e só Portugal não tem este museu e o País tem de rapidamente colmatar esta lacuna.
O Estado português há três ou quatro anos fez esta reflexão, estudou o assunto e depois abandonou o projecto. Eu só estive atento e, no momento oportuno, achei que tínhamos legitimidade para esta candidatura. E penso que resolvia muitos problemas da nossa cidade e do nosso concelho. Primeiro porque nos afirmávamos categoricamente no contexto turístico internacional e, por outro lado, porque o turismo escolar nacional também obrigatoriamente teria que passar pela nossa cidade. Desta forma, iríamos confirmar em absoluto a canção “Quem passa por Alcobaça, não passa sem cá voltar”.
O Mosteiro por si só é motivo suficiente para que gerações sucessivas voltem a Alcobaça, mas se houvesse esta complementaridade seria algo extraordinário. É muito ambicioso, mas sem utopias não avançamos.
Aquando a inauguração do Museu da Imagem em Movimento (mimo), em Leiria, apresentei as minhas razões à ministra da Cultura e ela disse-me que teríamos de fazer uma reunião e estudar profundamente o assunto. Estou convencido que se o Estado português der um pequeno sinal de que quer executar este projecto, nós certamente vamos encontrar académicos e parceiros institucionais para reforçar a nossa candidatura.
A Câmara Municipal de Alcobaça precisa só de um pequeno sinal do Estado português para procurar parceiros em todas as áreas. Acredito no nosso legado enquanto concelho, enquanto Património da Humanidade, acredito que nos vai trazer grandes parceiros para que este objectivo seja alcançado, só precisamos de ter a confirmação do Estado.
TINTA FRESCA - Em que ponto estão os outros museus do concelho, nomeadamente, o Museu Nacional do Vinho?
PAULO INÁCIO - Este Executivo tem um ano e tem uma cartilha enorme de assuntos para tratar em simultâneo e estamos em várias frentes. Essa foi uma frente que acompanhámos desde início, mas é um processo que tem emperrado em virtude de falta de coordenação política das medidas compensatórias da Ota. Tenho a informação que em Janeiro haverá um debate de urgência, solicitado pelo PSD, na Assembleia da República e tenho esperança que até lá algumas questões processuais por parte do Estado português sejam mais céleres.
Compreendemos a situação financeira que estamos a atravessar, mas essa medida compensatória da Ota até passava pela entrega do património em condições (requalificado) à Câmara de Alcobaça. Eu já só estou no patamar da entrega do património, para a Câmara poder abrir a porta aos seus turistas, para que o turismo seja revitalizado na cidade. Tenho apenas de ter garantias absolutas de que o acervo patrimonial volte todo, uma vez que tenho informações de que algum está disperso.
Tenho a expectativa de que nos próximos meses o assunto seja resolvido superficialmente, porque não acredito que o Estado português ou a Câmara tenham condições para fazer intervenções profundas no museu. Contudo, tenho esperança de que ocorra, pelo menos, a entrega do museu à Câmara Municipal.
TINTA FRESCA - Ainda haverá tempo de lançar uma candidatura a fundos comunitários, enquanto não se esgotam, para a recuperação do Museu Nacional do Vinho?
PAULO INÁCIO - Se não houver uma entrega de propriedade, será muito difícil a Câmara Municipal de Alcobaça poder candidatar-se a fundos comunitários. Isso é um problema. A entrega da propriedade tem que passar por uma mutação da lei das finanças, para possibilitar a transmissão de propriedade por um valor simbólico, e poder assim cumprir aquilo que o Estado português contratualizou no âmbito do Plano de Acção do Oeste. Portanto, é preciso coordenação política no Governo para que isto se afirme.
De qualquer forma, a visita do ministro da Agricultura teve uma consequência muito boa para o concelho de Alcobaça. Tenho informações oficiosas, não oficiais, de que a candidatura do regadio da Cela Velha foi aprovada. Estávamos há 4 ou 5 anos à espera que ela fosse aprovada e estamos a falar de um investimento na ordem dos 6 milhões de euros.
TINTA FRESCA - Em relação ao museu de cerâmica Raul da Bernarda, a autarquia já adquiriu o espólio?
PAULO INÁCIO - Não, a Câmara abriu as portas do Museu e queremos formalizar esse assunto o mais rapidamente possível, mas não depende só da Câmara Municipal. Ainda não está formalizada a doação do espólio dos familiares e há questões de pormenor, mas, independentemente dessa espera, a Câmara Municipal adquiriu o imóvel e comunicou aos proprietários que o ia abrir.
TINTA FRESCA - O Armazém das Artes, outra importante instituição cultural da cidade, investiu quase dois milhões de euros e está em risco de fechar portas, uma vez que os custos são muitos e não tem tido apoios.
PAULO INÁCIO - Se isso vier a acontecer é muito preocupante, porque se trata de um património importante para a cidade e acho que a cidade de Alcobaça se deve orgulhar do Armazém das Artes. A Câmara Municipal tem feito alguma coisa, nomeadamente a nível institucional junto da EDP para que tivesse um regime de tarifa excepcional, mas não sei se isso já deu resultados ou não. Aquando da inauguração da empresa Canas, no Casal da Areia, voltei a falar dessa matéria e mandei documentação para a EDP nesse sentido. Vamos ver que outras formas de apoio poderá haver, sendo certo que estamos todos num contexto financeiro muito difícil.
TINTA FRESCA - O Escultor José Aurélio disse que fez algumas propostas à Câmara e que esta mostrou alguma receptividade, mas depois não houve desenvolvimentos.
PAULO INÁCIO - Há a possibilidade de técnicos fazerem prestações de serviços, mas teremos de estudar essa hipótese e o Armazém das Artes ainda não formalizou em concreto nenhuma proposta. O que eu digo é o seguinte: é um património que nos orgulha e que é importante para a cidade, mas, concomitantemente, estamos todos com grandes dificuldades.
TINTA FRESCA - Qual é o ponto da situação da construção dos novos centros escolares?
PAULO INÁCIO - A carta educativa aponta para seis centros escolares, agora a calendarização da mesma está subjacente ao programa de QREN e não sei o que vai acontecer ao próprio QREN.
TINTA FRESCA - A Câmara só avança para os seis centros escolares se tiverem apoio do QREN?
PAULO INÁCIO - É óbvio. Os centros escolares só são exequíveis no âmbito do QREN. Até com o QREN é um esforço muito grande.
TINTA FRESCA - Já há algumas candidaturas aprovadas?
PAULO INÁCIO - O projecto dos centros escolares que está mais adiantado é o de Pataias. Temos também QREN parcialmente aprovado para Turquel e Alfeizerão. Mas a Europa está com grandes mutações e temos de estar atentos.
TINTA FRESCA - O Centro Escolar de Alcobaça não tem apoio do QREN, mas está já bastante avançado. É para abrir durante 2011?
PAULO INÁCIO - Durante 2011 terá que abrir. Não está ainda definido o timing da sua abertura, porque há várias frentes naquele problema: questões pedagógicas, se é a meio do ano lectivo ou se é no início do próximo, e outras questões ainda por resolver, como seja a presença de uma família de etnia cigana acampada nas imediações e que não é aceitável, além da conclusão das próprias infra-estruturas.
TINTA FRESCA - O que será feito ao parque escolar existente, uma vez que na última década a Câmara investiu muito dinheiro na sua requalificação?
PAULO INÁCIO - Isso está escrito no programa da campanha eleitoral deste Executivo. Vamos dar preferência a experiências de contacto intergeracional, mas para haver este contacto entre as gerações mais novas e as mais idosas e esta partilha de saberes é preciso uma sociedade civil pujante. Há uma lacuna na sociedade, não só alcobacense, como na sociedade portuguesa, que é o contacto intergeracional, e esta podia ser uma oportunidade para o uso destes espaços. As diversas gerações iriam ganhar muito umas com as outras.
Mas quero dizer que a questão das opções dos centros escolares do ponto de vista filosófico e político é indiscutível.
TINTA FRESCA - Mas há autarquias, nomeadamente vizinhas, por exemplo a Câmara de Porto de Mós, que não fizeram nenhum.
PAULO INÁCIO - Certo. É muito discutível. Agora o País, bem ou mal, já trilhou um caminho. Se calhar eu próprio tenho algumas reservas, mas o próprio QREN só existe para os centros escolares ou escolas com mais de cinco salas. Para outras intervenções não há disponibilidade.
A própria Europa também seguiu este caminho, de médios ou grandes centros escolares. Alcobaça não pode ser uma ilha de outro paradigma. Eu, enquanto pai e enquanto cidadão, também reconheço duas realidades: os centros escolares antigos, que tinham ainda a filosofia do Estado Novo, mas também tinham outros valores como a proximidade, familiaridade, solidariedade, e os centros escolares grandes, em que estas características se podem perder. Mas essa discussão política já vem atrasada porque já se tomaram opções.
TINTA FRESCA - Admite, face à actual crise económica, reavaliar o processo?
PAULO INÁCIO - Por isso eu disse que ia estar atento. Foi trilhado um caminho político um pouco irreversível, mas continuo atento ao processo, porque vejo também centros escolares de média dimensão com atenção.
TINTA FRESCA - Tem mantido esse diálogo com os presidentes das Juntas de Freguesia?
PAULO INÁCIO - Sim. Só para dar um exemplo. Fizemos uma intervenção na escola primária de Aljubarrota e a remodelação daquela escola está a ter um óptimo impacto. Fica uma escola com a dimensão necessária, continua a ter proximidade com a população e tenho a certeza que os pais vão ficar satisfeitos com a obra.
Vamos acabar também com uma vergonha para o nosso concelho: na Escola Primária do Bárrio uma das salas está num anexo e vamos fazer essa intervenção de ampliação da Escola Primária do Bárrio. Temos de estar atentos a estas intervenções, tendo escolas com qualidade, vamos ver qual será a velocidade de execução dos outros quatro centros escolares.
TINTA FRESCA - Quais são os encargos financeiros com os novos centros escolares?
PAULO INÁCIO - Os números de Alcobaça e Benedita são importantíssimos e os outros obviamente são completamente diferentes porque têm comparticipação a 80%. O que acho é que a centralidade em termos escolares não vai reduzir custos de manutenção, vai aumentar claramente, porque vai haver mais custos de energia e mais custos de transporte do que temos nas escolas dispersas.
TINTA FRESCA - Outra factura importante é a da Águas do Oeste. Admite que houve alguma precipitação no acordo com a Água do Oeste? Recordo que na altura houve uma espécie de ultimato da empresa pública: ou a Câmara de Alcobaça aderia à Águas do Oeste ou não haveria grandes obras de saneamento no concelho, nomeadamente, em São Martinho do Porto,
PAULO INÁCIO - Acho que houve pressão política na altura e depois também houve erros de cálculo. Houve as duas coisas. A questão política agora já pouco importa, o que quero é tratar a outra questão que é a questão de erros de cálculos. E não é fácil.
TINTA FRESCA - Há outros municípios que estão a reivindicar a diminuição de comparticipações. Existe alguma acção concertada?
PAULO INÁCIO - Eu não tenho toda a informação mas custa-me acreditar que alguém tenha um erro tão grande como o nosso. Há muito tempo que andamos em negociações. A dificuldade de obter um acordo tem a ver com implicações no sistema, mas também há um parecer da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos que de alguma forma recomenda essa conversação e também parte do princípio de algum erro de cálculo.
TINTA FRESCA - Propôs a construção de dois grandes jardins ou de zonas ajardinadas, junto aos Paços do Concelho e na Zona Ribeirinha. Não serão jardins a mais para esta época de crise ou estamos a falar de projectos desfasados temporalmente?
PAULO INÁCIO - Não, acho que não (são jardins a mais). Acho que um parque urbano verde é uma necessidade premente para a cidade e é um parque que também tem pretensões intergeracionais, vai ter infra-estruturas desportivas, desportos radicais e proporcionar lazer junto à zona ribeirinha.
Este parque entronca num projecto lato: nós dissemos à ARH que achávamos que não devia haver nenhum rio na Europa tão perto do mar com tanta diversidade cultural, botânica, etc.. E o que estudámos, reflectimos, o que a ARH tem feito a nosso pedido e estudado com os nossos técnicos foi olhar o rio Alcoa da nascente até ao mar. É um projecto singular e a ARH fez connosco um trabalho extraordinário e muito bem elaborado, que abrange também os campos da Fervença e da Cela Velha.
Tenho a esperança que as dificuldades não impeçam este processo que é longo e faseado. Havendo vontade e um ponto de partida, certamente alguém vai ser um homem feliz quando o acabar, porque globalmente se retoma os Coutos alcobacenses, unindo Alcobaça e Nazaré. Isso revitalizava a veia do Mosteiro, a veia do nosso coração que é o Rio Alcoa.
TINTA FRESCA - Já defendeu que estas requalificações podem potenciar desenvolvimento económico. O Dr. Sapinho enfatizava isso muito, nomeadamente, quando foi a requalificação do Rossio, mas o facto é que embora os autocarros passassem a ficar junto à Câmara, os turistas continuam a entrar todos juntos e a sair todos juntos e a não comprarem quase nada. Apenas caminham mais 300 metros mas parece que ninguém falou com os operadores turísticos para alterar esta situação.
PAULO INÁCIO - Esse é um problema que Alcobaça tem, como outras cidades têm. Por isso é que a Câmara está em vistas de concluir um recrutamento na área do turismo, porque temos muito que fazer nesta matéria dos operadores turísticos. É pena que a sociedade civil não tenha projectos importantes que permita que os turistas fiquem mais do que um dia a tirar prazer da cidade e do concelho.
Para superar este problema seria importantíssimo a criação de um Hotel no Mosteiro, que ajudaria, e muito, na criação de emprego directo e indirecto e de um projecto estruturante como o Museu Nacional da Língua Portuguesa, para os turistas ficarem aqui, pelo menos, o dia todo. Estou mesmo convencido que se isso viesse a ser possível nós triplicávamos ou quadruplicávamos o turismo em Alcobaça.
Mas mesmo sem esses projectos estruturantes, temos muito trabalho a fazer. Temos que melhorar a captação dos operadores turísticos, temos que tomar a percepção que o Mosteiro por si só não chega, temos que ter complementaridade de oferta turística e aí encaixam questões como o Museu do Vinho, o Parque Urbano, projectos pequenos como o Museu Raul da Bernarda, a Estação Eléctrica da Fervença e confluência dos rios Alcoa e Baça. É preciso dar uma oferta complementar, integral, porque pensarmos que o Mosteiro é a âncora do turismo, mas não é tudo.
TINTA FRESCA - O facto é que alguns comerciantes dizem que os turistas são pressionados pelos operadores turísticos para que não façam compras em Alcobaça e as façam em Fátima…
PAULO INÁCIO - Isso são outras práticas comerciais que desconheço.
TINTA FRESCA - Tem havido algum diálogo com a Associação dos Comerciantes acerca da interacção com os operadores turísticos?
PAULO INÁCIO - Não, os comerciantes certamente sabem mais desta matéria do que eu e não tenho pretensões de dar lições a ninguém porque da profissão cada um sabe as dificuldades que tem. Constato por vezes também que vejo algum comércio fechado na altura de alguns eventos e maior presença humana e fico confuso, mas tenho a humildade suficiente para admitir que da sua casa cada um é que sabe. Mas esta interacção tem de ser uma forma activa de ambas as partes.
No ano o passado fizemos alguns eventos culturais e as pessoas pensavam que iríamos baixar o nível cultural por ter menores custos financeiros. Nós tivemos a percepção antes de outros que os tempos estavam complicadíssimos e queríamos fazer o início da política do “nós para nós”. Primeiro temos de convencer o nosso grande concelho a vir à cidade de Alcobaça. No ano passado, demos esse passo de criar o hábito de eventos feitos de nós para nós, não é de terceira qualidade, é de outro estilo.
Depois de criar alguma regularidade poderemos retomar outra perspectiva de menos eventos mas melhores. Mas Alcobaça tem ainda de fazer um grande caminho a combater o orgulhosamente só, tem de acreditar no seu concelho, pois fica com outra força.
TINTA FRESCA - Um dos sonhos do Dr. Sapinho era criar uma cidade com 10 ou 12 mil habitantes e, para isso, pensava apostar na Nova Alcobaça e na Cova da Onça, que têm estado mais ou menos parados. Em que ponto estão esses projectos?
PAULO INÁCIO - Dou-me por muito feliz por assistir agora à construção de parte das infra-estruturas porque estavam mesmo paradas. Quando chegámos à Câmara conseguimos fazer alguma pressão para começarem a fazer as infra-estruturas. È um projecto de grande qualidade de grande dimensão, os sinais que tenho é que há algumas situações que estão ainda a ser formalizadas, mas também sei que nesta época o mercado urbanístico está completamente parado. Deus queira que o investidor tenha sucesso, mas, se não está a andar na velocidade máxima, obviamente tem a ver com questões de mercado.
TINTA FRESCA - Como está o projecto do Call Center?
PAULO INÁCIO - O projecto está concluído e adjudicado, só precisamos do visto do Tribunal de Contas, porque é importante para a criação de emprego. Tenho algum receio de que, com as dificuldades do mercado, possa haver alguma mutação empresarial, mas estamos a lutar para que não ocorra.
TINTA FRESCA - A área de Localização Empresarial da Benedita (ALEB) continua a manter viabilidade no actual contexto económico?
PAULO INÁCIO - Tem de ter, nós estamos ainda na fase da regularização formal. A ALE tem um regime excepcional no PROT, mas carece de outros patamares de ordenamento urbanístico para ter realidade futura. Precisa de aceitação do PDM e do Parque Natural da Serra de Aires e Candeeiros e até lá estamos a fazer um trabalho enorme do ponto de vista técnico, junto de diversas entidades, pois como sabe há várias circunstâncias a complicar a ALEB: a questão do famoso TGV, que formalmente ainda passa lá, linhas de alta tensão, gaseoduto, traçado definitivo do IC2, questões hidráulicas. Portanto, há ali um enorme trabalho, que estamos a efectuar, do ponto de técnico, mas continuamos apostado neste objectivo.
TINTA FRESCA - E os empresários da Benedita continuam interessados em mudar-se para lá, uma vez que vão ter construir novas instalações?
PAULO INÁCIO - Esse problema pode pôr-se no início, mas eu acho que a Benedita precisa deste desafio. A Benedita é uma sociedade muito empreendedora, mas tem o problema da sucessão das gerações familiares de sucesso: ou fazem a passagem de testemunho geracional ou transformam-se em empresas suprafamiliares. A ALEB é o pretexto para que uma destas duas realidades ocorram.
TINTA FRESCA - O Gabinete do Investidor tem tido alguns frutos?
PAULO INÁCIO - Já fomos procurados por mais de 80 investidores, muitos deles para ultrapassar burocracias por via da Via Verde Empresarial. Há avanços e recuos, devido à actual situação económica, mas há investidores importantes sinalizados porque o Casal da Areia está pujante, sobretudo, agora com a ligação directa ao IC9.
TINTA FRESCA - Qual será a redução de pessoal na Câmara de Alcobaça?
PAULO INÁCIO - Temos efectuado naturalmente uma redução de pessoal através da cessação de contratos, temos tido muita gente a reformar-se, mas estamos legalmente impedidos de contratar pessoas. A Câmara precisa de alguns quadros na sua estrutura, mas precisa, sobremaneira, de operacionais para estarem na rua: jardineiros, motoristas, cantoneiros, estamos com problemas gravíssimos e sei que a prestação de serviços da Câmara aos munícipes, nessa perspectiva, começa a ser muito difícil.
TINTA FRESCA - A Câmara continua a poder exercer as suas funções com a saída de tanta gente?
PAULO INÁCIO - Temos recorrido a serviços externos. O que a Câmara precisa, na minha opinião, é de se actualizar e modernizar e precisa de um espaço único. È um grande desafio para a instituição e a instituição precisa desta reestruturação. Uns ficam mais satisfeitos, outros menos, mas é preciso agilizá-la, modernizá-la para no futuro estar preparada para uma nova realidade. Precisamos de um edifício na sua exacta dimensão, sem ser megalómano, ágil, moderno, informatizado e centralizador, no sentido de todos os serviços poderem comunicar transversalmente uns com os outros e ele próprio ser um catalisador de força no seio da cidade. Acho que é uma oportunidade para a instituição e para a cidade que eu gostaria muito de ver concretizado.
TINTA FRESCA - Com parque de estacionamento? Neste momento já não é nada fácil estacionar nas imediações…
PAULO INÁCIO - Não é fácil, mas eu faço uma pergunta: que estacionamento têm hoje os 57 mil habitantes se quiserem vir aos Paços do Concelho da Câmara Municipal? O problema já existe hoje, eu sei que precisamos de estacionamento e estamos a lutar para o conseguir, mas esse é um problema que temos de resolver se a Câmara for instalada no edifico do Mercado Municipal.
TINTA FRESCA – Tem tido feed back dos problemas sociais no concelho?
PAULO INÁCIO - Eu tenho a percepção de que os problemas sociais vão crescer.
TINTA FRESCA – Por exemplo, tenho a informação de que há bastantes pedidos de rescisão de contratos de abastecimento de água. Suponho que essas pessoas optem por se abastecer em poços, para não pagarem a conta da água da rede pública.
PAULO INÁCIO - No âmbito social temos uma transversalidade de apoios que efectuamos consoante as nossas possibilidades. Por uma questão de princípio, não gosto muito de nomear esses apoios, não é preciso estar a divulgar quem precisa de ajuda, a nobreza tanto é para quem preciso como para quem não precisa.
TINTA FRESCA - Algumas autarquias têm anunciado que irão manter as escolas abertas nas férias escolares por tomarem lá a única refeição quente do dia. No caso de Alcobaça, irá tomar alguma medida semelhante?
PAULO INÁCIO - Pode haver situações pontuais, mas não tenho noção de um problema dessa dimensão. Para o bem e para o mal ganhamos alguma coisa com a nossa ruralidade e a ruralidade auxilia mais a resolver estes problemas melhor que a urbanidade. Estou convencido de que não estamos na vanguarda das dificuldades sociais, mas estamos atentos.
TINTA FRESCA - Tem iniciado vários projectos, mas ainda não concluiu nenhuma obra no seu mandato. Não teme que os munícipes depois lhe cobrem por ainda não haver obra física?
PAULO INÁCIO - Que obras ainda não concluí do Executivo anterior?
TINTA FRESCA - A questão dos museus, a ALE da Benedita…
PAULO INÁCIO - Mas alguém pensa que num ano haveria milagres? Eu acho que houve milagres: a definição de uma estratégia e de um rumo, a decisão de instalar os serviços da Câmara, a decisão de criar um parque urbano na cidade, a ideia de propor a instalação do Museu da Língua Portuguesa em Alcobaça, a questão do hotel no Mosteiro estava morta e foi revitalizada, a revisão do PDM estava a ser falada há 6 ou 7 anos sem nunca ter havido um calendário que foi estabelecido agora.
Se analisarmos neste primeiro ano houve a definição de um rumo e uma estratégia, a questão dos rios, abrimos o Museu Raul da Bernarda, não havia um museu aberto na cidade! Eu costumo dizer aos meus auxiliares e colaboradores: não me deixem pensar mais porque o que está em cima da mesa já é muito. Estou satisfeito porque em menos de um ano foi feita uma estratégia e um rumo a longo prazo. Por vezes determinadas sociedades passam décadas sem ter uma visão: eu acho que temos uma visão, que passam por estes projectos estruturais na sede do concelho e a aposta na requalificação das sedes das freguesias porque vai ao encontro de uma região de turismo do Oeste requalificada.
Portanto, o plano está todo muito bem delineado, falta agora concretizá-lo. Eu sempre disse que estes projectos só seriam concluídos ao fim de muito tempo e foi na altura pior de sempre em termos financeiros, mas não estou nada insatisfeito com o trabalho realizado, estou muito satisfeito.
TINTA FRESCA - A primeira grande obra de vulto do seu mandato será então a conclusão da revisão do Plano Director Municipal?
PAULO INÁCIO - Não, essa é uma grande imaterialidade que queremos apresentar. A grande obra de vulto, que já apresentámos, foram ideias. Vou-lhe dar um exemplo: havia alguma ideia para os pavilhões da Cooperativa Agrícola? Há quanto tempo estão assim? Num ano apresentei uma ideia e um projecto para uma situação que estava sem solução há muitos anos. Resolvemos o problema do Museu Raul da Bernarda, comprámos as instalações e já o abrimos ao público. O projecto do hotel para o Mosteiro de Alcobaça é uma questão estratégica e estava morta e agora não.
TINTA FRESCA – Mas é preciso que haja investidores privados interessados.
PAULO INÁCIO - Essa é outra questão.
TINTA FRESCA - De qualquer forma, a resolução do problema da abertura do hotel pode não ser muito rápida.
PAULO INÁCIO - Depende do Estado, mas garanto-lhe que a questão agora não está abandonada porque tem um presidente de Câmara exigente a acompanhar o processo e a solicitar reuniões ao secretário de Estado, ao presidente do IGESPAR ou à senhora ministra da Cultura.
Grande entrevista com o presidente da Câmara Municipal de Alcobaça
Paulo Inácio faz balanço do ano de mandato:
"Alcobaça tem agora uma estratégia e rumo"
O presidente da Câmara Municipal de Alcobaça concedeu uma entrevista ao Tinta Fresca onde faz o balanço do seu primeiro ano de mandato. Pródigo em ideias, Paulo Inácio lançou durante 2010 cerca de uma dúzia de novos projectos, nomeadamente, a criação de dois parques verdes na cidade, de um centro de negócios na antiga cooperativa agrícola, que incluirá um call center, a renegociação do contrato com a Águas do Oeste, assumindo que houve um grave erro de cálculo na quantidade de água contratualizada pela autarquia, a revitalização do Museu Nacional do Vinho e a proposta da criação e instalação do Museu da Língua Portuguesa no Mosteiro de Alcobaça, Património da Humanidade, mas recusa a ideia de ter pouca obra realizada, dado ter dado prioridade à estratégia para o concelho e estar em funções há pouco mais de um ano.
TINTA FRESCA – O Museu da Língua Portuguesa não é uma proposta de alto risco, sabendo que no Brasil está localizada em S. Paulo, a maior metrópole e capital económica do País, ao contrário do que sucede com Alcobaça?
PAULO INÁCIO - É verdade, reconheço que é uma pretensão ambiciosa, mas reconheço também factores que nos põem numa posição singular. Um é geográfico, estamos no centro do País, não estamos longe de Lisboa e temos boas vias de comunicação e a centralidade em termos de território nacional é muito importante. Por outro lado, temos legitimidade cultural e histórica e, suplementarmente, a Língua Portuguesa também é da Humanidade e deve estar num Património da Humanidade (Mosteiro de Alcobaça). Portugal tem de se afirmar, como no passado, não só através da sua Capital, mas como um País milenar e como uma nação das mais antigas da Europa e tudo isto são factores favoráveis à nossa candidatura.
TINTA FRESCA - Mas houve alguma conversa com a direcção do IGESPAR, uma vez que é o IGESPAR que detém a tutela do monumento?
PAULO INÁCIO - Não, eu gosto de lançar reptos. Fiz uma reflexão profunda no sentido de encontrar um projecto estruturante para o Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça. E achei que este era um projecto estruturante e ambicioso, pois trata-se de um projecto com ambições globais. Após essa reflexão, achei por bem anunciar este repto à Nação portuguesa porque acho que é uma vergonha para o Estado português não ter o Museu da Língua Portuguesa, ao contrário do Brasil, que fez essa opção de forma inequívoca e clara. Sendo o Brasil o maior País de expressão Língua portuguesa, faz sentido que o tenha criado, mas qualquer dia assistimos a um contágio de todos os PALOP e só Portugal não tem este museu e o País tem de rapidamente colmatar esta lacuna.
O Estado português há três ou quatro anos fez esta reflexão, estudou o assunto e depois abandonou o projecto. Eu só estive atento e, no momento oportuno, achei que tínhamos legitimidade para esta candidatura. E penso que resolvia muitos problemas da nossa cidade e do nosso concelho. Primeiro porque nos afirmávamos categoricamente no contexto turístico internacional e, por outro lado, porque o turismo escolar nacional também obrigatoriamente teria que passar pela nossa cidade. Desta forma, iríamos confirmar em absoluto a canção “Quem passa por Alcobaça, não passa sem cá voltar”.
O Mosteiro por si só é motivo suficiente para que gerações sucessivas voltem a Alcobaça, mas se houvesse esta complementaridade seria algo extraordinário. É muito ambicioso, mas sem utopias não avançamos.
Aquando a inauguração do Museu da Imagem em Movimento (mimo), em Leiria, apresentei as minhas razões à ministra da Cultura e ela disse-me que teríamos de fazer uma reunião e estudar profundamente o assunto. Estou convencido que se o Estado português der um pequeno sinal de que quer executar este projecto, nós certamente vamos encontrar académicos e parceiros institucionais para reforçar a nossa candidatura.
A Câmara Municipal de Alcobaça precisa só de um pequeno sinal do Estado português para procurar parceiros em todas as áreas. Acredito no nosso legado enquanto concelho, enquanto Património da Humanidade, acredito que nos vai trazer grandes parceiros para que este objectivo seja alcançado, só precisamos de ter a confirmação do Estado.
TINTA FRESCA - Em que ponto estão os outros museus do concelho, nomeadamente, o Museu Nacional do Vinho?
PAULO INÁCIO - Este Executivo tem um ano e tem uma cartilha enorme de assuntos para tratar em simultâneo e estamos em várias frentes. Essa foi uma frente que acompanhámos desde início, mas é um processo que tem emperrado em virtude de falta de coordenação política das medidas compensatórias da Ota. Tenho a informação que em Janeiro haverá um debate de urgência, solicitado pelo PSD, na Assembleia da República e tenho esperança que até lá algumas questões processuais por parte do Estado português sejam mais céleres.
Compreendemos a situação financeira que estamos a atravessar, mas essa medida compensatória da Ota até passava pela entrega do património em condições (requalificado) à Câmara de Alcobaça. Eu já só estou no patamar da entrega do património, para a Câmara poder abrir a porta aos seus turistas, para que o turismo seja revitalizado na cidade. Tenho apenas de ter garantias absolutas de que o acervo patrimonial volte todo, uma vez que tenho informações de que algum está disperso.
Tenho a expectativa de que nos próximos meses o assunto seja resolvido superficialmente, porque não acredito que o Estado português ou a Câmara tenham condições para fazer intervenções profundas no museu. Contudo, tenho esperança de que ocorra, pelo menos, a entrega do museu à Câmara Municipal.
TINTA FRESCA - Ainda haverá tempo de lançar uma candidatura a fundos comunitários, enquanto não se esgotam, para a recuperação do Museu Nacional do Vinho?
PAULO INÁCIO - Se não houver uma entrega de propriedade, será muito difícil a Câmara Municipal de Alcobaça poder candidatar-se a fundos comunitários. Isso é um problema. A entrega da propriedade tem que passar por uma mutação da lei das finanças, para possibilitar a transmissão de propriedade por um valor simbólico, e poder assim cumprir aquilo que o Estado português contratualizou no âmbito do Plano de Acção do Oeste. Portanto, é preciso coordenação política no Governo para que isto se afirme.
De qualquer forma, a visita do ministro da Agricultura teve uma consequência muito boa para o concelho de Alcobaça. Tenho informações oficiosas, não oficiais, de que a candidatura do regadio da Cela Velha foi aprovada. Estávamos há 4 ou 5 anos à espera que ela fosse aprovada e estamos a falar de um investimento na ordem dos 6 milhões de euros.
TINTA FRESCA - Em relação ao museu de cerâmica Raul da Bernarda, a autarquia já adquiriu o espólio?
PAULO INÁCIO - Não, a Câmara abriu as portas do Museu e queremos formalizar esse assunto o mais rapidamente possível, mas não depende só da Câmara Municipal. Ainda não está formalizada a doação do espólio dos familiares e há questões de pormenor, mas, independentemente dessa espera, a Câmara Municipal adquiriu o imóvel e comunicou aos proprietários que o ia abrir.
TINTA FRESCA - O Armazém das Artes, outra importante instituição cultural da cidade, investiu quase dois milhões de euros e está em risco de fechar portas, uma vez que os custos são muitos e não tem tido apoios.
PAULO INÁCIO - Se isso vier a acontecer é muito preocupante, porque se trata de um património importante para a cidade e acho que a cidade de Alcobaça se deve orgulhar do Armazém das Artes. A Câmara Municipal tem feito alguma coisa, nomeadamente a nível institucional junto da EDP para que tivesse um regime de tarifa excepcional, mas não sei se isso já deu resultados ou não. Aquando da inauguração da empresa Canas, no Casal da Areia, voltei a falar dessa matéria e mandei documentação para a EDP nesse sentido. Vamos ver que outras formas de apoio poderá haver, sendo certo que estamos todos num contexto financeiro muito difícil.
TINTA FRESCA - O Escultor José Aurélio disse que fez algumas propostas à Câmara e que esta mostrou alguma receptividade, mas depois não houve desenvolvimentos.
PAULO INÁCIO - Há a possibilidade de técnicos fazerem prestações de serviços, mas teremos de estudar essa hipótese e o Armazém das Artes ainda não formalizou em concreto nenhuma proposta. O que eu digo é o seguinte: é um património que nos orgulha e que é importante para a cidade, mas, concomitantemente, estamos todos com grandes dificuldades.
TINTA FRESCA - Qual é o ponto da situação da construção dos novos centros escolares?
PAULO INÁCIO - A carta educativa aponta para seis centros escolares, agora a calendarização da mesma está subjacente ao programa de QREN e não sei o que vai acontecer ao próprio QREN.
TINTA FRESCA - A Câmara só avança para os seis centros escolares se tiverem apoio do QREN?
PAULO INÁCIO - É óbvio. Os centros escolares só são exequíveis no âmbito do QREN. Até com o QREN é um esforço muito grande.
TINTA FRESCA - Já há algumas candidaturas aprovadas?
PAULO INÁCIO - O projecto dos centros escolares que está mais adiantado é o de Pataias. Temos também QREN parcialmente aprovado para Turquel e Alfeizerão. Mas a Europa está com grandes mutações e temos de estar atentos.
TINTA FRESCA - O Centro Escolar de Alcobaça não tem apoio do QREN, mas está já bastante avançado. É para abrir durante 2011?
PAULO INÁCIO - Durante 2011 terá que abrir. Não está ainda definido o timing da sua abertura, porque há várias frentes naquele problema: questões pedagógicas, se é a meio do ano lectivo ou se é no início do próximo, e outras questões ainda por resolver, como seja a presença de uma família de etnia cigana acampada nas imediações e que não é aceitável, além da conclusão das próprias infra-estruturas.
TINTA FRESCA - O que será feito ao parque escolar existente, uma vez que na última década a Câmara investiu muito dinheiro na sua requalificação?
PAULO INÁCIO - Isso está escrito no programa da campanha eleitoral deste Executivo. Vamos dar preferência a experiências de contacto intergeracional, mas para haver este contacto entre as gerações mais novas e as mais idosas e esta partilha de saberes é preciso uma sociedade civil pujante. Há uma lacuna na sociedade, não só alcobacense, como na sociedade portuguesa, que é o contacto intergeracional, e esta podia ser uma oportunidade para o uso destes espaços. As diversas gerações iriam ganhar muito umas com as outras.
Mas quero dizer que a questão das opções dos centros escolares do ponto de vista filosófico e político é indiscutível.
TINTA FRESCA - Mas há autarquias, nomeadamente vizinhas, por exemplo a Câmara de Porto de Mós, que não fizeram nenhum.
PAULO INÁCIO - Certo. É muito discutível. Agora o País, bem ou mal, já trilhou um caminho. Se calhar eu próprio tenho algumas reservas, mas o próprio QREN só existe para os centros escolares ou escolas com mais de cinco salas. Para outras intervenções não há disponibilidade.
A própria Europa também seguiu este caminho, de médios ou grandes centros escolares. Alcobaça não pode ser uma ilha de outro paradigma. Eu, enquanto pai e enquanto cidadão, também reconheço duas realidades: os centros escolares antigos, que tinham ainda a filosofia do Estado Novo, mas também tinham outros valores como a proximidade, familiaridade, solidariedade, e os centros escolares grandes, em que estas características se podem perder. Mas essa discussão política já vem atrasada porque já se tomaram opções.
TINTA FRESCA - Admite, face à actual crise económica, reavaliar o processo?
PAULO INÁCIO - Por isso eu disse que ia estar atento. Foi trilhado um caminho político um pouco irreversível, mas continuo atento ao processo, porque vejo também centros escolares de média dimensão com atenção.
TINTA FRESCA - Tem mantido esse diálogo com os presidentes das Juntas de Freguesia?
PAULO INÁCIO - Sim. Só para dar um exemplo. Fizemos uma intervenção na escola primária de Aljubarrota e a remodelação daquela escola está a ter um óptimo impacto. Fica uma escola com a dimensão necessária, continua a ter proximidade com a população e tenho a certeza que os pais vão ficar satisfeitos com a obra.
Vamos acabar também com uma vergonha para o nosso concelho: na Escola Primária do Bárrio uma das salas está num anexo e vamos fazer essa intervenção de ampliação da Escola Primária do Bárrio. Temos de estar atentos a estas intervenções, tendo escolas com qualidade, vamos ver qual será a velocidade de execução dos outros quatro centros escolares.
TINTA FRESCA - Quais são os encargos financeiros com os novos centros escolares?
PAULO INÁCIO - Os números de Alcobaça e Benedita são importantíssimos e os outros obviamente são completamente diferentes porque têm comparticipação a 80%. O que acho é que a centralidade em termos escolares não vai reduzir custos de manutenção, vai aumentar claramente, porque vai haver mais custos de energia e mais custos de transporte do que temos nas escolas dispersas.
TINTA FRESCA - Outra factura importante é a da Águas do Oeste. Admite que houve alguma precipitação no acordo com a Água do Oeste? Recordo que na altura houve uma espécie de ultimato da empresa pública: ou a Câmara de Alcobaça aderia à Águas do Oeste ou não haveria grandes obras de saneamento no concelho, nomeadamente, em São Martinho do Porto,
PAULO INÁCIO - Acho que houve pressão política na altura e depois também houve erros de cálculo. Houve as duas coisas. A questão política agora já pouco importa, o que quero é tratar a outra questão que é a questão de erros de cálculos. E não é fácil.
TINTA FRESCA - Há outros municípios que estão a reivindicar a diminuição de comparticipações. Existe alguma acção concertada?
PAULO INÁCIO - Eu não tenho toda a informação mas custa-me acreditar que alguém tenha um erro tão grande como o nosso. Há muito tempo que andamos em negociações. A dificuldade de obter um acordo tem a ver com implicações no sistema, mas também há um parecer da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos que de alguma forma recomenda essa conversação e também parte do princípio de algum erro de cálculo.
TINTA FRESCA - Propôs a construção de dois grandes jardins ou de zonas ajardinadas, junto aos Paços do Concelho e na Zona Ribeirinha. Não serão jardins a mais para esta época de crise ou estamos a falar de projectos desfasados temporalmente?
PAULO INÁCIO - Não, acho que não (são jardins a mais). Acho que um parque urbano verde é uma necessidade premente para a cidade e é um parque que também tem pretensões intergeracionais, vai ter infra-estruturas desportivas, desportos radicais e proporcionar lazer junto à zona ribeirinha.
Este parque entronca num projecto lato: nós dissemos à ARH que achávamos que não devia haver nenhum rio na Europa tão perto do mar com tanta diversidade cultural, botânica, etc.. E o que estudámos, reflectimos, o que a ARH tem feito a nosso pedido e estudado com os nossos técnicos foi olhar o rio Alcoa da nascente até ao mar. É um projecto singular e a ARH fez connosco um trabalho extraordinário e muito bem elaborado, que abrange também os campos da Fervença e da Cela Velha.
Tenho a esperança que as dificuldades não impeçam este processo que é longo e faseado. Havendo vontade e um ponto de partida, certamente alguém vai ser um homem feliz quando o acabar, porque globalmente se retoma os Coutos alcobacenses, unindo Alcobaça e Nazaré. Isso revitalizava a veia do Mosteiro, a veia do nosso coração que é o Rio Alcoa.
TINTA FRESCA - Já defendeu que estas requalificações podem potenciar desenvolvimento económico. O Dr. Sapinho enfatizava isso muito, nomeadamente, quando foi a requalificação do Rossio, mas o facto é que embora os autocarros passassem a ficar junto à Câmara, os turistas continuam a entrar todos juntos e a sair todos juntos e a não comprarem quase nada. Apenas caminham mais 300 metros mas parece que ninguém falou com os operadores turísticos para alterar esta situação.
PAULO INÁCIO - Esse é um problema que Alcobaça tem, como outras cidades têm. Por isso é que a Câmara está em vistas de concluir um recrutamento na área do turismo, porque temos muito que fazer nesta matéria dos operadores turísticos. É pena que a sociedade civil não tenha projectos importantes que permita que os turistas fiquem mais do que um dia a tirar prazer da cidade e do concelho.
Para superar este problema seria importantíssimo a criação de um Hotel no Mosteiro, que ajudaria, e muito, na criação de emprego directo e indirecto e de um projecto estruturante como o Museu Nacional da Língua Portuguesa, para os turistas ficarem aqui, pelo menos, o dia todo. Estou mesmo convencido que se isso viesse a ser possível nós triplicávamos ou quadruplicávamos o turismo em Alcobaça.
Mas mesmo sem esses projectos estruturantes, temos muito trabalho a fazer. Temos que melhorar a captação dos operadores turísticos, temos que tomar a percepção que o Mosteiro por si só não chega, temos que ter complementaridade de oferta turística e aí encaixam questões como o Museu do Vinho, o Parque Urbano, projectos pequenos como o Museu Raul da Bernarda, a Estação Eléctrica da Fervença e confluência dos rios Alcoa e Baça. É preciso dar uma oferta complementar, integral, porque pensarmos que o Mosteiro é a âncora do turismo, mas não é tudo.
TINTA FRESCA - O facto é que alguns comerciantes dizem que os turistas são pressionados pelos operadores turísticos para que não façam compras em Alcobaça e as façam em Fátima…
PAULO INÁCIO - Isso são outras práticas comerciais que desconheço.
TINTA FRESCA - Tem havido algum diálogo com a Associação dos Comerciantes acerca da interacção com os operadores turísticos?
PAULO INÁCIO - Não, os comerciantes certamente sabem mais desta matéria do que eu e não tenho pretensões de dar lições a ninguém porque da profissão cada um sabe as dificuldades que tem. Constato por vezes também que vejo algum comércio fechado na altura de alguns eventos e maior presença humana e fico confuso, mas tenho a humildade suficiente para admitir que da sua casa cada um é que sabe. Mas esta interacção tem de ser uma forma activa de ambas as partes.
No ano o passado fizemos alguns eventos culturais e as pessoas pensavam que iríamos baixar o nível cultural por ter menores custos financeiros. Nós tivemos a percepção antes de outros que os tempos estavam complicadíssimos e queríamos fazer o início da política do “nós para nós”. Primeiro temos de convencer o nosso grande concelho a vir à cidade de Alcobaça. No ano passado, demos esse passo de criar o hábito de eventos feitos de nós para nós, não é de terceira qualidade, é de outro estilo.
Depois de criar alguma regularidade poderemos retomar outra perspectiva de menos eventos mas melhores. Mas Alcobaça tem ainda de fazer um grande caminho a combater o orgulhosamente só, tem de acreditar no seu concelho, pois fica com outra força.
TINTA FRESCA - Um dos sonhos do Dr. Sapinho era criar uma cidade com 10 ou 12 mil habitantes e, para isso, pensava apostar na Nova Alcobaça e na Cova da Onça, que têm estado mais ou menos parados. Em que ponto estão esses projectos?
PAULO INÁCIO - Dou-me por muito feliz por assistir agora à construção de parte das infra-estruturas porque estavam mesmo paradas. Quando chegámos à Câmara conseguimos fazer alguma pressão para começarem a fazer as infra-estruturas. È um projecto de grande qualidade de grande dimensão, os sinais que tenho é que há algumas situações que estão ainda a ser formalizadas, mas também sei que nesta época o mercado urbanístico está completamente parado. Deus queira que o investidor tenha sucesso, mas, se não está a andar na velocidade máxima, obviamente tem a ver com questões de mercado.
TINTA FRESCA - Como está o projecto do Call Center?
PAULO INÁCIO - O projecto está concluído e adjudicado, só precisamos do visto do Tribunal de Contas, porque é importante para a criação de emprego. Tenho algum receio de que, com as dificuldades do mercado, possa haver alguma mutação empresarial, mas estamos a lutar para que não ocorra.
TINTA FRESCA - A área de Localização Empresarial da Benedita (ALEB) continua a manter viabilidade no actual contexto económico?
PAULO INÁCIO - Tem de ter, nós estamos ainda na fase da regularização formal. A ALE tem um regime excepcional no PROT, mas carece de outros patamares de ordenamento urbanístico para ter realidade futura. Precisa de aceitação do PDM e do Parque Natural da Serra de Aires e Candeeiros e até lá estamos a fazer um trabalho enorme do ponto de vista técnico, junto de diversas entidades, pois como sabe há várias circunstâncias a complicar a ALEB: a questão do famoso TGV, que formalmente ainda passa lá, linhas de alta tensão, gaseoduto, traçado definitivo do IC2, questões hidráulicas. Portanto, há ali um enorme trabalho, que estamos a efectuar, do ponto de técnico, mas continuamos apostado neste objectivo.
TINTA FRESCA - E os empresários da Benedita continuam interessados em mudar-se para lá, uma vez que vão ter construir novas instalações?
PAULO INÁCIO - Esse problema pode pôr-se no início, mas eu acho que a Benedita precisa deste desafio. A Benedita é uma sociedade muito empreendedora, mas tem o problema da sucessão das gerações familiares de sucesso: ou fazem a passagem de testemunho geracional ou transformam-se em empresas suprafamiliares. A ALEB é o pretexto para que uma destas duas realidades ocorram.
TINTA FRESCA - O Gabinete do Investidor tem tido alguns frutos?
PAULO INÁCIO - Já fomos procurados por mais de 80 investidores, muitos deles para ultrapassar burocracias por via da Via Verde Empresarial. Há avanços e recuos, devido à actual situação económica, mas há investidores importantes sinalizados porque o Casal da Areia está pujante, sobretudo, agora com a ligação directa ao IC9.
TINTA FRESCA - Qual será a redução de pessoal na Câmara de Alcobaça?
PAULO INÁCIO - Temos efectuado naturalmente uma redução de pessoal através da cessação de contratos, temos tido muita gente a reformar-se, mas estamos legalmente impedidos de contratar pessoas. A Câmara precisa de alguns quadros na sua estrutura, mas precisa, sobremaneira, de operacionais para estarem na rua: jardineiros, motoristas, cantoneiros, estamos com problemas gravíssimos e sei que a prestação de serviços da Câmara aos munícipes, nessa perspectiva, começa a ser muito difícil.
TINTA FRESCA - A Câmara continua a poder exercer as suas funções com a saída de tanta gente?
PAULO INÁCIO - Temos recorrido a serviços externos. O que a Câmara precisa, na minha opinião, é de se actualizar e modernizar e precisa de um espaço único. È um grande desafio para a instituição e a instituição precisa desta reestruturação. Uns ficam mais satisfeitos, outros menos, mas é preciso agilizá-la, modernizá-la para no futuro estar preparada para uma nova realidade. Precisamos de um edifício na sua exacta dimensão, sem ser megalómano, ágil, moderno, informatizado e centralizador, no sentido de todos os serviços poderem comunicar transversalmente uns com os outros e ele próprio ser um catalisador de força no seio da cidade. Acho que é uma oportunidade para a instituição e para a cidade que eu gostaria muito de ver concretizado.
TINTA FRESCA - Com parque de estacionamento? Neste momento já não é nada fácil estacionar nas imediações…
PAULO INÁCIO - Não é fácil, mas eu faço uma pergunta: que estacionamento têm hoje os 57 mil habitantes se quiserem vir aos Paços do Concelho da Câmara Municipal? O problema já existe hoje, eu sei que precisamos de estacionamento e estamos a lutar para o conseguir, mas esse é um problema que temos de resolver se a Câmara for instalada no edifico do Mercado Municipal.
TINTA FRESCA – Tem tido feed back dos problemas sociais no concelho?
PAULO INÁCIO - Eu tenho a percepção de que os problemas sociais vão crescer.
TINTA FRESCA – Por exemplo, tenho a informação de que há bastantes pedidos de rescisão de contratos de abastecimento de água. Suponho que essas pessoas optem por se abastecer em poços, para não pagarem a conta da água da rede pública.
PAULO INÁCIO - No âmbito social temos uma transversalidade de apoios que efectuamos consoante as nossas possibilidades. Por uma questão de princípio, não gosto muito de nomear esses apoios, não é preciso estar a divulgar quem precisa de ajuda, a nobreza tanto é para quem preciso como para quem não precisa.
TINTA FRESCA - Algumas autarquias têm anunciado que irão manter as escolas abertas nas férias escolares por tomarem lá a única refeição quente do dia. No caso de Alcobaça, irá tomar alguma medida semelhante?
PAULO INÁCIO - Pode haver situações pontuais, mas não tenho noção de um problema dessa dimensão. Para o bem e para o mal ganhamos alguma coisa com a nossa ruralidade e a ruralidade auxilia mais a resolver estes problemas melhor que a urbanidade. Estou convencido de que não estamos na vanguarda das dificuldades sociais, mas estamos atentos.
TINTA FRESCA - Tem iniciado vários projectos, mas ainda não concluiu nenhuma obra no seu mandato. Não teme que os munícipes depois lhe cobrem por ainda não haver obra física?
PAULO INÁCIO - Que obras ainda não concluí do Executivo anterior?
TINTA FRESCA - A questão dos museus, a ALE da Benedita…
PAULO INÁCIO - Mas alguém pensa que num ano haveria milagres? Eu acho que houve milagres: a definição de uma estratégia e de um rumo, a decisão de instalar os serviços da Câmara, a decisão de criar um parque urbano na cidade, a ideia de propor a instalação do Museu da Língua Portuguesa em Alcobaça, a questão do hotel no Mosteiro estava morta e foi revitalizada, a revisão do PDM estava a ser falada há 6 ou 7 anos sem nunca ter havido um calendário que foi estabelecido agora.
Se analisarmos neste primeiro ano houve a definição de um rumo e uma estratégia, a questão dos rios, abrimos o Museu Raul da Bernarda, não havia um museu aberto na cidade! Eu costumo dizer aos meus auxiliares e colaboradores: não me deixem pensar mais porque o que está em cima da mesa já é muito. Estou satisfeito porque em menos de um ano foi feita uma estratégia e um rumo a longo prazo. Por vezes determinadas sociedades passam décadas sem ter uma visão: eu acho que temos uma visão, que passam por estes projectos estruturais na sede do concelho e a aposta na requalificação das sedes das freguesias porque vai ao encontro de uma região de turismo do Oeste requalificada.
Portanto, o plano está todo muito bem delineado, falta agora concretizá-lo. Eu sempre disse que estes projectos só seriam concluídos ao fim de muito tempo e foi na altura pior de sempre em termos financeiros, mas não estou nada insatisfeito com o trabalho realizado, estou muito satisfeito.
TINTA FRESCA - A primeira grande obra de vulto do seu mandato será então a conclusão da revisão do Plano Director Municipal?
PAULO INÁCIO - Não, essa é uma grande imaterialidade que queremos apresentar. A grande obra de vulto, que já apresentámos, foram ideias. Vou-lhe dar um exemplo: havia alguma ideia para os pavilhões da Cooperativa Agrícola? Há quanto tempo estão assim? Num ano apresentei uma ideia e um projecto para uma situação que estava sem solução há muitos anos. Resolvemos o problema do Museu Raul da Bernarda, comprámos as instalações e já o abrimos ao público. O projecto do hotel para o Mosteiro de Alcobaça é uma questão estratégica e estava morta e agora não.
TINTA FRESCA – Mas é preciso que haja investidores privados interessados.
PAULO INÁCIO - Essa é outra questão.
TINTA FRESCA - De qualquer forma, a resolução do problema da abertura do hotel pode não ser muito rápida.
PAULO INÁCIO - Depende do Estado, mas garanto-lhe que a questão agora não está abandonada porque tem um presidente de Câmara exigente a acompanhar o processo e a solicitar reuniões ao secretário de Estado, ao presidente do IGESPAR ou à senhora ministra da Cultura.
Mário Lopes
Pataiense empata
O CD Pataiense empatou 1-1 na sua deslocação até Alqueidão da Serra.
Ocupa a 8ª posição com 19 pontos (13J;5V4E4D;16-15) a 13 do líder Ginásio de Alcobaça.
Mais informações em: http://futeboldistritaldeleiria.blogspot.com/
Ocupa a 8ª posição com 19 pontos (13J;5V4E4D;16-15) a 13 do líder Ginásio de Alcobaça.
Mais informações em: http://futeboldistritaldeleiria.blogspot.com/
domingo, 9 de janeiro de 2011
Burinhosa entra a vencer
A equipa de futsal do CCRD Burinhosa recebeu o Granja do Ulmeiro no primeiro jogo de 2011, vencendo por 4-1.
À 11ª jornada, ocupa o 7º lugar com 17 pontos (11J;4V3E4D;41-37).
Mais informações em: http://www.infutsal.com/3o-divisao-serie-c/resultsranking/38.html
À 11ª jornada, ocupa o 7º lugar com 17 pontos (11J;4V3E4D;41-37).
Mais informações em: http://www.infutsal.com/3o-divisao-serie-c/resultsranking/38.html
sábado, 8 de janeiro de 2011
Entrevista do Treinador do CD Pataiense
Do Região de Cister, edição nº 907 de 6 de Janeiro de 2011
Telmo Cruz
"Temos condições para lutar pelos primeiros lugares"
“Eliminação da Taça foi facada nas aspirações”
Telmo Cruz encerrou a carreira de jogador com a conquista da Taça Distrito de Leiria, na época passada. Um título que o clube não conquistava há 30 anos e que, por isso, criou expectativas para a temporada 2010/11. Contudo, o Pataiense acabou eliminado da corrente edição da taça logo à 1ª eliminatória, aos pés do Fig. Vinhos (3-0), um desaire que deixou marcas do plantel. “Depois da vitória da época passada, a taça era um dos principais objectivos do clube, queríamos ir o mais longe possível e, por isso, a eliminação foi uma facada enorme nas nossas aspirações”, reconhece o treinador.
Depois de uma década como jogador, Telmo Cruz assumiu, há cerca de um mês, o comando técnico do Pataiense, substituindo Tógui, do qual era adjunto. Passado o choque inicial, o jovem técnico acredita que ganhou o grupo e acredita que a equipa pode ir longe no campeonato.
REGIÃO DE CIS TER (RC) > O que representa para si treinar o Pataiense?
TELMO CRUZ (TC) > Sinto um enorme orgulho por ter deixado de ser jogador no final de época passada e três meses depois do arranque da temporada ter a oportunidade de passar a liderar o grupo de trabalho em novas funções. Foi tudo muito rápido. Era um sonho que tinha, até pelo meu passado enquanto atleta neste clube, mas não esperava que fosse tão cedo.
RC > Quando foi convidado, sentia-se preparado para as funções?
TC > Sentia-me com capacidade para liderar o grupo, mas só o fiz porque tenho plena confiança no meu colega, o Dário Cabete, que é mais do que um adjunto. Dividimos as responsabilidades e as tarefas em tudo. Só aceitámos o cargo, porque sentimos que tínhamos capacidade, mas também tenho a noção de que não estamos ainda preparados para o fazer na plenitude. O plantel tem a noção de que sou um treinador jovem, que estou a começar, e eles têm sido espectaculares e ajudado no trabalho. Só assim, todos juntos, poderemos atingir o sucesso.
RC > Não obstante, começou a nova etapa com duas derrotas... Isso não fez abalar o grupo?
TC > Há derrotas e derrotas. Por estranho que possa parecer, perdemos o primeiro jogo com o Guiense (1-4), mas senti que o grupo estava comigo. Dias depois, o jogo da Supertaça distrital, com o Bombarralense (0-1), deu para ver que tinha condições e capacidade para gerir o grupo. Esse jogo foi o clique para eu sentir que tínhamos todas as condições para ficar com a equipa. O grupo mostou em campo que estava connosco.
RC > E, logo depois, chegaram as vitórias...
TC > Depois de uma derrota tão injusta na Supertaça, a mensagem que passei para os jogadores foi de que eles só tinham de acreditar neles próprios e demonstrar no jogo seguinte toda a sua capacidade. Conseguimos duas vitórias consecutivas e depois um empate, num jogo menos conseguido por excesso de confiança. Tivemos um período de férias, vamos reiniciar o campeonato e sinto que a equipa está bem, moralizada e quer dar continuidade ao trabalho. Vamos pensar jogo a jogo, para tentar subir na tabela.
RC > E chegar aos primeiros lugares?
TC > O nosso objectivo é fazer o melhor possível e isso passa por andar nos primeiros lugares da Divisão de Honra distrital. Temos condições para lutar pelos primeiros lugares, porque o espírito de grupo é muito forte. Esse é o meu objectivo.
RC > A dispensa de alguns jogadores foi importante para conquistar o plantel?
TC > Quando o Tógui saiu, fomos convidados pela Direcção do Pataiense para assumir a equipa nos dois jogos seguintes e esse período de tempo deu para fazer a análise da equipa. Naqueles dois jogos poderíamos ver como evoluía a relação jogador-treinador e treinador-jogador, perceber se a mensagem passava e, nesse sentido, se tínhamos condições para ficar. Percebemos que sim, mas que era necessário fazer alguns reajustamentos, porque o grupo não estava saudável. Tivemos de mandar um jogador embora, outro abdicou de jogar por questões pessoais e outro saiu porque entendeu que não se sentia confortável no grupo. Tudo o que fizemos foi para bem do grupo.
RC > Foi esse reajustamento que faltou fazer a Tógui para permanecer no clube, até porque os resultados desportivos eram normais até ao momento da dispensa?
TC > Enquanto adjunto do Tógui, alertei diversas vezes para essa necessidade. Esse problema foi um dos que ajudou à saída dele, mas provavelmente houve outras situações que contribuíram.
RC > É natural do Juncal, mas jogou uma década em Pataias. O Pataiense passou a ser o seu clube do coração?
TC > Aprendi a gostar do Pataiense, clube no qual me sinto respeitado pelas pessoas e se tornou no clube do meu coração. Fui um jogador normalíssimo, mas orgulho-me da minha carreira, que foi carreira com humildade e respeito pelas pessoas e um prazer enorme em jogar futebol. Foi assim no Juncalense e no Nazarenos e também foi nos dez anos em que vesti a camisola do Pataiense.
RC > E acredita que também pode ficar tantos anos no clube como treinador?
TC > Tenho a perfeita consciência de que é mais difícil ficar tantos anos a treinar do que a jogar, porque as funções são completamente distintas. O meu sonho é ser o melhor possível como treinador e continuar a andar ligado ao futebol, perspectivando sempre atingir outros patamares competitivos.
Telmo Cruz
"Temos condições para lutar pelos primeiros lugares"
“Eliminação da Taça foi facada nas aspirações”
Telmo Cruz encerrou a carreira de jogador com a conquista da Taça Distrito de Leiria, na época passada. Um título que o clube não conquistava há 30 anos e que, por isso, criou expectativas para a temporada 2010/11. Contudo, o Pataiense acabou eliminado da corrente edição da taça logo à 1ª eliminatória, aos pés do Fig. Vinhos (3-0), um desaire que deixou marcas do plantel. “Depois da vitória da época passada, a taça era um dos principais objectivos do clube, queríamos ir o mais longe possível e, por isso, a eliminação foi uma facada enorme nas nossas aspirações”, reconhece o treinador.
Depois de uma década como jogador, Telmo Cruz assumiu, há cerca de um mês, o comando técnico do Pataiense, substituindo Tógui, do qual era adjunto. Passado o choque inicial, o jovem técnico acredita que ganhou o grupo e acredita que a equipa pode ir longe no campeonato.
REGIÃO DE CIS TER (RC) > O que representa para si treinar o Pataiense?
TELMO CRUZ (TC) > Sinto um enorme orgulho por ter deixado de ser jogador no final de época passada e três meses depois do arranque da temporada ter a oportunidade de passar a liderar o grupo de trabalho em novas funções. Foi tudo muito rápido. Era um sonho que tinha, até pelo meu passado enquanto atleta neste clube, mas não esperava que fosse tão cedo.
RC > Quando foi convidado, sentia-se preparado para as funções?
TC > Sentia-me com capacidade para liderar o grupo, mas só o fiz porque tenho plena confiança no meu colega, o Dário Cabete, que é mais do que um adjunto. Dividimos as responsabilidades e as tarefas em tudo. Só aceitámos o cargo, porque sentimos que tínhamos capacidade, mas também tenho a noção de que não estamos ainda preparados para o fazer na plenitude. O plantel tem a noção de que sou um treinador jovem, que estou a começar, e eles têm sido espectaculares e ajudado no trabalho. Só assim, todos juntos, poderemos atingir o sucesso.
RC > Não obstante, começou a nova etapa com duas derrotas... Isso não fez abalar o grupo?
TC > Há derrotas e derrotas. Por estranho que possa parecer, perdemos o primeiro jogo com o Guiense (1-4), mas senti que o grupo estava comigo. Dias depois, o jogo da Supertaça distrital, com o Bombarralense (0-1), deu para ver que tinha condições e capacidade para gerir o grupo. Esse jogo foi o clique para eu sentir que tínhamos todas as condições para ficar com a equipa. O grupo mostou em campo que estava connosco.
RC > E, logo depois, chegaram as vitórias...
TC > Depois de uma derrota tão injusta na Supertaça, a mensagem que passei para os jogadores foi de que eles só tinham de acreditar neles próprios e demonstrar no jogo seguinte toda a sua capacidade. Conseguimos duas vitórias consecutivas e depois um empate, num jogo menos conseguido por excesso de confiança. Tivemos um período de férias, vamos reiniciar o campeonato e sinto que a equipa está bem, moralizada e quer dar continuidade ao trabalho. Vamos pensar jogo a jogo, para tentar subir na tabela.
RC > E chegar aos primeiros lugares?
TC > O nosso objectivo é fazer o melhor possível e isso passa por andar nos primeiros lugares da Divisão de Honra distrital. Temos condições para lutar pelos primeiros lugares, porque o espírito de grupo é muito forte. Esse é o meu objectivo.
RC > A dispensa de alguns jogadores foi importante para conquistar o plantel?
TC > Quando o Tógui saiu, fomos convidados pela Direcção do Pataiense para assumir a equipa nos dois jogos seguintes e esse período de tempo deu para fazer a análise da equipa. Naqueles dois jogos poderíamos ver como evoluía a relação jogador-treinador e treinador-jogador, perceber se a mensagem passava e, nesse sentido, se tínhamos condições para ficar. Percebemos que sim, mas que era necessário fazer alguns reajustamentos, porque o grupo não estava saudável. Tivemos de mandar um jogador embora, outro abdicou de jogar por questões pessoais e outro saiu porque entendeu que não se sentia confortável no grupo. Tudo o que fizemos foi para bem do grupo.
RC > Foi esse reajustamento que faltou fazer a Tógui para permanecer no clube, até porque os resultados desportivos eram normais até ao momento da dispensa?
TC > Enquanto adjunto do Tógui, alertei diversas vezes para essa necessidade. Esse problema foi um dos que ajudou à saída dele, mas provavelmente houve outras situações que contribuíram.
RC > É natural do Juncal, mas jogou uma década em Pataias. O Pataiense passou a ser o seu clube do coração?
TC > Aprendi a gostar do Pataiense, clube no qual me sinto respeitado pelas pessoas e se tornou no clube do meu coração. Fui um jogador normalíssimo, mas orgulho-me da minha carreira, que foi carreira com humildade e respeito pelas pessoas e um prazer enorme em jogar futebol. Foi assim no Juncalense e no Nazarenos e também foi nos dez anos em que vesti a camisola do Pataiense.
RC > E acredita que também pode ficar tantos anos no clube como treinador?
TC > Tenho a perfeita consciência de que é mais difícil ficar tantos anos a treinar do que a jogar, porque as funções são completamente distintas. O meu sonho é ser o melhor possível como treinador e continuar a andar ligado ao futebol, perspectivando sempre atingir outros patamares competitivos.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Golfe da Pedra do Ouro cada vez mais longe
Da edição nº907 de 6 de Janeiro de 2011 do Região de Cister.
Previstos há vários anos, os projectos de investimento em campos de golfe no concelho de Alcobaça estão atrasados nos gabinetes da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) de Lisboa e Vale do Tejo, organismo que Paulo Inácio acusa de "fundamentalismo ambiental".
Refere o autarca que o processo está "complicado", sobretudo pela análise da CCDR, que tem vindo a demonstrar "sinais de dificuldades" sobretudo no que diz respeito ao golfe da Pedra do Ouro.
Sobre aquele projecto, e segundo Paulo Inácio, a comissão tem levantado problemas relacionados com as dunas.
"Tivemos o bom senso de reduzir de 12 mil para 8500 camas", revela Paulo Inácio, que garante que têm sido cumpridos os requisitos daquele organismo.
Até ao fecho desta edição não foi possível ouvir a CCDR.
Para Alcobaça estão em análise dois projectos, um de grandes dimensões na Pedra do Ouro, integrando dois campos de golfe de 18 buracos, turismo residencial e dois hotéis. Outro junto a São Martinho do Porto, inclui golfe de 18 buracos, aldeamento e hotel.
Comentário
Eu percebo Paulo Inácio no seu papel de presidente da Câmara.
Está a defender o que pensa ser melhor para o concelho. Mas será por este caminho?
Por outro lado, quem está na CCDR vê na sua secretária uma série de pastas com o nome de Alcobaça: ALE da Benedita, Quinta da Cela, Cova da Onça, Golfe de S. Martinho do Porto, Golfe da Pedra do Ouro, Zona Industrial de Pataias, Mercado e Zona Desportiva de Pataias, apenas para citar alguns.
Curiosamente todos eles, ou quase, em solos de uso altamente condicionado: RAN, REN e Parque Natural, por exemplo.
É fácil acusar alguém de "fundamentalismo ambiental" quando todas as nossas acções apontam para uma prática exactamente oposta.
Que alternativas, ou acções, apresenta a Câmara Municipal para convencer a CCDR de que aprovando estes projectos, continuam salvaguardados os interesses ambientais e desenvolvimento do município e da região do Oeste?
Sem essas alternativas, Paulo Inácio estará a pregar no deserto.
Quanto ao projecto imobiliário na Pedra do Ouro, no contexto económico actual e sem o golfe, está condenado a ser um flop. Será?
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Transportes escolares com menos dinheiro
A notícia é da Rádio Cister.
Câmaras forçadas aceitar verba oferecida pelo Governo para Transporte Escolar
300 euros por aluno é a comparticipação anual da Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL) para os transportes escolares em Alcobaça.
O apoio acordado entre as duas instituições corresponde a 40 por cento da despesa que a Câmara Municipal de Alcobaça tem com o transporte escolar.
O presidente da Câmara, Paulo Inácio, admite que “a posição inicial da associação de municípios era de exigir uma maior comparticipação do Estado”, mas algumas autarquias decidiram aceitar as propostas das respectivas direcções regionais de educação.
“Alcobaça acabou por fazer o mesmo, evitando que a autarquia ficasse sem qualquer comparticipação do Ministério da Educação”, acrescentou.
Para além do valor, que considerada"demasiado baixo", o autarca de Alcobaça fala ainda no o encerramento de várias escolas do 1º ciclo do ensino básico, imposto pelo Ministério, que, ao contrário do acordado, não obteve da tutela o apoio financeiro corresponde ao aumento dos encargos provenientes da necessidade de transportar os alunos dos estabelecimentos de ensino encerrados para as escolas de acolhimento.
“A situação veio agravar ainda mais o peso das despesas dos municípios com a educação, quando essa é uma responsabilidade da administração central”, argumenta o presidente do executivo camarário.
Paulo Inácio espera agora que com o arranque do próximo ano lectivo, o Estado reveja a sua posição e aumente a comparticipação relativa aos transportes escolares.
O apoio acordado entre as duas instituições corresponde a 40 por cento da despesa que a Câmara Municipal de Alcobaça tem com o transporte escolar.
O presidente da Câmara, Paulo Inácio, admite que “a posição inicial da associação de municípios era de exigir uma maior comparticipação do Estado”, mas algumas autarquias decidiram aceitar as propostas das respectivas direcções regionais de educação.
“Alcobaça acabou por fazer o mesmo, evitando que a autarquia ficasse sem qualquer comparticipação do Ministério da Educação”, acrescentou.
Para além do valor, que considerada"demasiado baixo", o autarca de Alcobaça fala ainda no o encerramento de várias escolas do 1º ciclo do ensino básico, imposto pelo Ministério, que, ao contrário do acordado, não obteve da tutela o apoio financeiro corresponde ao aumento dos encargos provenientes da necessidade de transportar os alunos dos estabelecimentos de ensino encerrados para as escolas de acolhimento.
“A situação veio agravar ainda mais o peso das despesas dos municípios com a educação, quando essa é uma responsabilidade da administração central”, argumenta o presidente do executivo camarário.
Paulo Inácio espera agora que com o arranque do próximo ano lectivo, o Estado reveja a sua posição e aumente a comparticipação relativa aos transportes escolares.
Comentário
Também ainda não foi encontrada solução para os transportes escolares entre Pataias e Alcobaça.
Esta redução de verbas vai significar, na prática, que os jovens da freguesia de Pataias vão continuar a prosseguir os seus estudos fora do concelho.
Entretanto, a Câmara Municipal, alegadamente, está a negociar com a Rodoviária Nacional transportes urbanos para a Benedita...
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
BTT - Prova de resistência
Apenas para recordar.
É já no próximo domingo, dia 9 de Janeiro.
Inscrições ainda estão abertas (mas já sem almoço).
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
O desafio da governança (4/4)
[continuação]
Um novo conceito de gestão do território: a governança
Para concretizar este envolvimento da sociedade, o Programa Nacional da Politica de Ordenamento do Território (PNPOT), estabelece um conjunto de medidas prioritárias a promover:
- desenvolver acções de sensibilização, educação e mobilização dos cidadãos para uma cultura valorizadora do ordenamento do território, do urbanismo, das paisagens e do património geral;
- introduzir e reforçar nos programas dos vários graus de ensino, desde o ensino básico ao secundário, os princípios orientadores de boas práticas de ordenamento e qualificação do território;
- fomentar a investigação e a inovação na área do ordenamento do território e do urbanismo, nomeadamente através da instituição de bolsas de estudo e prémios especiais;
- divulgar boas práticas em ordenamento do território e urbanismo e incentivar a participação em concursos para atribuição de prémios a nível internacional.
Se para as duas primeiras, o ensino e reforço da Geografia nos diferentes graus de ensino surge como o caminho a trilhar, para a última, exige uma mudança profunda no paradigma da acção dos decisores políticos. Mudança a realizar nomeadamente nos processos de produção, monitorização e divulgação da informação relativa à gestão do território.
Neste processo, os decisores políticos devem apresentar como principais aptidões : uma visão para o futuro do território; a definição de objectivos como iniciativa para a gestão da mudança; a capacidade de adaptar processos e organizações; comunicar, motivar, convencer; capacidade para construção de alianças. Estas aptidões devem estar alicerçadas não só no saber escutar, na empatia, na imaginação, na habilidade do trato, mas fundamentalmente na curiosidade de conhecer diferentes pontos de vista e na vontade de aprendizagem contínua. Só assim será possível entender e contextualizar diferentes pontos de vista e opiniões, procurando a sua compatibilização, através da construção de novos cenários ou projectos que incorporem a grande maioria dos interesses e pontos de vista dos diferentes actores (públicos e privados) e sectores da cidadania envolvidos.
A ideia de governança está assim associada a cinco princípios políticos: abertura, participação, responsabilização eficácia e coerência. Em conjunto, permitirão um aparecimento de um novo modelo de gestão territorial, capaz de responder às rápidas mudanças sociais, económicas, demográficas e ambientais que ocorrem actualmente.
As alterações económicas e sociais ocorridas nos últimos 30 anos introduziram uma grande dinâmica na transformação dos territórios. Parece consensual que a Administração Pública não tem hoje capacidade política e económica de executar as propostas formuladas nos planos. Há assim a necessidade de estabelecer mecanismos de cooperação com os actores privados e a sociedade civil, no sentido de encontrar soluções que respondam de forma eficaz à velocidade das transformações sociais, económicas, demográficas e ambientais actuais.
No entanto, se por um lado, há uma menor capacidade de intervenção por parte da Administração, os actores privados só assumem destaque em projectos de grande visibilidade (territorial e financeira) e a sociedade civil continua emersa num papel quase figurativo quanto aos processos de planeamento. Cabe-lhe um papel mais activo e vigilante, de forma a salvaguardar os seus próprios interesses.
Um novo conceito de gestão do território: a governança
Para concretizar este envolvimento da sociedade, o Programa Nacional da Politica de Ordenamento do Território (PNPOT), estabelece um conjunto de medidas prioritárias a promover:
- desenvolver acções de sensibilização, educação e mobilização dos cidadãos para uma cultura valorizadora do ordenamento do território, do urbanismo, das paisagens e do património geral;
- introduzir e reforçar nos programas dos vários graus de ensino, desde o ensino básico ao secundário, os princípios orientadores de boas práticas de ordenamento e qualificação do território;
- fomentar a investigação e a inovação na área do ordenamento do território e do urbanismo, nomeadamente através da instituição de bolsas de estudo e prémios especiais;
- divulgar boas práticas em ordenamento do território e urbanismo e incentivar a participação em concursos para atribuição de prémios a nível internacional.
Se para as duas primeiras, o ensino e reforço da Geografia nos diferentes graus de ensino surge como o caminho a trilhar, para a última, exige uma mudança profunda no paradigma da acção dos decisores políticos. Mudança a realizar nomeadamente nos processos de produção, monitorização e divulgação da informação relativa à gestão do território.
Neste processo, os decisores políticos devem apresentar como principais aptidões : uma visão para o futuro do território; a definição de objectivos como iniciativa para a gestão da mudança; a capacidade de adaptar processos e organizações; comunicar, motivar, convencer; capacidade para construção de alianças. Estas aptidões devem estar alicerçadas não só no saber escutar, na empatia, na imaginação, na habilidade do trato, mas fundamentalmente na curiosidade de conhecer diferentes pontos de vista e na vontade de aprendizagem contínua. Só assim será possível entender e contextualizar diferentes pontos de vista e opiniões, procurando a sua compatibilização, através da construção de novos cenários ou projectos que incorporem a grande maioria dos interesses e pontos de vista dos diferentes actores (públicos e privados) e sectores da cidadania envolvidos.
A ideia de governança está assim associada a cinco princípios políticos: abertura, participação, responsabilização eficácia e coerência. Em conjunto, permitirão um aparecimento de um novo modelo de gestão territorial, capaz de responder às rápidas mudanças sociais, económicas, demográficas e ambientais que ocorrem actualmente.
As alterações económicas e sociais ocorridas nos últimos 30 anos introduziram uma grande dinâmica na transformação dos territórios. Parece consensual que a Administração Pública não tem hoje capacidade política e económica de executar as propostas formuladas nos planos. Há assim a necessidade de estabelecer mecanismos de cooperação com os actores privados e a sociedade civil, no sentido de encontrar soluções que respondam de forma eficaz à velocidade das transformações sociais, económicas, demográficas e ambientais actuais.
No entanto, se por um lado, há uma menor capacidade de intervenção por parte da Administração, os actores privados só assumem destaque em projectos de grande visibilidade (territorial e financeira) e a sociedade civil continua emersa num papel quase figurativo quanto aos processos de planeamento. Cabe-lhe um papel mais activo e vigilante, de forma a salvaguardar os seus próprios interesses.
A governança não pode ser ensinada… tem que ser alcançada através de uma cidadania melhorada (Paulo Correia)
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
O Orçamento da CMA e as colectividades
A notícia é da Rádio Cister.
CDU quer 1% do Orçamento da Câmara aplicado nas Colectividades do concelho
A CDU insiste na necessidade de se investir um por cento do Orçamento da Câmara Municipal de Alcobaça nas colectividades do concelho de Alcobaça.
Está em causa um valor de 600 mil euros.
O vereador Rogério Raimundo considera que, desta forma, “estar-se-ia a investir da melhor maneira os dinheiros destinados às actividades culturais”.
“As associações poderiam criar postos de trabalho fixos, assim como gerir da melhor maneira os projectos que as respectivas direcções vão colocando no terreno”, sem terem de estar à espera se o município irá ou não apoiar essas actividades, acrescentou.
Comentário
Parece-me evidente que o actual estado da atribuição dos subsídios não serve as necessidades das colectividades (acabaram de ser definidos os subsídios de... 2009!).
Mas perante esta proposta, há que saber:
Qual é a percentagem (e valor) que a Câmara destina actualmente às colectividades?
Nos apoios às colectividades, estão contemplados os pagamentos de, por exemplo, das actividades de complemento curricular?
Quais os critérios para dividir esse alegado "bolo" de 600 mil euros?
São contabilizados nos apoios às colectividades, para além das transferências "normais", os apoios extraordinários e pontuais?
Não deveria a Câmara estabelecer protocolos de financiamento mensal regular com algumas das colectividades de cariz cultural, tal como faz com o desporto?
CDU quer 1% do Orçamento da Câmara aplicado nas Colectividades do concelho
A CDU insiste na necessidade de se investir um por cento do Orçamento da Câmara Municipal de Alcobaça nas colectividades do concelho de Alcobaça.
Está em causa um valor de 600 mil euros.
O vereador Rogério Raimundo considera que, desta forma, “estar-se-ia a investir da melhor maneira os dinheiros destinados às actividades culturais”.
“As associações poderiam criar postos de trabalho fixos, assim como gerir da melhor maneira os projectos que as respectivas direcções vão colocando no terreno”, sem terem de estar à espera se o município irá ou não apoiar essas actividades, acrescentou.
Comentário
Parece-me evidente que o actual estado da atribuição dos subsídios não serve as necessidades das colectividades (acabaram de ser definidos os subsídios de... 2009!).
Mas perante esta proposta, há que saber:
Qual é a percentagem (e valor) que a Câmara destina actualmente às colectividades?
Nos apoios às colectividades, estão contemplados os pagamentos de, por exemplo, das actividades de complemento curricular?
Quais os critérios para dividir esse alegado "bolo" de 600 mil euros?
São contabilizados nos apoios às colectividades, para além das transferências "normais", os apoios extraordinários e pontuais?
Não deveria a Câmara estabelecer protocolos de financiamento mensal regular com algumas das colectividades de cariz cultural, tal como faz com o desporto?
O desafio da governança (3/4)
[continuação]
Neste contexto, o conceito de governança tem sido utilizado para definir formas de governo mais abertas e participadas, e relações de cooperação entre Estado e parceiros económicos ou cívicos. A governança corresponde aos processos através dos quais as decisões de políticas públicas são feitas e implementadas. Resulta das interacções, relacionamentos e estabelecimento de redes entre os diferentes actores públicos, privados e sociedade civil. A governança inclui a tomada de decisões, a negociação e as diferentes relações de poder entre os diversos actores, de forma a determinar quem é responsável pelo quê, quando e como.
Este desafio pressupõe um Estado eficiente e funcional. Por um lado, capaz de assegurar a representação e defesa do interesse público, designadamente através do seu papel regulador; por outro, assegurar uma gestão integrada e alargada da vida sócio-económica e da sua tradução territorial, através da redistribuição de responsabilidades directas entre o Estado e a sociedade.
Mas são precisamente os pressupostos que conduziram à ideia de governança, nomeadamente, a fragmentação do Estado e a diminuição da sua capacidade interventora (principalmente financeira); a complexidade, rigidez e opacidade da legislação e procedimentos de planeamento e gestão territorial; assim como a ausência de uma cultura cívica valorizadora do ordenamento do território e a diminuta participação da população os grandes desafios a vencer.
Sem os resolver, há o risco de um planeamento meramente indicativo, onde os actores privados assumem todo o protagonismo e o Estado é um mero fiscalizador. Mas um Estado enfraquecido, fragmentado e financeiramente débil, em crise política de valores e do seu papel na sociedade, pode não ser capaz de defender a ideia de interesse público. «Um Estado com uma governação minimalista acarreta o risco de, através de uma burocracia ‘empresarial’, seguir a vontade política dos decisores, em detrimento das condições de eficácia, de eficiência e de rentabilidade social».
Desenvolve-se esta ideia de partilha de responsabilidades (Estado/ Sociedade) quanto ao idealizar e executar um plano, um projecto, para um território, tendo em vista o seu desenvolvimento e a sua sustentabilidade. É assim necessário desenvolver e cultivar uma dimensão ética que deve traduzir estas responsabilidades como fonte de obrigações e como uma garantia com vista à minimização dos riscos de má gestão e à efectiva ponderação dos interesses públicos. Em termos territoriais, estes interesses dizem sobretudo respeito ao ordenamento do território, ao urbanismo, ao ambiente, ao património, mas também às obras públicas, aos serviços públicos, à aquisição de bens e serviços e às tecnologias de informação.
A partilha de responsabilidades passa, também, pela participação pública nos processos de planeamento. Tradicionalmente, esta é feita na parte final do processo, onde a informação é menos transparente e o tempo é pouco para discutir e questionar (tardiamente) opções de ordenamento e desenvolvimento. Para além disso, as populações consideram que nestes processos têm pouca ou nenhuma influência, havendo ainda dificuldades em garantir, e demonstrar, que as medidas do planeamento representam processos de decisão colectivos e não o resultado das posições de determinados grupos e interesses, mesmo que socialmente válidos.
Esta participação pública exige a criação de espaços de cidadania para a deliberação. Espaços que devem ser, por sua vez, flexíveis e bem organizados, com metodologias rigorosas e bem orientadas para o objectivo de identificar, sistematizar e dar prioridade aos interesses e necessidades sociais. Mas esta participação deve ter como finalidade o desenvolvimento da região. A participação na governança não deve ser um simples processo através do qual se fazem chegar sugestões à administração pública. A participação na governança é o reconhecimento da responsabilidade que cada indivíduo tem, da sua importância no passado, no presente e no futuro da sua região, no assumir do seu compromisso como elemento dinamizador de desenvolvimento e sustentabilidade da sua região. «Participação é compromisso e colaboração cidadã».
Um novo conceito de gestão do território: a governança
Este desafio pressupõe um Estado eficiente e funcional. Por um lado, capaz de assegurar a representação e defesa do interesse público, designadamente através do seu papel regulador; por outro, assegurar uma gestão integrada e alargada da vida sócio-económica e da sua tradução territorial, através da redistribuição de responsabilidades directas entre o Estado e a sociedade.
Mas são precisamente os pressupostos que conduziram à ideia de governança, nomeadamente, a fragmentação do Estado e a diminuição da sua capacidade interventora (principalmente financeira); a complexidade, rigidez e opacidade da legislação e procedimentos de planeamento e gestão territorial; assim como a ausência de uma cultura cívica valorizadora do ordenamento do território e a diminuta participação da população os grandes desafios a vencer.
Sem os resolver, há o risco de um planeamento meramente indicativo, onde os actores privados assumem todo o protagonismo e o Estado é um mero fiscalizador. Mas um Estado enfraquecido, fragmentado e financeiramente débil, em crise política de valores e do seu papel na sociedade, pode não ser capaz de defender a ideia de interesse público. «Um Estado com uma governação minimalista acarreta o risco de, através de uma burocracia ‘empresarial’, seguir a vontade política dos decisores, em detrimento das condições de eficácia, de eficiência e de rentabilidade social».
Desenvolve-se esta ideia de partilha de responsabilidades (Estado/ Sociedade) quanto ao idealizar e executar um plano, um projecto, para um território, tendo em vista o seu desenvolvimento e a sua sustentabilidade. É assim necessário desenvolver e cultivar uma dimensão ética que deve traduzir estas responsabilidades como fonte de obrigações e como uma garantia com vista à minimização dos riscos de má gestão e à efectiva ponderação dos interesses públicos. Em termos territoriais, estes interesses dizem sobretudo respeito ao ordenamento do território, ao urbanismo, ao ambiente, ao património, mas também às obras públicas, aos serviços públicos, à aquisição de bens e serviços e às tecnologias de informação.
A partilha de responsabilidades passa, também, pela participação pública nos processos de planeamento. Tradicionalmente, esta é feita na parte final do processo, onde a informação é menos transparente e o tempo é pouco para discutir e questionar (tardiamente) opções de ordenamento e desenvolvimento. Para além disso, as populações consideram que nestes processos têm pouca ou nenhuma influência, havendo ainda dificuldades em garantir, e demonstrar, que as medidas do planeamento representam processos de decisão colectivos e não o resultado das posições de determinados grupos e interesses, mesmo que socialmente válidos.
Esta participação pública exige a criação de espaços de cidadania para a deliberação. Espaços que devem ser, por sua vez, flexíveis e bem organizados, com metodologias rigorosas e bem orientadas para o objectivo de identificar, sistematizar e dar prioridade aos interesses e necessidades sociais. Mas esta participação deve ter como finalidade o desenvolvimento da região. A participação na governança não deve ser um simples processo através do qual se fazem chegar sugestões à administração pública. A participação na governança é o reconhecimento da responsabilidade que cada indivíduo tem, da sua importância no passado, no presente e no futuro da sua região, no assumir do seu compromisso como elemento dinamizador de desenvolvimento e sustentabilidade da sua região. «Participação é compromisso e colaboração cidadã».
[continuação]
domingo, 2 de janeiro de 2011
O desafio da governança (2/4)
[continuação]
A necessidade de um novo modelo na gestão do território
Actualmente, um conjunto emergente de fenómenos sociais, políticos e económicos, traz novos desafios à Administração Pública. Estes desafios encontram-se traduzidos na crise financeira do Estado, num novo quadro demográfico, nas janelas de oportunidades trazidas pelas Tecnologias de Informação e Comunicação, na crescente complexidade de dinâmicas territoriais e na crise do modelo da democracia representativa. Todos eles concorrem, e contribuem, para a profunda fragmentação do Estado (e da própria sociedade). Esta fragmentação, aliada a uma crescente complexificação e especialização sócio-económica, lança reptos importantes também aos processos de desenvolvimento das comunidades urbanas e rurais. Se anteriormente apenas era avaliado o seu desempenho económico-financeiro, hoje são igualmente importantes a manutenção dos seus níveis de eficiência, sem colocar em causa os sistemas ambiental e social.
Constatamos hoje a crise do modelo de intervenção do Estado (com funções hegemónicas na redistribuição territorial dos recursos) e ao aparecimento de tendências de sentido mais liberal e de maior participação da sociedade civil. Verifica-se, também e cada vez mais, num mundo globalizado e globalizante, o aparecimento e o reafirmar de regionalismos que se traduzem em diversidade e riqueza, singulares e próprias. Há cada vez mais a necessidade de conciliar estes anseios locais com a identificação de visões e objectivos comuns a escalas territoriais mais amplas. A viabilização e gestão do interesse público exige hoje o encontrar de soluções e a construção de consensos, o envolvimento de actores dispersos, o reconhecimento de diferenças, a experimentação.
Paralelamente, há um processo de a-territorialização das actividades humanas. O conceito de distância física esbateu-se e hoje são as noções de distância-tempo e distância-custo que determinam e equacionam as deslocações e as comunicações e a própria concepção de espaço e território. Para além disso, a União Europeia identifica a subsidariedade, a integração social e a parceria, para além da sustentabilidade ambiental e da eficiência do mercado, como princípios das acções específicas da administração pública na definição e implementação das políticas urbanas e de ordenamento do território.
Estas novas realidades introduziram novos parâmetros na gestão de conflitos e acordos no planeamento urbano, para as quais são necessárias respostas inovadoras.
O crescente desajustamento na relação entre as estruturas tradicionais de regulação e de representatividade das comunidades, e os agentes económicos e sociais implicados na implementação das políticas urbanas e de ordenamento do território, são os novos desafios da governabilidade dos territórios e lançam as sementes da governança.
A necessidade de um novo modelo na gestão do território
Actualmente, um conjunto emergente de fenómenos sociais, políticos e económicos, traz novos desafios à Administração Pública. Estes desafios encontram-se traduzidos na crise financeira do Estado, num novo quadro demográfico, nas janelas de oportunidades trazidas pelas Tecnologias de Informação e Comunicação, na crescente complexidade de dinâmicas territoriais e na crise do modelo da democracia representativa. Todos eles concorrem, e contribuem, para a profunda fragmentação do Estado (e da própria sociedade). Esta fragmentação, aliada a uma crescente complexificação e especialização sócio-económica, lança reptos importantes também aos processos de desenvolvimento das comunidades urbanas e rurais. Se anteriormente apenas era avaliado o seu desempenho económico-financeiro, hoje são igualmente importantes a manutenção dos seus níveis de eficiência, sem colocar em causa os sistemas ambiental e social.
Constatamos hoje a crise do modelo de intervenção do Estado (com funções hegemónicas na redistribuição territorial dos recursos) e ao aparecimento de tendências de sentido mais liberal e de maior participação da sociedade civil. Verifica-se, também e cada vez mais, num mundo globalizado e globalizante, o aparecimento e o reafirmar de regionalismos que se traduzem em diversidade e riqueza, singulares e próprias. Há cada vez mais a necessidade de conciliar estes anseios locais com a identificação de visões e objectivos comuns a escalas territoriais mais amplas. A viabilização e gestão do interesse público exige hoje o encontrar de soluções e a construção de consensos, o envolvimento de actores dispersos, o reconhecimento de diferenças, a experimentação.
Paralelamente, há um processo de a-territorialização das actividades humanas. O conceito de distância física esbateu-se e hoje são as noções de distância-tempo e distância-custo que determinam e equacionam as deslocações e as comunicações e a própria concepção de espaço e território. Para além disso, a União Europeia identifica a subsidariedade, a integração social e a parceria, para além da sustentabilidade ambiental e da eficiência do mercado, como princípios das acções específicas da administração pública na definição e implementação das políticas urbanas e de ordenamento do território.
Estas novas realidades introduziram novos parâmetros na gestão de conflitos e acordos no planeamento urbano, para as quais são necessárias respostas inovadoras.
O crescente desajustamento na relação entre as estruturas tradicionais de regulação e de representatividade das comunidades, e os agentes económicos e sociais implicados na implementação das políticas urbanas e de ordenamento do território, são os novos desafios da governabilidade dos territórios e lançam as sementes da governança.
[continua]
sábado, 1 de janeiro de 2011
O desafio da governança (1/4)
O desafio da governança:
porquê e como superá-lo?
ou
A ausência de cultura cívica e a reduzida participação da sociedade nos processos e práticas do planeamento
As profundas alterações sociais, políticas e económicas ocorridas nas últimas décadas levantam a questão sobre a governabilidade e gestão dos territórios. Será que a gestão territorial pode continuar a ser feita como foi durante o último meio século, ou será necessário encontrar alternativas? E a existirem essas alternativas, quem serão os novos actores dos processos de planeamento e que competências devem evidenciar para a concretização de uma gestão territorial de qualidade?
porquê e como superá-lo?
ou
A ausência de cultura cívica e a reduzida participação da sociedade nos processos e práticas do planeamento
As profundas alterações sociais, políticas e económicas ocorridas nas últimas décadas levantam a questão sobre a governabilidade e gestão dos territórios. Será que a gestão territorial pode continuar a ser feita como foi durante o último meio século, ou será necessário encontrar alternativas? E a existirem essas alternativas, quem serão os novos actores dos processos de planeamento e que competências devem evidenciar para a concretização de uma gestão territorial de qualidade?
A necessidade de um novo modelo na gestão do território
Predominou ao longo do século XX, uma corrente defensora do intervencionismo do Estado, através de um planeamento imperativo, como elemento fulcral para o combate às desigualdades regionais e promoção da igualdade no acesso à habitação, aos transportes, à saúde (por exemplo). Assim, o planeamento constituiu um processo contínuo e cíclico, na procura de soluções para a resolução de problemas, sob a liderança pública. Os conflitos de interesses, sobretudo público/privados, foram subalternizados, dada a dominância e a consistência da intervenção pública.
Mas as transformações sociais, políticas e económicas verificadas no último quartel do século XX (choque petrolífero de 1974, queda do muro de Berlim), lançaram dúvidas sobre os pensamentos e práticas existentes, obrigando ao repensar de modelos e políticas, também ao nível do território. Neste novo processo, o Estado passou a ser encarado como uma estrutura opaca e pouco transparente, da qual resultam processos de planeamento de objectivos e métodos pouco participados pelos particulares, envoltos em impostos, numa enorme carga burocrática e num emaranhado legal, por vezes, contraditório. Sem que daí resulte, muitas vezes, uma maior eficácia e eficiência na gestão do território, traduzida em melhorias da qualidade de vida da população em geral.
Em paralelo a estas transformações, assiste-se, hoje em dia, a um processo de transição da sociedade industrial para a sociedade-rede ou sociedade do conhecimento. Esta mudança significa uma mudança social tão significativa como aquela que implicou a passagem de uma sociedade agrícola e artesanal à sociedade industrial. Esta mudança social traduz-se numa profunda transformação que afecta a economia, a estrutura social, a organização do espaço, a educação, a cultura e, naturalmente, a estrutura do governo e o modo de governar.
Justifica-se assim, encontrar novas formas de governar o território, aprofundando a democracia e dando maior eficácia e eficiência às políticas públicas. No entanto, a intervenção da Administração Pública foi sempre vista, até muito recentemente, como capaz de produzir melhor ambiente urbano do que o resultante da livre iniciativa dos mercados.
[continua]
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