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domingo, 29 de dezembro de 2013

A nova freguesia de Pataias

A nova freguesia de Pataias.
O título é provocatório.

Ponto primeiro.
Sabemos que a designação oficial é União das Freguesias de Pataias e Martingança. E assim parece ser para quem é de Pataias, mas para quem é da Martingança, parece que é Freguesia de Pataias.
Sabemos que este processo de união de freguesias, porque mal conduzido pelo Governo e pior ainda pela Câmara Municipal (e completamente atropelado/ignorado pela anterior Assembleia de Freguesia de Pataias), está longe de ser perfeito e de corresponder aos desejos de parte das populações.
Pessoalmente, penso que foi um processo necessário e que pecou por escasso. O número de agregações deveria ter sido maior, nomeadamente nas freguesias a sul do Casal da Areia.

Ponto segundo.
Sabemos também, que estas ocasiões, até pela proximidade/rivalidade existente entre as populações envolvidas, geram sempre algumas “bocas” e “brincadeiras”. Assim, de repente, recordo o nome da freguesia que resultaria da eventual agregação de Pataias, Martingança, Montes e Alpedriz (a freguesia do bataclã); a história das portas da Burinhosa que seriam construídas no largo da Martingança (resolvendo vários problemas); e o novo brasão da freguesia com os gansos da Martingança a entrar (em tabuleiro) nos fornos de Pataias. Valem o que valem. Alguns sorrisos, algumas bocas, mas que devem ser reconhecidas face à respetiva importância e pertinência, ou seja, NENHUMA. Quem lhes reconhecer mais que isso, não merece ouvi-las.

Ponto terceiro
É inegável que todo este processo deixou feridas profundas. Trinta anos, mesmo à escala humana, é pouco tempo. Conseguir afirmar a Martingança como freguesia e vê-la agora “desaparecer”, deve ser muito difícil. Mas também é uma questão de perspetiva.
Há 30 anos, a Martingança era mais uma terra da freguesia de Pataias. Hoje, a Martingança é uma freguesia de igual direito e responsabilidade face à freguesia de Pataias. Por isso se chama União de Freguesias de Pataias e Martingança.
Não foi só a freguesia da Martingança que desapareceu. A freguesia de Pataias também já não existe.
Há quem afirme que a freguesia de Pataias ficou a ganhar com a anexação da Martingança. «É uma mais valia»: dezenas de empresas, centenas de trabalhadores.
Pessoalmente não tenho quaisquer dúvidas que a Martingança ficou a ganhar com a anexação de Pataias. Massa crítica, capacidade de criar receitas próprias, um milhão duzentos e sessenta e sete mil euros de orçamento para 2014. São dez anos de orçamentos da Junta da Martingança.
A questão prende-se não com quem anexou quem, mas com o facto de ambas estarem juntas. E juntas significa mais força.
Já chega o que a Câmara Municipal (não) faz. Não precisamos de encontrar guerras internas.

Ponto quarto
Vem isto a propósito da intervenção do Presidente da Junta relativamente à Zona Industrial da Alva de Pataias.
Valter Ribeiro disse que havia empresários interessados e que a solução pode passar pela engenharia financeira, por acordos com empreiteiros e que no final o investimento por parte da Câmara seria irrisório. Ok, tudo bem, é uma solução.
A solução de sempre: Pataias paga.
Recordo ainda a última Assembleia Municipal: 10 milhões de euros investidos pela Câmara na Benedita nos últimos quatro anos.
Em Pataias, tudo o que tem sido feito, tem sido com capitais próprios (da Junta), fundos comunitários (requalificação da praia das Paredes) ou protocolos com a CIBRA (as piscinas).
Quando foi a última vez que a Câmara gastou dinheiro seu, em Pataias?
A criação de uma zona industrial no norte do concelho é primordial. Essencial mesmo, para os destinos da freguesia e do próprio concelho. Não interessa se é na Alva ou nos Calços. O que é importante é que ela surja e com as mesmas condições do Casal da Areia ou as prometidas para a Benedita, cujo investimento já vai em 3,5 milhões de euros, só no terreno.
Em Pataias, o terreno é de borla.
Em Pataias, arranjam-se soluções para que o investimento da Câmara seja zero.
Em Pataias, se queremos, temos de fazer. Podemos dizer que nada devemos a Alcobaça, exceto a Derrama Municipal, o IMI e uma percentagem do IRS.

Ponto quinto
É por isto, que falar da freguesia de Pataias é um tiro nos pés.
Esquecer a Martingança é apagar mais de 1000 habitantes, dezenas de empresas, centenas de trabalhadores. É diminuir a força do norte do concelho, reduzi-la a uma palavra mal amada por Paulo Inácio: Pataias.
Na última Assembleia Municipal eram pelo menos uma dúzia as pessoas naturais e residentes na União De Freguesias de Pataias e Martingança que estavam presentes. Pataias, apesar da aprovação do orçamento camarário, dominou grande parte das intervenções.
A nossa força é a nossa união.

A nova freguesia de Pataias não existe.
Existe uma freguesia mais forte, mais interventiva, mais capaz que é a União de Freguesias de Pataias e Martingança.

Quem pensar o contrário, está-se a diminuir, a retirar força a Pataias e a subalternizar de forma definitiva a Martingança.

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